domingo, 21 de julho de 2013

Ela era miudinha...



Foto: Érica
Muitas vezes não é fácil ser baixinha, confesso. Andar de ônibus é uma agonia. A gente não pode ver aquela cadeira mais alta que vai feito doida pra sentar lá. Por que? Pra alcançar aquela cordinha infeliz que fica lá no alto. Sei que eles colocaram aqueles botõezinhos mais baixos pra gente alcançar, mas eles nunca funcionam. Parece de propósito pra deixar a gente naquela situação "vexaminosa" de ter que pedir ajuda pra um “adulto”,ficar dando pulinhos ou então achar um cano daqueles embaixo da cadeira pra subir nele. E quando o ônibus tá cheio, você fica lá, na linha de tiro dos sovacos. Ninguém merece.

“Não sou baixinha, sou compacta. Tudo de bom em pouco espaço”, frase criada por alguma baixinha pra mostrar que se garante. “Nos menores frascos estão os melhores perfumes” - essa é velha - e sempre respondem “e os piores venenos”, as pessoas sempre tentando nos jogar pra baixo, nem precisa, já estamos embaixo, somos baixinhas, lembra?

Mas ser baixinha tem suas vantagens. A maioria dos homens gosta de ter mais estatura que a companheira. Neste quesito tô na boa. Porém, a maioria acha a coisa mais linda aquelas mulheres bem altas.

No forró é uma beleza, as pessoas podem te chamar pra dançar porque dá pra fazer aqueles comandos de braço lá de cima, na maior tranqüilidade. Agora, quando o cara é muito alto ele tem que ser um artista tipo Circo de Soleil, um verdadeiro contorcionista. Melhor pra ele, aprimora a técnica. Acho que gosto do forró porque me sinto homenageada em algumas músicas como a de Luiz Gonzaga: 


Ela era miudinha
Botei seu nome
Tamborete de forró
Mas quando ela me deu uma olhada
Senti logo uma flechada
Meu coração foi logo dando um nó


Certo, tamborete de forró é sacanagem, mas ele admite que a miudinha mexeu com o coração dele. Tem outra cantada pelo Trio Virgulino que fala assim:


Tem dó pequenininha
Tem dó pequenininha
Tem dó eu não quero chorar

Mas quando a gente se vê
É uma alegria sem fim
A gente pega a saudade
E manda ao longe assim


Essa é mais bonitinha e sempre que uma dessas músicas toca, alguns parceiros que dançam sempre comigo falam: “Olha a sua música”, “Lembro de você sempre que ouço essa música”. Isso é bom. Ainda tem uma que não curto muito, mas foi uma tentativa e merece crédito... a do Roberto Carlos:


Ai, ai, ai, essa voz doce e serena,
Essa coisa delicada
Coisa de mulher pequena
Ai, ai, ai essa voz doce e serena,
O meu coração dispara por
Você mulher pequena.


Mas Roberto Carlos não vale, gente, acho que ele é apaixonado por mim; já fez música pra mulher madura, gordinha, baixinha e pra mulher de óculos.... fala sério, o Rei me ama.

Olhando agora vejo que não é tão trágico assim ser baixinha. Afinal, cada um tem que manter sua autoestima em alta. Em alta???? Me lasquei...

Anita Safer




sexta-feira, 12 de julho de 2013

Um encontro com a sabedoria


Arquivo pessoal

Quando minha irmã Cleo era viva, criou um grupo de encontro da terceira idade em nossa quadra. Nesses encontros ela convidava profissionais de saúde e de diversas outras áreas para dar palestras aos idosos. Promovia bailes, passeios, workshops e outras atividades. Um dia ela me pediu que criasse um grupo de teatro com eles. Topei o desafio na hora. O grupo foi formado por algumas poucas mulheres. Assim nasceu o Grupo de Teatro Digna Idade. Tinha a participação da Gilda, que estava longe de estar na terceira idade, mas era super animada e também quis participar. A primeira peça que escrevi para elas chamava-se O Encontro com a Sabedoria. Era a história de uma mulher sofrida, alcoólatra, que ia encontrando pouco a pouco algumas virtudes (representadas pelas atrizes), sendo que a última virtude com quem ela se encontra é a sabedoria e, a partir daí, a vida dela sofre uma transformação.

Todas elas eram maravilhosas. Talentosas, dedicadas, divertidas. Nossos ensaios eram sempre marcados para antes ou depois das novelas que cada uma gostava. Eram muitas negociações. O que eu não imaginava é que através desta peça eu teria um encontro pessoal com a sabedoria. Justamente a atriz que interpretou o papel da mulher que se encontrava perdida, Judith, se revelou uma pessoa incrível e que, a partir de então, tem me dado lições de vida e sabedoria. Na época ela estava quase com 90 anos. Possuía uma juventude exuberante refletida no olhar cheio de brilho e no sorriso aberto. Uma mulher lúcida, inteligente, espiritualizada. Sempre dizia o que queria, o que achava, de forma direta, mas com bom senso. Dava idéias maravilhosas para o texto e para as cenas. Nosso trabalho acabou ultrapassando as fronteiras de nossa quadra. Após uma apresentação simples, num salão de festas, elas foram convidadas para apresentar na UnB, no Conjunto Nacional e no aniversário do Pontão do Lago Sul, onde Judith foi aplaudida de pé.

Em seguida fizemos uma peça chamada Vitalina quer casar. Quem era Vitalina? Judith, claro. O cenário da peça era um bar de karaokê, onde a filha, a irmã e uma amiga de Vitalina se encontravam, desesperadas porque ela tinha resolvido casar e decidiu que encontraria um noivo naquele bar, naquele dia. Como era um bar de karaokê, elas cantaram e arrasaram. Judith interagia com a platéia procurando seu noivo, o que rendeu muita diversão.

Depois escrevi uma peça para o outro grupo que criei (de teatro infantil) e uni os dois grupos. Era uma versão moderna de Chapeuzinho Vermelho, chamada Chapeuzinho Rebelde e o Lobo Mala. A vovó foi a Judith e ela dançou funk na peça. As crianças ficaram apaixonadas por ela. Impossível não se apaixonar. Além de grande atriz, ela é artista plástica, artesã e fazia dança cigana na época. Antes de completar os noventa anos pediu que eu fizesse pra ela uma festa surpresa. Sempre queria saber como estavam os preparativos de sua festa surpresa. Eu morria de rir. A festa foi feita, não faltou quem quisesse ajudar.

Hoje não sei ao certo a idade dela. Isso não tem importância, ela é atemporal; mas sempre puxa minha orelha: “Bora logo fazer outra peça, menina, antes que a cortina se feche”.

Um dia desses, minha filha, Érica, perguntou a ela qual era o segredo para viver bem. Ela respondeu: “Todos os dias, independente das dívidas, dos problemas e chateações, eu ligo a TV à noite e assisto às minhas novelas. Sei que vou dormir e quando acordar no dia seguinte os problemas estarão me esperando, então, pra que me afobar, me desesperar e, pior, perder um capítulo da novela? No outro dia acordo e vou tentar resolver as coisas; às vezes a solução vem à mente quando estamos relaxados ou dormindo”.

Viver um dia de cada vez, querer sempre aprender coisas novas, não ter medo de desafios, saber que tudo tem seu tempo e deslizar pela vida dançando e fazendo amigos... São coisas que tenho aprendido em meus encontros com a sabedoria. Obrigada Judith, sou sua fã eterna.

Anita Safer

domingo, 23 de junho de 2013

Em busca da fé

Alguém me disse uma vez: "Você é uma pessoa maravilhosa, incrível, adoro você. Pena que você não vai pro céu". Fiquei parada, olhando e pensando... esta pessoa está profetizando ou me amaldiçoando? Eis o que não sei... só sei que entendi que ela disse isso com base nos preceitos religiosos dela; eu não iria pro céu porque não abracei a sua religião. Neste momento eu não gostaria mesmo de ir pro céu e nem pra lugar nenhum fora deste mundo. O desejo que tenho é de ir ficando por aqui o máximo que puder, mesmo com este mundo cheio de dificuldades e desafios.
                                                                                      Foto: Érica
Quando criança, queria ser freira. Vivia na igreja e era absolutamente apaixonada pelas histórias dos santos. Não suportava a Branca de Neve, achava ela uma chata, mas adorava Santa Clara. Depois a vida tomou outro rumo e desisti da ideia. Mas o meu "eu religioso" sempre esteve em busca de algo. Sou como a piada do cachorro que entra na igreja porque a porta está aberta. Vou a qualquer igreja, templo, lugar de oração, enfim, qualquer lugar que me aceite e tenha algo a me dizer, que possa me acrescentar. Vemos tantas notícias tristes sobre pedofilia, enriquecimento ilícito, vaidade e falsos profetas que tentam dominar as pessoas pelo medo, né mesmo? Chego à conclusão de que a salvação, a santidade, não usa, necessariamente, um hábito, um terno ou palavras macias. O filme O Livro de Eli trata deste tema e deixa a mensagem de que a religião pode ser boa ou má, dependendo das mãos de quem a conduz ou, acrescento, dos interesses de quem quer ser conduzido.
E a não religião? E a pessoa que não acredita em um Deus? E os budistas? Com ou sem religião somos indivíduos em busca do sentido da vida e de como podemos nos colocar diante do mundo (o conhecido e o desconhecido). Existe um filósofo suíço, ateu, Alain de Botton, que diz que "o problema do homem sem religião é que ele se esquece do que é realmente importante. Todos nós sabemos, na teoria, o que devemos fazer para sermos bons. Só que, na prática, nos esquecemos". Embora ateu, ele entende que muita gente busca, através da religião, se conectar com a bondade e evoluir.
Vejo que o que me encantou na história de alguns santos - e também de pessoas comuns que mudaram sua vida em busca de um ideal maior - foi o grande amor que aflorou diante da dor e do sofrimento humanos. A maioria delas não desejava fundar uma religião ou ter discípulos, só queria encontrar respostas e fazer o bem.
Por isso acredito que as pessoas, sendo diferentes, têm necessidades e credos diferentes... ou credo nenhum. Mas o que acho que devemos buscar em templos, ou fora deles, é o amor. Um amor que não julgue, que respeite, que acredite e que tenha humildade para saber que somos humanos, imperfeitos e teremos um longo caminho para sermos pessoas melhores do que temos sido até agora.

Anita Safer

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Dia dos Namorados... ownnnnn

Arquivo pessoal
Acho tão engraçada a expressão que as pessoas postam nas redes sociais quando olham pra uma imagem bonitinha, normalmente fotos de crianças ou de bichos -"own". Mas hoje, em pleno Dia dos Namorados, dou de cara com a imagem que ilustra este post e na hora eu... Ownnnnnn... que lindinhas, as árvores estão apaixonadas! Sei que há uma razão absolutamente racional pra uma árvore estar escorada na outra, mas, desculpem-me os racionais de plantão, é bom viajar de vez em quando e fazer associações.
Concordo que o Dia dos Namorados - assim como dia das mães, dos pais, da sogra, etc - é uma data altamente comercial e explorada pelos capitalistas selvagens. Não vou entrar neste mérito; isso todos já sabem. Mas, vamos combinar, namoro é uma coisa legal. Tem gente que diz que é melhor estar só porque não tem homem que preste neste mundo (ou mulher que preste). Isso é uma baboseira, pra dizer uma coisa dessas precisa ter conhecido todas as pessoas do planeta. Tem muita gente legal por aí. Estar com alguém não é, e nem deve ser, pré-requisito pra ser feliz. Podemos sim ser felizes sozinhos, estar plenos, fazer o que gostamos, ir onde quisermos, jogar amor pelos quatro cantos, pros amigos, familiares, ficantes, pra natureza, pro trabalho. O amor existe pra ser usado. Porém, ter alguém com que distribuir junto este amor é muito legal. De mãos dadas é mais gostoso sair por aí enfrentando as mazelas da vida e isso não custa nada, o universo comercial não pode cobrar por este maravilhoso presente do dia dos namorados; também não pode cobrar pelos beijos, abraços, afagos, palavras de carinho. Tudo isso é de graça e é o melhor do namoro. Todos os dias são dias pra deitar a cabeça no ombro da pessoa amada (assim como as árvores... ownnnn). E, no caso de estarmos sós, não devemos deixar que a solidão seja uma coisa amarga e nos transforme em alguém incapaz de entender a felicidade a dois das outras pessoas. 

Anita Safer 

domingo, 9 de junho de 2013

Slackline e Educação juntos. Por que não?

Foto cedida por Nema de Sousa
Slackline - Modalidade esportiva que surgiu nos anos oitenta, num momento de descanso de escaladores nos Estados Unidos que, para fazer uma hora antes da escalada, amarraram uma fita, de uma árvore à outra e começaram a se equilibrar sobre ela, como se fosse uma corda bamba. Diferente da corda bamba - onde é utilizada uma corda bem esticada e de menor mobilidade - o slack é  montado com uma fita de nylon elástica, mais flexível. Por esta razão se chama slackline, que significa linha folgada. Existem várias vertentes do esporte, que vão da forma mais simples - 30 cm, aproximadamente, do chão - até as formas mais complexas - feitas de um prédio ao outro ou sobre a água, pelos desportistas radicais. 
Tenho visto muitos jovens praticando o slack pela cidade. Acho muito legal. Além de ser uma atividade física que trabalha diversos músculos do corpo, exige muita concentração e equilíbrio. Ainda tem a vantagem do baixo custo e pode ser praticado ao ar livre. Mas achei surpreendente descobrir que o esporte é oferecido para alunos de uma escola pública em Sobradinho. A professora de arte, Nema de Sousa, apaixonada pelas práticas circenses, vendo jovens praticando o esporte pensou: "Por que não?". Adoro esta pergunta, ela costuma fazer maravilhas em alguns casos. Com este espírito de experimentar e levar novas formas de expressão corporal aos seus alunos, ela arregaçou as mangas. Priorizando a segurança, comprou o equipamento necessário e... mãos à obra! Vislumbrou na atividade uma forma de desenvolver diversas capacidades pessoais e começou um trabalho realmente digno de mérito; em parceria com professores do Ensino Especial de sua escola, iniciou a prática do slackline com as crianças portadoras de necessidades especiais. 
Acho incrível esta proposta. Imagina o quanto pode-se trabalhar com estes jovens durante uma atividade assim. Equilíbrio, concentração, segurança, sentimento de liberdade e coragem. Sem falar na parte física. Eu e Nema já trabalhamos juntas com teatro. Admiro sua determinação e sua linha de trabalho sempre voltada para a inclusão social. Esta não é uma ação que ela iniciou agora, já foi muito atuante na questão dos menores de rua. Acredito que seja um desejo nato de proporcionar mais àqueles que necessitam de maior superação. 
Só posso desejar muito sucesso à Nema em seu trabalho. Que ela sirva de inspiração para muita gente e que suas crianças sejam craques em superar suas limitações no esporte e na vida.

Anita Safer

sábado, 1 de junho de 2013

Meditação - A viagem no silêncio

Foto: Érica


Às vezes, tudo o que precisamos é de um momento de silêncio. Um tempo para aliviar a cabeça de milhares de pensamentos, o coração de um punhado de sentimentos e o corpo do constante movimento. Parar. Parece fácil, mas não é, exige paciência, concentração e prática. Atributos de luxo nos dias de hoje.

A meditação entrou em minha vida no Parque Olhos d’Água. Estava caminhando quando vi um grupo de pessoas reunidas. Como sempre achava uma maneira de boicotar minha caminhada, resolvi ver o que estava acontecendo. Descobri que era um pessoal que se reunia uma vez por semana para praticar a meditação. Gostei da fala macia e dos gestos leves da pessoa que conduzia o grupo. Achei que aquela atmosfera de paz, de olhares doces, naquele lugar cheio de vida, de plantas, de busca pela saúde, só poderia me fazer bem. Lá aprendi algumas maneiras de meditar, mas preferi a mais simples. Apenas ficar em silêncio, prestando atenção na própria respiração. Sem música, sem mantra, apenas uns minutos de silêncio. Descobri que quando medito com freqüência, minha concentração melhora, minha disposição aumenta, durmo melhor e fico menos ansiosa.

São quinze minutos do meu dia em que me sinto inteira, centrada. Embora pareça fácil, não é. Uma vez minha irmã, Clélia, foi comigo num desses encontros. Quase morri de rir quando olhei pra ela e ela estava lá, sentada, parada, toda molhada de suor, parecendo uma cuscuzeira.Fiquei pensando “como uma pessoa pode transpirar tanto fazendo meditação?”. No final, muito irritada, ela me disse: “Por que não me disse que era meditação de alto impacto?”. Ri demais da conta, mas entendi o que ela quis dizer; ficar parada, sem pensar em nada, por um minuto sequer, neste mundo que está sempre em movimento, requer um esforço sobrenatural. Ela é super ativa, está sempre produzindo muito - uma característica muito linda e muito dela.

Somos todos diferentes e temos necessidades diferentes. Eu sinto necessidade de dar esta pausa no meu dia. Não é um ato esotérico ou religioso. É uma necessidade pessoal. Quando medito me sinto viva. Volto da meditação e vejo as cores mais vivas. Sinto o movimento em volta de uma forma diferente, nova. É como se fizesse uma breve viagem e voltasse cheia de saudade da parte de mim que quer aproveitar o que a vida tem pra oferecer.

Perdi o contato com este grupo do parque, nunca mais os vi. Já meditei também no Templo Budista, mas não me dou bem com cheiro de incenso, me dá dor de cabeça. Atualmente medito em casa ou em outro lugar tranqüilo. Se você nunca tentou, tente um dia, você pode se surpreender.


Anita Safer

domingo, 26 de maio de 2013

Flor do Coqueiro


Era uma garota, ainda. Chegando em casa, numa tarde, meus irmãos estavam no quarto compondo uma música. Uma deliciosa rotina na casa da minha mãe - conversas e canções. Só que este dia foi especial, porque a música que eles estavam compondo, ainda sem letra, me emocionou de uma maneira que não consegui controlar. Tive que sair de perto pra não chorar na frente deles. Passado algum tempo eles chegaram em casa com o disco que haviam gravado, na época um LP. Minha grande surpresa foi ver que aquela música, que tanto me emocionou, se chamava Flor do Coqueiro (Pita). Pita, gente! Pita sou eu. Meu apelido de infância que veio de Pituíba (pequena), coisa que sempre fui, sou e serei. Imagina minha alegria!
A música, composta e lindamente cantada pelo Clésio, vinha acompanhada de um belíssimo arranjo regado à sanfona. A letra, feita pelo Clodo, é a seguinte:

                                                                Foto extraída do Google
Flor do Coqueiro (Pita)


Não olha pra trás
pra não ver a distância
Aonde você vai
a estrada não cansa
Faz como a flor do coqueiro
que se ilumina sozinha
e quanto mais fica escuro,
mais brilha
Olha a água na fonte
que brotou cristalina
Olha que essa palmeira
cresceu pra ser menina
Faz como a flor do coqueiro
que se ilumina sozinha
e quanto mais fica escuro,
mais brilha
Eu andei, por andar,
pelas montanhas e rios
Só encontrei sua marca
Imagem e semelhança tua
E falei, por falar
Fui pregador no deserto,
mas sempre disse a verdade,
verdade a gente não insinua

Esta letra se tornou um mantra pra mim. Muitas vezes lembrei dela e recobrei o ânimo e a coragem para seguir  em frente. Vejo nesta música uma espécie de conselho de pai, um pai amoroso. Meu pai morreu quando eu tinha cinco anos, mas foi muito bem representado pelos meus irmãos Clodo, Climério e Clésio. Sempre tive muito orgulho deles, não só por serem irmãos maravilhosos,mas pelo grande talento de cada um. Com certeza serão lembrados pela imensa colaboração dada à música brasileira de qualidade.
Quando as coisas ficarem difíceis e tudo parecer escuro e sem saída, vale como conselho estas palavras que recebi em forma de canção:

"Não olha pra trás, pra não ver a distância, aonde você vai a estrada não cansa..."

Anita Safer

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Simão de Miranda: Um grande mestre

Foto: Arquivo pessoal

Conheci Simão de Miranda em uma Oficina Literária que fiz há muitos anos atrás. Sua maneira leve, didática e divertida de abordar a criação literária me conquistou de cara. A partir daí comecei a acompanhar seu trabalho. O primeiro livro que li foi Manual de Jogos para Salas de Aula. Atividades maravilhosas que vieram a ser muito úteis quando comecei a fazer um trabalho com teatro infantil. Em seguida tive a honra de constar entre as pessoas a quem ele dedicou um dos livros. Quase morri de emoção!
Atualmente são 37 livros publicados. Infantis, didáticos, poéticos. Na bagagem também possui diversos prêmios, tendo sido premiado, inclusive, no exterior. Para Simão escrever é como respirar, uma necessidade vital. Esta paixão é o que o move. A fé  em uma educação que possibilite o crescimento do aluno também está sempre presente; educação onde o estudante seja munido de ferramentas para desenvolver suas potencialidades, valorizando sua autoestima, seus traços pessoais.
Atuando na EAPE, Simão de Miranda oferece cursos e palestras para professores. É o mestre dos mestres. Quando não está no exercício de suas funções na Secretaria de Educação, não carrega pedras, carrega palavras e as distribui generosamente pelas páginas de seus livros, pelas redes sociais ou por onde quer que passe. São textos ternos e motivadores, como este:

"Eu preciso de uma escola
que não seja enfadonha.
Minha escola nem precisa ter paredes,
só precisa ser risonha"

Uma escola feliz. Onde alunos e professores sejam valorizados. Que possua recursos humanos e materiais para oferecer à população uma escolarização digna e de qualidade. Uma escola viva, onde o futuro possa ser construído. É um sonho, não é? É o sonho de Simão de Miranda, o meu e certamente o de vocês.
Respondendo a esta ânsia interna, Simão segue escrevendo; um novo livro já está a caminho. O novo filho, como ele mesmo diz, chama-se Oficina de Ludicidade na Escola, contendo 60 jogos que contribuem para o desenvolvimento cognitivo, criativo e psicomotor, além de servir como motivação e socialização da criança.
O lançamento acontecerá no dia 07 de junho, às 19h30, na Livraria Cultura do Shopping Casa Park. É uma ótima oportunidade para você conhecê-lo. Eu pretendo estar lá, tietando como sempre, porque ele merece.

Anita Safer

terça-feira, 21 de maio de 2013

Tem "cabeamento" uma coisa dessas?

Não gosto quando fico recebendo ligações de operadoras de telefonia, bancos e outros lugares, oferecendo serviços. Penso que quando a gente quer uma coisa, corre atrás. Mas acho que este tipo de abordagem deve funcionar pra eles, porque não param de ligar. Acontece que um dia desses, por ironia do destino, recebi um telefonema da operadora que presta serviço de internet na minha casa e deixei a moça falar. Normalmente corto a conversa bem no começo, mas desta vez a deixei abrir o coração. Eu devia estar entediada, com vontade de conversar, sei lá. Eles queriam me oferecer o seguinte pacote: Aumentariam a velocidade da internet e instalariam a TV paga por apenas 24 reais a mais na fatura. Achei interessante. Nem tanto pela velocidade da internet, mas pela TV. Adoro filmes e seriados. Apesar de saber que a maioria dos canais que eles colocam você não assiste nunca. Tem canal que fica 24 horas falando de cavalos, haja assunto! Mesmo assim achei que valeria a pena, vai que resolvo comprar um haras. Topei.
O técnico da operadora chegou lá em casa e perguntou onde era o ponto. Que ponto? Ponto de ônibus? Mal chegou e já ia embora? Brincadeira. Mostrei pra ele que a TV onde instalaria o ponto seria no meu quarto. Ele disse que teria que ser feito um cabeamento da sala até o quarto. Este serviço era feito por outro técnico, eu teria que ligar pra operadora e solicitar o cabeamento. Ok. Liguei para a operadora e solicitei o tal do cabeamento. A moça disse: "Senhora, vamos agendar a visita do técnico para tal dia". Beleza. No dia da tal visita chega o técnico. "Onde está o ponto?". Expliquei que antes precisava ser feito o cabeamento. Ele falou: "É, tem mesmo. Eles bem que me falaram. Mas como eu posso fazer o cabeamento se eu venho de moto? Como eu ia trazer o material?". O que será que ele queria dizer com isso... Eu teria que comprar um carro pra ele? Sei lá. Ligo novamente pra operadora e explico que eles não podem mandar um técnico motoqueiro pra fazer o cabeamento porque ele não tem como trazer o material... "Senhora, vamos agendar a visita do técnico para tal dia". Certo. Zerinho Um... Pronto, decidimos quem ficaria em casa para receber o tal técnico. Ele aparece no sábado e neste dia não é possível fazer o serviço, porque teria que furar a parede e os condomínios não autorizam serviços barulhentos nos fins de semana. Chegando em casa fico sabendo que o serviço não foi feito e que terei que ligar novamente para a operadora para agendar outro dia para o tal do cabeamento. Ligo e friso que preciso do técnico para fazer o CABEAMENTO e que ele não pode ser motoqueiro e nem pode ir no sábado. "Senhora, vamos agendar a visita do técnico para o dia tal". No dia tal estou descendo do ônibus quando meu celular toca. É a mulher da operadora dizendo que o técnico não pode instalar o aparelho porque não tinha sido feito o cabeamento. CLARO QUE O CABEAMENTO NÃO FOI FEITO! Quando expliquei pra ela que havia solicitado o técnico justamente para este serviço, ela me disse que não poderia resolver pra mim, que eu teria que ligar pra operadora e agendar a visita. Não acreditei. Chegando em casa, liguei pra operadora, falei pra atendente que um dia eles me ligaram oferecendo um serviço e eu escutei pacientemente, agora seria a minha vez de falar. Falei, menino, mas falei muito. Depois de tanto reclamar ela perguntou: "Senhora, pra que dia a senhora quer que eu agende a visita?". Eu, brava que nem siri na lata, disse que não queria mais negociação nenhuma com eles. Não queria megas, não queria TV, nem canal de cavalos.
Negócio desfeito, fiquei com o coração partido. Já estava curtindo a ideia da tal da TV por assinatura. Por que eles oferecem um serviço que não querem prestar? Por que fugi das minhas regras e fui ouvir a ladainha desse povo que oferece serviços? Eis o que não sei...

Anita Safer