terça-feira, 21 de junho de 2016

Festa Temática - Criatividade e Diversão

Self de Liana -  Festa Viking  (A família veio como a família do Suspiro de Como Treinar seu Dragão)
Se você gosta de brincar e de usar a criatividade, que tal fazer uma festa temática? É simples e divertido. Reúna a família e alguns amigos doidos e pronto.Tá garantida a diversão. Não precisa ser numa data especial e nem gastar dinheiro. Na minha casa fazemos isso há alguns anos. Como meu apartamento é pequeno, não podemos convidar muita gente. Cada um de nós convida uns amigos (que não tenham vergonha de ser feliz) e a bagunça tá formada.O combinado é que a fantasia não deve ser alugada ou comprada, ela deve ser criada. É econômico e fica mais surpreendente. Você não consegue imaginar o quanto as pessoas podem ser criativas! Tem um amigo do meu filho que costuma ir sem fantasia, então ele diz que é um Viajante do Tempo...hahaha. O cardápio pode ser adaptado ao tema. Em cada festa fazemos um sorteio para definir o tema da festa seguinte. Ela era realizada anualmente mas a partir do ano passado passou a ser semestral, atendendo a pedidos da galera; daí você imagina como o trem é bão. Até o momento as temáticas, e as minhas fantasias, foram as seguintes:

Oriental (traje típico - a partir de um roupão...rs)
Portugal (traje típico)
Itália (Monalisa - bastou uma moldura e um sorriso enigmático)
Inglaterra (Rainha Vitória)
Áustria (traje típico)
Cinema (Marilyn Monroe - pode isso?)
Vilões (Nazaré Tedesco - uma escadinha pendurada no pescoço com uns bonequinhos pendurados)
Grécia (Deusa Hera)
Velho Oeste (dona do Saloon)
Vikings (Helga, esposa do Hagar o Horrível)

A próxima será Profissóes.

O interessante é que pesquisamos cada assunto, trocamos ideias e com isso aumentamos um pouquinho nosso conhecimento geral.
Durante o evento jogamos algo, tipo Imagem & Ação, ou alguém faz uma apresentação. Mas o melhor de tudo é poder compartilhar de momentos saudáveis com pessoas queridas e especiais. Fica a dica.

Anita Safer

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Aposentadoria: O fim ou o início?

Foto: Rafael Arce
Coisa engraçada é a vida. A gente trabalha a vida toda e, vira e mexe, pensa: "Aff, não aguento mais, não vejo a hora de aposentar"; e quando chega o grande momento bate aquele desespero. Você chega a ficar bipolar alternando entre as músicas "Não aprendi dizer adeus..." e o tema de Frozen "Let it go, let it go..." e sai dando passinhos flutuantes. Mas a realidade é uma só. Tudo na vida tem seu começo e seu fim. É natural. Não somos obrigados a aposentar. Se sentimos que ficaremos infelizes e que não estamos prontos, pra que pendurar as chuteiras? Joga mais umas partidas, não tem problema. Mas se algo em você diz que é a hora, vai fundo. Eu fui.
Um dos sinônimos de aposentadoria é reforma. Faça uma placa mental com os seguintes dizeres ESTOU EM REFORMA PARA MELHOR ATENDÊ-LOS (Ou melhor, me atender)... Hahaha. Esta reforma implica em desapegar da antiga rotina e usar o tempo de maneira diferente. É como aprender a andar de bicicleta sem rodinhas. No início você vai meio vacilante, mas depois vem a sensação de liberdade. Lembre do tema de Frozen (só que agora na versão brasileira) e cante: "Livre estou, livre estou...". A ideia é criar novas rotinas, menos rígidas mas igualmente satisfatórias. Caminhar, curtir a casa e a família, estudar algo novo, fazer um trabalho social, escrever, ler, pintar... O que quiser. Ainda sobra tempo pra encontrar um amigo a qualquer hora do dia. Pegar um cinema, tomar um café. Se não quiser fazer nada, também pode. Quem disse que não?
Respondendo ao título do post, acho que a aposentadoria pode ser o fim ou o início, dependendo de como encararmos; ou ambos, considerando que a vida acontece em ciclos - onde após cada fim, segue um novo início.

Anita Safer

sexta-feira, 10 de junho de 2016

No parque de botas

Foto: Tina Arce
Quando eu era criança fui ao Parque de Diversões pela primeira vez. Acho que era a primeira, tenho umas fotos desse dia. Eu e minhas botas brancas que meu irmão trouxe pra mim de São Paulo. A mulher que nunca calçou botas brancas quando menina não sabe o que é se sentir uma diva... Hahaha. Pois bem, fomos ao parque, eu, minhas irmãs, nossos vestidos "mini" (super moda, na época) e, claro, minhas botas brancas. Naquela Brasília vazia lá estava o parque, perto da torre de TV, rodeado de terra vermelha por todos os lados. Não eram muitos brinquedos, uma pista com carrinhos que subiam e desciam, um carrossel e outros mais. Lá no centro, gigantesca, majestosa e circular estava ela: a RODA GIGANTE. Ai, meu Deus! Quanta emoção! Fomos nós, naquela aventura que me levou até o céu, num movimento tão lento que parecia maldade, pra aumentar a aflição. Como tudo o que é ruim pode piorar, o cara que operava o brinquedo resolveu lanchar. O parque estava vazio e ele esqueceu da gente. Por quanto tempo? No relógio uns cinco minutos, talvez; no meu desespero uns "trocentos anos". Eu não respirava e tentava nem pensar, pra não correr o risco do meu pensamento virar aquela cadeira de ferrinhos. Minha irmã mais velha, agindo como a adulta da situação, começou a berrar e projetar o corpo quase pra fora, num descontrole total. Eu só rezava, acho que foi esse episódio que me fez querer ser freira na época. O fato é que descemos sãs e salvas; salvas, pelo menos. Minha irmã demorou um pouco mais pra recobrar a sanidade.
De lá pra cá tenho tido altos e baixos nos parques de diversão. Fui numa tal de Casa do Espanto onde corri feito uma maratonista, jurando que aqueles monstros fajutos eram a encarnação do mal. O kamikaze é um que faz jus ao nome. O pior é que fui nele e nem queria morrer. Ele te deixa de cabeça pra baixo numa altura descomunal e eu não sabia se segurava os óculos ou o coração, que tava saindo pela boca. Tudo bem, tem aqueles brinquedos fofos, mas só podem ir crianças pequenas, que injustiça! A realidade é que eu gosto e vou, sem minha botinha branca, mas como a menina que não deixei de ser.

Anita Safer

domingo, 5 de junho de 2016

... E se sua vida fosse um filme?

Foto: Tina Arce     Modelo: Cleo
Essa pergunta surgiu um dia desses e compartilhei com alguns familiares e amigos. A partir daí começamos a brincar... Que ator/atriz faria nosso papel? Seria um bom filme?
Escolhi logo a Helen Hunt pra me interpretar. Ela atuou em DO QUE AS MULHERES GOSTAM (com Mel Gibson), TWISTER, entre outros. É certo que nós duas não vestimos o mesmo manequim, mas alguém me disse que lembrava de mim quando a via. Tudo bem, escalei Helen pro elenco. Pensando sobre meu filme vi que seria difícil determinar o estilo. Tive momentos de drama, romance, comédia, suspense. Terror até que não, graças a Deus, embora aprecie filmes do gênero. Acho que a vida de todo mundo é assim, embora algumas possam pender mais pra um lado que pro outro. Percebi certas coisas sobre o assunto. Uma delas é que somos protagonistas. Não temos dublês. Cabe a nós interpretar, da melhor forma, a nós mesmos. Outra coisa é que o roteiro não é totalmente nosso. Aparecem umas cenas que a gente nem tinha ensaiado e temos que atuar de improviso. Talvez porque os coadjuvantes resolvam interpretar os papéis deles do jeito deles, vai saber. E rola aquela trilha sonora (um forrozinho pra mim tá bom) e ficamos torcendo - pelo menos a maioria de nós - que seja um longa metragem. No final sobem os créditos e a pipoca acaba. Depois, alguns que gostaram do nosso enredo, reprisarão na memória nossas melhores cenas. Com o tempo nossa história cairá no esquecimento... ou não, como diria Caetano. E se sua vida fosse um filme, como seria?

Anita Safer

sábado, 21 de maio de 2016

Assim caminha a ansiedade...



Foto: Tina Arce
Fazia uma caminhada e vi umas cenas que ativaram minha veia filosófica. Costumo dar umas voltas em torno de uma quadra. Em um dos lados desta quadra vi uma moça que varria a calçada de um dos prédios. Do outro lado, em outro prédio, um rapaz realizava a mesma tarefa. Enquanto ela varria de forma serena - até mesmo distraída - ele esbravejava e se agitava, reclamando o tempo todo. Não farei aqui juízo de valores, até porque, assim como ele, todos temos nossos dias de fúria e insatisfação. Como eu passei várias vezes pelos dois, pude observar o seguinte: Ela varria poucos quadrados de cada vez, juntava um montinho no centro, catava com uma pá e jogava num saco de lixo. Enquanto isso cantarolava baixinho, acompanhando uma música qualquer que tocava em seu fone de ouvido. O rapaz, por sua vez, saía dando vassouradas nervosas... flap flap flap... Tentando, em vão, jogar as folhas na grama. O vento (acho que de pura sacanagem!) trazia tudo de volta. Ele maldizia o vento, o tempo, a repetição. É assim que a gente costuma fazer muitas vezes. Os problemas caem na nossa frente, como as folhas daquelas árvores. Nós não queremos lidar com eles e tentamos jogá-los de lado. Culpamos a tudo e a todos. Nos outonos da vida estes "problemas/folhas" caem aos montes. São nossas fases ruins, onde tudo acontece ao mesmo tempo. A gente pensa que não vai dar conta, bate um desespero. Não importa de que galhos essas folhas venham, se do galho do trabalho, família, finanças... Só conseguimos achar que "tudo" está ruim e somos dominados pela ANSIEDADE. Ansiedade de que tudo passe logo. Ficamos paralisados, sem saber como agir. Frustrados por nosso caminho não ser perfeito, por nossa calçada não estar sempre limpa. Seria sábio se conseguíssemos, em momentos assim, agir como a moça do lado de cá da quadra. Separar as folhas/problemas por partes, tentar resolvê-los. Depois passaríamos para os outros quadrados. Sem deixar que os ventos da ansiedade e do desespero misturassem tudo dentro da nossa cabeça. Com calma, talvez ao som de algumas coisas boas. Mesmo em momentos ruins, algo de bom há de haver para nos ajudar a passar por eles. Daí a necessidade de fazer coisas que nos deem prazer. Uma pausa para respirar. Afinal, a estação muda, as folhas param de cair, o vento acalma, o tempo esfria, esquenta... E a vida segue. O ideal seria a gente seguir também; um passo de cada vez e, se possível, com menos ansiedade.
Nunca conseguiremos nos livrar, completamente, das folhas. É da natureza da árvore da vida que as folhas caiam e é da natureza do vento as espalhar.
 
Anita Safer
Foto: Tina Arce
 

domingo, 8 de maio de 2016

Feliz Dia de Alice!



O nome dela é Alice. Nome lindo e doce para uma mãe. Carinhosamente nos referimos à ela como dona Ala. Dona. Dona mesmo, porque ela se apropriava de tudo. Era dona da casa, dos filhos, das noras, genros, netos, amigos, da família toda. Mas não era dona no sentido possessivo e egoísta que é atribuído ao termo,muitas vezes. É porque ela era tão dona de si e tão amorosa que atraía a todos. Minha mãe gostava de tirar fotos com flores e plantas e sempre falava um ohhh na hora do click, como se o som fosse ser revelado junto com a imagem. Ela gostava de jovens, de casa cheia, de melancia e rapé. Gostava de dançar ao som de Clara Nunes, Luiz Caldas e Renato Borghetti. Ela ajudava as pessoas com generosidade natural, mas não gostava de fazer caridade com lugar e hora marcados. Ajudava no momento em que a necessidade do outro se manifestava. Era como um livro de autoajuda em forma de gente. Sabe aquelas coisas que a gente lê sobre autoestima, viver o momento, buscar seu caminho, sua felicidade, etc? Ela era assim, toda trabalhada na sabedoria. Chupa, Augusto Cury!... hahaha. Mas todo mundo tem defeito, né? Acho que o dela era ser uma só, porque ela era tão querida que a criança egoísta que eu era a queria só pra mim e relutava em dividí-la, não só com os muitos irmãos mas com todos que batessem à nossa porta. Isso acontecia porque minha mãe gostava de gente... mas, o melhor, gostava da gente. Te amo, mãe!

Anita Safer

domingo, 24 de abril de 2016

Karaokê: Quem canta seus males espanta

Eu e Fábio no Cantar & Cantar
Eu adoro cantar. Não sou boa nisso, mas não tô nem aí, canto assim mesmo. Quando digo para as pessoas que adoro ir ao karaokê, muitas vezes ouço... Caramba, tem karaokê em Brasília?. Sim, pessoas com carinhas de surpresa! Em muitas outras cidades também deve ter. E é uma super dica que dou, pra você fazer um programa diferente e muito divertido. Existem vários, olha só alguns deles:

Singers (710 Norte)
Kabareh (413 Sul)
The Voice (506 Sul - entrada pela W2)
Yes Club (706/707 Norte)

São dois os que costumo frequentar, The Voice e Singers.
The Voice
O The Voice é legal porque tem um ambiente amplo, super bonito. O som é de qualidade, você se sente um artista (mundialmente conhecido pelas pessoas da família...hahaha). Mas a minha paixão  e o que sou frequentadora assídua é o Singers;lá o ambiente é simples e acolhedor. Somos sempre muito bem recebidos e atendidos. O pessoal lá é querido demais. Aliás, este é o diferencial pra mim, o atendimento amigável. Como o ambiente é menor, as pessoas ficam mais próximas e todo mundo canta junto. Vira uma deliciosa muvuca. Não importa quem canta bem ou mal, o legal é se divertir. Existem aquelas turmas que se apresentam aos bandos e fazem a festa. Outros chegam lá sozinhos e enfrentam o público sem medo de ser feliz. Até em Caldas Novas me hospedei no Tayio, um hotel que tem um karaokê para os hóspedes. Coisa de japonês, adoro!
Então, que tal chamar a família e/ou amigos e fazer este programa saudável pra sair da rotina? Minhas dicas de frequentadora de karaokê são:

- Chegue cedo, você canta mais.
- Não tenha expectativa de cantar o tempo todo. Lá tem várias pessoas e é feito um rodízio entre as mesas. Se quiser dar um show particular é melhor comprar ou alugar um aparelho de karaokê e aí é só torturar os vizinhos, sem dó.
- Não seja crítico. As pessoas estão lá pra se divertir. Seja generoso e divirta-se junto. Aplauda, mesmo quem desconheça as palavras tom e afinação. Todos somos filhos de Deus.
- Não beba em excesso, embora uma caipirinha faça milagres pra desinibir. Você pode cair do palco ou esquecer de olhar a letra e ficar com aquela cara de Mané,olhando pro nada.
- Se for tímido(a), chame um pobre coitado pra pagar o mico com você Pra isso servem os amigos (e os inimigos), use-os, sem moderação.
- Seja feliz. A vida já nos traz inevitáveis momentos difíceis para encarar. Participe de bons momentos para sentir alegria. Como diz meu poeta e irmão (modéstia à parte), Climério, em parceria com Ednardo... PORQUE CANTAR PARECE COM NÃO MORRER, É IGUAL A NÃO SE ESQUECER QUE A VIDA É QUE TEM RAZÃO...

Anita Safer

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Cadê meu GPS?

A vida é uma coisa engraçada. Quanto tempo a gente perde na vida tentando alcançar uma imagem idealizada de nós mesmos. Pior, em grande parte, são idealizações construídas de fora pra dentro. A ideia é de que precisamos nos transformar no que acreditamos que esperam de nós. Aí começa uma salada maluca em nossa cabeça. Algumas pessoas acham que devemos ser mais coerentes, outras que sejamos mais combativas, ou mais responsáveis, ou mais relaxadas. E por aí vai... Se você tenta seguir esses caminhos sinuosos que traçam pra que siga, você se perde de um jeito que até o GPS vai falar: "A 800 metros, pare, desça da porcaria desse carro, porque você não vai sair dessa rotatória nunca, abestado". Mas a gente pode desligar esse GPS mental e tentar fazer o trajeto por nossa conta e risco. Não custa tentar... GPS é uma invenção recente, muitas gerações viveram sem ela e conseguiram chegar a algum lugar, não sei se é onde queriam, mas quem disse que a vida oferece certezas?
Vamos supor que você vá reformar o sofá da sua casa e a pessoa que vai fazer o serviço diz: "Veja bem, este tecido não vai combinar com os móveis, você deveria escolher um tom terroso, algo mais discreto; não esse verde cana com ursinhos panda e dinossauros sorridentes". Responda: "Eu quero ursos panda e dinossauros vivendo em harmonia e convivendo felizes com minha cristaleira do século XVIII... E terroso é seu pai". Tudo bem, exagerei. Mas nem sempre queremos que as pessoas digam o que devemos fazer. E não se assustem, minha casa não é tão bizarra assim, mas, e se eu quiser que ela seja, qual o problema? Na verdade acho que podemos ser mais felizes se procurarmos corresponder às NOSSAS expectativas e desejos. Quais qualidades valorizo e devo cultivar? Quais os defeitos que tenho mas devo evitar, por me fazerem mal? Só essa busca pessoal e sincera pode me libertar e me fazer chegar mais perto da pessoa que realmente desejo ser. Não uma pessoa perfeita aos olhos dos outros, mas uma pessoa da qual eu possa me orgulhar. E essa pessoa que sou, acreditem, não é igual a ninguém (não se atreva a dizer... ainda bem...)
Uma vez eu estava me lastimando com alguém sobre a minha falta de vocação para cuidar da casa. Eu dizia que queria ter uma casa linda, arrumada, organizada e tals. A pessoa me disse: "Dê um exemplo de uma casa, de alguém que você conheça, onde você goste de ir". Só pensei na casa de uma amiga. Para minha surpresa, a casa dela não é uma casa arrumada, muito menos organizada; mas é acolhedora e me faz sentir à vontade. Então vi que preciso mudar meus conceitos. Continuo querendo melhorar minha relação com as atividades domésticas e ter uma casa legal, dentro da minha visão do que seja uma casa legal e não uma esteticamente perfeita, mas onde me sinta à vontade. O mais importante é me sentir bem, com o meu jeito de ser; com meu olhar único, que não é igual ao seu ou ao dele ou ao dela. Assim a troca será melhor. Algo em mim deve ser bom para outras pessoas e, com certeza, me delicio com características delas, às vezes tão diferentes das minhas. Quem não me apreciar como sou não é obrigado a fazer parte do meu mundo. Mas eu preciso perceber as minhas particularidades e acolhe-las. Sempre com muito amor. Isso me fará capaz de acolher e aceitar o outro como ele é.
Pronto. Agora vou ligar um pouquinho o GPS, senão vou perder o rumo dessa prosa. Beijos e boa viagem a todos!

Anita Safer

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Saudações buzianas

Foto: Vítor Perotto

Bem, pessoal. Tô em Búzios passando uns dias. Minha amiga Zingara Ortega perguntou se ia rolar um post sobre isso. Eis que aqui está, não posso decepcionar minha leitora...kkkk, talvez ela seja a única, merece todo o meu respeito. A região aqui é um espetáculo. Muitas praias lindas e o relevo é de tirar o fôlego! Minha nora, a Liana, tá feliz, parecendo uma criança. Afinal, aqui ela viveu momentos maravilhosos. Cada passo dela vem uma lembrança. As lembranças tem nome, mas não falo, nem sobre tortura, o nome da lembrança. Só digo que começa com ALE e termina com XANDRE...hahaha, que é o nome do pai dela. Eita complexo de electra forte! Mas acho isso lindo. Ela tem família e amigos aqui. E eu, só tirando casquinha dessas amizades tudo de bom. Tenho me divertido muito com o Edu, Narinha, Aryadne. A Dudinha, filha do Edu, é uma coisa fofa, não pode ouvir música que ela dança e me chama pra dançar. Dançamos no meio da sala enquanto as pessoas conversam, dançamos jogando sinuca, dançamos na praia, na rua, em todo lugar. Tocou Anitta então, aí a gente dança mesmo; essa menina é das minhas. Falar em dançar, fomos fazer um passeio de escuna. Escuna é aquela coisa meio barco, meio lancha, mas pra mim, se tá no mar, é Titanic. Quem me conhece sabe o PAVOR que eu tenho de água. Bate sempre aquele medo de ver um submarino passando perto. Eu não relaxo. Um por cento do tempo eu fico achando linda a paisagem, curtindo o pessoal interagindo com os gringos (dançando Gangnam Style a bordo e outras doideiras mais), mas noventa e nove por cento do tempo eu não consigo esquecer das toneladas de  água embaixo dos meus pés - cheia de tubarões, polvos, baleias e, claro - na minha mente doente - submarinos amarelos e de todas as cores. O jeito foi ficar agarrada o tempo todo numa madeira, praticamente fazendo pole dance. Um show particular. A escuna parava e todo mundo podia mergulhar. Criancinhas de dois anos de idade pululando dentro d'água com seus coletinhos e eu? Claro que fiquei dentro do barco. Então, resolvi ser a fotógrafa do pedaço. Fotografei tudinho. Achavam uma estrela do mar... clic... ouriço... clic... aranha do mar... clic... baiacu, idem... pessoal junto... clic... pessoal sozinho... tome clic... ali tem uma gruta, ali tem uma imagem achada pelos pescadores, aquela casa é da Ana Maria Braga... clic também. Mas confesso que a minha paixão total, absoluta e avassaladora foi pela Praia do Forte, em Cabo Frio. Que lugar maravilhoso! Aquela praia gostosa, momentos inesquecíveis. O Israel, meu neto, pegando ondas com sua pranchinha e a onda me pegando. Me pegando mesmo, só faltava tocar a música do Wando, porque ela me pegava, me sacudia e me jogava no chão, me rolava e me fazia mulher... a mulher mais ridícula que alguém podia ver. Mas é muito divertido. O atendimento do Seu Doca na Barraca da Dedé é top. Engraçado como a gente fica íntimo do povo das barracas da praia. Tem muita música ao vivo e um centro comercial e gastronômico que é show. E tome comer coisas proibidas e tomar caipirinha, também proibida. Acho que o terror que meu endocrinologista toca não chega até aqui. Esqueci de glicemia e da minha dignidade. Tome churros. Acredita que tem uma barraquinha que tem 97 sabores de churros? É muita coisa pra experimentar. Por isso, querida Zingara, se eu sobreviver estarei de volta à Brasília. Espero que eu seja como um baiacu, que inche e depois desinche, senão você nem vai me reconhecer. Mas se você passar por uma gordinha feliz na rua se arrisque a cumprimentar, pode ser que seja eu.

Anita Safer

sábado, 2 de janeiro de 2016

Plutão, cadê você?

Eu estava aqui pensando sobre o que escrever para este post e a minha filha disse: "Mãe, seu blog se chama Eis o que não sei, e você sabe o que eu não sei? Por onde anda Plutão?". Verdade. O povo vai e mexe com o que tá quieto. A gente estudou a vida inteira que Plutão era o nono planeta do Sistema Solar. De repente... pufff... tiraram o Plutão de tempo. E sabe por que? Porque ele é considerado pequeno demais pra ser um planeta e porque não está perfeitamente alinhado aos outros. Sabe o que é isso? Um BULLYNG ASTRONÔMICO! Calma aí, Plutão, mexeu com você, mexeu comigo. Hahaha... Nem podemos ser pequenos e meio fora do eixo que já somos rebaixados a simples corpos celestes. Até que não é de todo ruim, ter um corpito dos céus também tem lá suas vantagens. E agora, como ficará o nosso horóscopo? Quem é de Escorpião não terá mais um planeta regente, terá um planeta anão regente; porque agora chamam Plutão de planeta anão. Virou Plutinho agora? Pelo menos não o expulsaram do Sistema Solar. Bem, tudo isso é brincadeira. Na verdade as coisas vão mudando mesmo, novas informações vão chegando com o passar dos tempos. O que é certeza hoje amanhã pode não ser. Antes pensava-se que a Terra era plana. Quando criança eu achava que o mundo acabava depois de Sobradinho. Olhava até aonde a vista alcançava e achava que depois dali a gente caía. Morri de medo uma vez que me levaram pra acampar e começaram a ir praquele rumo. Sempre sonhava com um calhambeque velho que ficava pra lá e pra cá, de cabeça pra baixo, voando no céu e marcando a linha do horizonte. Viu só, Plutão? Não é só você que é fora de órbita. Tamo junto! 
Nós e nossas certezas. Quantas vezes achamos que tudo está alinhado, em perfeita ordem e algo acontece. A gente percebe que as coisas estão em eterna mutação. Tanto as coisas, em si, quanto nossas ideias a respeito delas. Tudo o que existe vai se transformar. Tudo o que acreditamos hoje pode não fazer sentido amanhã. Por isso é bom aprender aos poucos a não se apegar tão fervorosamente às coisas vãs. Entender que tudo na natureza está em transformação. Eu sinto que me transformo a cada dia. Acho que esse é um aprendizado que só o tempo nos traz. Vamos perdendo e ganhando constantemente e aprendemos que não faz o menor sentido tentar controlar ou reter as mudanças. Tentar estar no comando de tudo só nos provoca sofrimento. Plutão tá lá, vivendo a vida dele, pouco se importando com o que nós, terráqueos - uns grandes e centrados, outros pequenos e meio pancadas, ou vice-versa - pensamos a respeito dele. O universo é maior que tudo isso, dizem até que ele é infinito. Dizem, porque a qualquer momento tudo pode mudar.

Anita Safer