Esse texto saiu publicado na revista Bons Fluidos, edição de agosto de 2012
Sempre ouvi falar das mudanças físicas e biológicas causadas pela menopausa. Mas nunca imaginei que aquele tsunami hormonal bateria à minha porta tão cedo e de forma contundente. Os sintomas começaram quando eu tinha 39 anos e, aos 42, já não menstruava mais.
No início acordava com as mãos doídas e a cabeça pesada. Em seguida, os famosos calorões faziam meu rosto arder. Era uma espécie de TPM intermitente onde alternavam momentos de prostração e de fúria intensa. Para piorar, após uma consulta médica, descobri que não poderia fazer reposição hormonal por causa de uma trombose que tive e o risco de reincidência era alto com o uso do medicamento.
Não havia jeito. Eu precisava descobrir uma forma de enfrentar aquele incômodo. Minha primeira ideia foi entrar num coral. Senti que precisava soltar a voz. Logo, a atividade surtiu efeito. A harmonização das cordas vocais trouxe beleza para minha vida e os exercícios de respiração começaram a me acalmar. Além disso, fazíamos apresentações em asilos e creches, dando e recebendo uma energia renovadora! Porém eu queria mais.
Então, resolvi praticar dança de salão, onde aprendi a desenvolver autoconfiança, a soltar o corpo e entrar em sintonia com o outro. Foi tão libertador que eu não queria mais parar. E não parei. Mas percebi que ainda não tinha chegado ao fim meu desejo de transformação e resolvi desenvolver um trabalho voluntário no teatro. Criei dois grupos, um infantil e um da terceira idade, onde exercitava minha criatividade e era responsável por motivar as pessoas e envolvê-las num objetivo comum.
Com tantas atividades, fui percebendo a importância de viver o novo. Foi quando surgiu outra ideia. Escrevi em pedaços de papel todas as ações que me vieram à mente e coloquei-os dobrados em uma caixinha. Foram 107 opções de atividades relacionadas a esporte, arte, estudo, enfim, tudo o que minha imaginação permitiu. Desde então, todos os anos sorteio uma atividade e a executo. Até agora já fiz espanhol, tênis de mesa, teclado, balé clássico - que me divertiu bastante, pois não tenho idade nem silhueta de bailarina -, entre outras atividades. Este ano (2012) estou aprendendo a fazer escultura com legumes e verduras. O máximo! O que eu tenho ganhado com isso?
Aprendo coisas novas, sou desafiada constantemente a sair da minha área de conforto, além de ter, a cada instante, uma nova perspectiva de vida. Me divirto, me exponho ao ridículo, me emociono, me concentro, levo a sério ou na brincadeira. Mas o melhor de tudo é que passei a ver a vida como um palco de possibilidades ilimitadas, onde sempre haverá novas pessoas a conhecer, habilidades a desenvolver... Ah! E sobre a história da menopausa? Bom, os efeitos dela foram enfraquecendo e se tornaram insignificantes diante deste mundo tão colorido e vivaz!
Anita Safer
Anita Safer
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