domingo, 27 de janeiro de 2013

Minha data de validade.

Ultimamente tenho tido pensamentos sobre a morte. Não. Não estou tendo ideias suicidas. Longe disso. Na verdade, a proximidade dos 50 anos faz a gente pensar em como a vida é breve. Por isso, muitas vezes, do nada, penso que a morte pode me visitar a qualquer momento. Não é uma visita esperada, daquelas que a gente convida. Afinal, tenho tentado fazer a minha parte para deixá-la distante de mim. Tomo meus remédios hipertensivos, baixei a glicose, tento comer bem, tento caminhar. Não fumo, não bebo, não me exponho a perigos, como, por exemplo, fazer um cruzeiro e ter a visão de um submarino. Isso sim abreviaria minha vida, mas é conversa para outro momento. Só que a morte é daquelas visitas antipáticas, que às vezes chega nos momentos mais inconvenientes: no melhor da novela, ou no segundo tempo do jogo, quando seu time acabou de virar o placar, ou quando você está sentada no sofá, fazendo um cafuné em um filho (que nem cabe mais no sofá), ou pior, no meio do forró.. Morrer no forró é a morte... Acho que seu espírito não sabe se vai ou fica, claro que vai depender do par com quem você estiver dançando; se for o par preferido você não morre... Nem morta!



Acontece que esses episódios de pensamentos fúnebres me fazem entender que a vida é espetacular e breve, que não vale a pena ficar preocupando com besteiras. Um dia, lendo uns escritos antigos, vi coisas que eram o fim do mundo pra mim, mas hoje nem lembrava mais. Tudo passa. O sofrimento vai e outros vem. A alegria vai e outras vem. Então, bora viver. Quando eu digo viver, não digo sair por aí feito uma "maluca de calcinha". Mas viver é estar presente, é se recuperar mais rápido das dores do coração e usar todos os sentidos para o que é belo e bom. Arrumar as coisas com prazer. Cozinhar colocando o tempero do aconchego na panela. Sentir o cheiro das pessoas que amamos. Apertar gatos e crianças até quase sufocarem. Dar beijos com estalos. Ir em festas e dançar até as pernas doerem. Vibrar com as conquistas dos outros. Dar a mão nos momentos difíceis e ficar ali do ladinho de quem precisa, pra que a pessoa saiba que não precisa estar só. É dizer não àquilo que não acrescenta, que machuca, que magoa. Um não sem culpa e sem drama. É cantar em inglês, francês, alemão, espanhol - no mesmo dialeto, que só você entende. Curtir o dia de chuva, porque refresca; o dia de sol porque aquece, o dia frio porque aconchega e até mesmo o dia nublado... Que não consegue explicar a que veio. Um dia li Martha Medeiros e ela falava sobre essa coisa de pensar na morte e sobre esse mesmo sentimento. Acho que todo mundo tem. Espero ter muitos outros sentimentos assim, em que lembre que pode ser meu último dia.
Quando a morte chegar quero que me encontre viva, assim poderemos nos olhar e nos cumprimentar. Então irei com ela, contando pra ela a delícia que é viver... Garanto que ela ficará MORTA DE INVEJA.

Anita Safer

2 comentários:

  1. A vida é como um livro de receitas: algumas coisas a gente sabe de cor, outras a gente tem que ler muitas vezes antes de tentar; outras a gente faz no impulso e dá certo, outras ainda a gente faz como manda o figurino e acaba em nada. Tem receitas doces, receitas amargas, e algumas apimentadas. ;) E como um livro de receitas, a vida vai sendo passada adiante de geração em geração, adicionando novas experiências e temperos.

    ResponderExcluir
  2. Amiga, espero que esse par preferido te chame muitas e muitas vezes para dançar, só assim terei a certeza de voce sempre ao meu lado. Minha guru, confidente, irmã.

    ResponderExcluir