Vivemos em uma era digital. "Conectar" com este novo modo de vida é essencial para o desenvolvimento profissional e social. O mais brilhante dos pensadores e intelectuais, nos dias de hoje, corre o risco de ser considerado um analfabeto digital. Este momento cibernético exclui todo aquele que, por razões sociais, financeiras ou mesmo por falta de interesse, não rende-se aos encantos da informática.
Fazendo uma retrospectiva histórica - Nos tempos idos da civilização, poucos nobres e eleitos tinham acesso à escrita e à leitura. Estes homens eram os responsáveis por passar para o povo, e registrar para a posteridade, feitos e fatos históricos através dos famoso pergaminhos.
A partir de então, ler e escrever tornou-se fundamental para a sociedade como um todo. A erradicação do analfabetismo passou a ser a grande bandeira defendida por governantes de todo o mundo. Os índices de alfabetizados no país servem para demonstrar se um país está, ou não, em processo de desenvolvimento. O Brasil tem sido alvo de críticas constantes neste sentido. Um país de proporções continentais e sem políticas públicas eficientes na área de educação deixa muito a desejar.
Milhares de pessoas, de diferentes faixas etárias, debruçam-se sobre cadernos com lápis bem apontados para conseguir desenhar, com muita dificuldade, as letras de seu nome. Travamos uma luta para alfabetizar nosso povo e agora vemos, à velocidade da luz, uma nova e poderosa forma de linguagem surgir e expandir-se. Este novo modelo de comunicação - a linguagem digital - vai exigir de todos uma re-alfabetização; e não só isso, será necessária uma reformulação de conceitos. Estamos a um "click" de um espaço paralelo recheado de informações, pessoas, alegrias e dores. O mundo está cada vez mais próximo de nós. A globalização está presente nas telas de um computador. Estamos armazenados em um PC. Nossas senhas bancárias, nossos trabalhos escolares, as pesquisas, a programação cultural, a medicina, o espaço, tudo, enfim.
Não bastasse toda a perplexidade diante desta forma acelerada, e, constantemente renovada, de evolução tecnológica, temos que lidar com conceitos preconcebidos que precisam ser reeditados. Nesta nova escola da vida, onde não mais temos que aprender a desenhar letras com lápis apontado em folhas de papel - e sim digitar "arrobas" e "underlines" - são os jovens, em sua maioria, os detentores do saber. Enquanto aos quatro anos de idade as crianças desta geração sentem-se completamente à vontade diante de um computador e aprendem a digitar, clicar, jogar e interagir, os adultos recorrem, desesperados, a cursos básicos de informática e, em casos mais graves, pedem ajuda aos filhos adolescentes.
A infância real foi trocada pela virtual, antigamente brincava-se de polícia e ladrão, hoje, os jogos em rede, como The Crims, proporcionam aos jovens a oportunidade de serem "bad boys" virtuais, onde podem roubar, matar, cometer crimes e delitos. O antigo diário adolescente, onde se escrevia sobre sentimentos e era guardado a sete chaves, transformou-se em "blogs", onde todas as pessoas do mundo podem ter acesso. As rodinhas para uma conversa transformaram-se em salas de bate-papo, onde a língua portuguesa é reescrita , através de frases como: Vc vem aki naum? E entre uma clicada e outra surge um romance onde e-mails são trocados como as velhas e boas cartas de amor. Só que são cartas instantâneas, assim como os relacionamentos. É o famoso estilo "fast food", onde tudo acontece de forma rápida e, em muitos casos, descartável.
Porém, como não se render a uma tecnologia onde o mundo se descortina diante de nossos olhos sob o comando das pontas de nossos dedos? Pela internet, as pessoas podem encontrar-se, ajudar-se, trocar experiências e informações. Saímos da linha de conforto e precisamos navegar para acompanhar nossos filhos e alunos nesta nova realidade. Os educadores, em especial, têm um grande desafio a enfrentar - transformar a sala de aula em um ambiente agradável e que promova o conhecimento de forma interessante a ponto de satisfazer uma geração de jovens que, em alguns casos, está muito à frente deles. Talvez seja o momento de lembrar que educar não é simplesmente transmitir conhecimentos. A educação é muito mais ampla, ela deve ajudar o indivíduo em sua formação plena, crítica, política e social. Por esta razão, não podemos ignorar os recursos atuais que a informatização nos traz. É preciso lutar contra o nosso analfabetismo digital e usar este instrumento como uma ferramenta a mais para a disseminação do saber e do diálogo.
O governo, sim, terá que se desdobrar para oferecer à população menos favorecida acesso à informática. Será uma missão quase impossível colocar computadores em escolas que não têm, às vezes, carteiras e professores. Escola onde os alunos precisam se abrigar para fugir de goteiras.
Ao final das contas, parece que, como sempre, os nobres e eleitos deterão o poder ao estar à frente da plebe. Agora, este texto, totalmente escrito à mão, será digitado em letras Times New Roman, ou outra qualquer, para que eu não passe pelo constrangimento de ser computada em pesquisas como analfabeta digital. Como dizia Paulo Freire: novos tempos, velhos problemas.
Anita Safer
Anita Safer
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