Ultimamente tenho tido pensamentos
sobre a morte. Não. Não estou tendo ideias suicidas. Longe disso. Na verdade, a
proximidade dos 50 anos faz a gente pensar em como a vida é breve. Por isso,
muitas vezes, do nada, penso que a morte pode me visitar a qualquer momento. Não
é uma visita esperada, daquelas que a gente convida. Afinal, tenho tentado
fazer a minha parte para deixá-la distante de mim. Tomo meus remédios
hipertensivos, baixei a glicose, tento comer bem, tento caminhar. Não fumo, não
bebo, não me exponho a perigos, como, por exemplo, fazer um cruzeiro e ter a
visão de um submarino. Isso sim abreviaria minha vida, mas é conversa para
outro momento. Só que a morte é daquelas visitas antipáticas, que às vezes
chega nos momentos mais inconvenientes: no melhor da novela, ou no segundo tempo
do jogo, quando seu time acabou de virar o placar, ou quando você está sentada
no sofá, fazendo um cafuné em um filho (que nem cabe mais no sofá), ou pior, no
meio do forró.. Morrer no forró é a morte... Acho que seu espírito não sabe se
vai ou fica, claro que vai depender do par com quem você estiver dançando; se
for o par preferido você não morre... Nem morta!
Acontece que
esses episódios de pensamentos fúnebres me fazem entender que a vida é
espetacular e breve, que não vale a pena ficar preocupando com besteiras. Um
dia, lendo uns escritos antigos, vi coisas que eram o fim do mundo pra mim, mas
hoje nem lembrava mais. Tudo passa. O sofrimento vai e outros vem. A alegria
vai e outras vem. Então, bora viver. Quando eu digo viver, não digo sair por aí
feito uma "maluca de calcinha". Mas viver é estar presente, é se
recuperar mais rápido das dores do coração e usar todos os sentidos para o que
é belo e bom. Arrumar as coisas com prazer. Cozinhar colocando o tempero do
aconchego na panela. Sentir o cheiro das pessoas que amamos. Apertar gatos e
crianças até quase sufocarem. Dar beijos com estalos. Ir em festas e dançar até
as pernas doerem. Vibrar com as conquistas dos outros. Dar a mão nos momentos
difíceis e ficar ali do ladinho de quem precisa, pra que a pessoa saiba que não
precisa estar só. É dizer não àquilo que não acrescenta, que machuca, que
magoa. Um não sem culpa e sem drama. É cantar em inglês, francês, alemão,
espanhol - no mesmo dialeto, que só você entende. Curtir o dia de chuva, porque
refresca; o dia de sol porque aquece, o dia frio porque aconchega e até mesmo o
dia nublado... Que não consegue explicar a que veio. Um dia li Martha Medeiros e ela falava sobre essa coisa de pensar na
morte e sobre esse mesmo sentimento. Acho que todo mundo tem. Espero ter muitos
outros sentimentos assim, em que lembre que pode ser meu último dia.
Quando a morte chegar quero que me encontre viva, assim poderemos nos olhar e nos cumprimentar. Então irei com ela, contando pra ela a delícia que é viver... Garanto que ela ficará MORTA DE INVEJA.
Anita Safer
Quando a morte chegar quero que me encontre viva, assim poderemos nos olhar e nos cumprimentar. Então irei com ela, contando pra ela a delícia que é viver... Garanto que ela ficará MORTA DE INVEJA.
Anita Safer
A vida é como um livro de receitas: algumas coisas a gente sabe de cor, outras a gente tem que ler muitas vezes antes de tentar; outras a gente faz no impulso e dá certo, outras ainda a gente faz como manda o figurino e acaba em nada. Tem receitas doces, receitas amargas, e algumas apimentadas. ;) E como um livro de receitas, a vida vai sendo passada adiante de geração em geração, adicionando novas experiências e temperos.
ResponderExcluirAmiga, espero que esse par preferido te chame muitas e muitas vezes para dançar, só assim terei a certeza de voce sempre ao meu lado. Minha guru, confidente, irmã.
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