quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Será que sou quem pareço ser?

Foto by @holy.e.jon
Quem é você? Quem sou eu? Quem somos nós? Acredito que somos fruto das nossas experiências pessoais, das coisas que nos foram ditas e também dos silêncios. Vários fatores externos e internos fizeram com que nossa mente criasse uma imagem de nós mesmos. Esta imagem construída pode nos convencer de que somos pequenos, incapazes, inferiores. Às vezes esta impressão é reforçada pelas outras pessoas que nos limitam, rotulam, nos julgam ou se decepcionam por não correspondermos às suas expectativas. Por outro lado podemos ter uma autoimagem, também distorcida, que nos faz acreditar que somos perfeitos, superiores. Ao acreditar que somos perfeitos é a nossa vez de rotular, julgar e tentar subjugar o outro pra evidenciar essa suposta superioridade. Acontece que esta imagem criada não reflete a nossa verdadeira face. Daí a importância do autoconhecimento. Através dele poderemos ser quem somos. Nem mais, nem menos. Apenas um ser imperfeito procurando ser melhor.
Conhecer quem somos é um processo doloroso, mas libertador. Doloroso porque não é fácil encarar de frente nossos defeitos e limitações. Libertador porque abrimos mão de alguns rótulos e crenças que nos aprisionam. Deixando de olhar pra essa imagem construída e buscando nossa verdade, brindaremos o mundo com nossa singularidade e encontraremos mais energia e alegria. Abrimos mão da busca de uma perfeição idealizada. Freud já deu a dica: "Nós poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tão bons".

Anita Safer

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Quando tudo para e os grilos cantam

Foto: Pauline Fonseca e Clebeson Reis
Um dia saí com uma turma. Fomos a um lugar que estava cheio. Muita música e conversa no ambiente. Um dos rapazes do grupo viu uma amiga dele e foi cumprimentá-la. Um tempinho depois e ele ainda não tinha voltado. Procurei com o olhar e lá estavam eles, do outro lado do salão. No meio de todo aquele barulho e agitação, quando olhava pra eles, tão absortos, é como se tudo parasse e desse pra ouvir o cantar dos grilos... Cri...Cri...Cri. Eu e minha amigas começamos a rir, porque tivemos a mesma sensação; de que o tempo parara e o lugar desaparecera para os dois. Um momento slow... Devagar.
Um amigo me ligou ontem, disse que sentiu saudades do tempo em que andávamos juntos. Ele gostava de deitar a cabeça no meu colo pra eu tirar com a pinça os pelos de sua barba que estavam nascendo. A gente ficava um tempo naquele ritual, desligados de tudo. Era quase uma meditação em dupla, onde a gente só ouvia... Cri...Cri...Cri.
Nessa correria em que vivemos, onde a vida fica alucinada, é bom ter essa pausa. Pensar, por um instante, que temos a eternidade pela frente. Precisamos congelar alguns momentos para eternizá-los. É interessante. Se você parar pra pensar, lembrará de muitos desses em sua vida. Aqueles momentos em que tudo para e sua mente fica plena no instante. Parece que os "grilos" somem da sua cabeça e você só os ouve ao longe, entoando seus cantos...Cri...Cri...Cri. Calma, calma, calma...

Anita Safer

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

E quando coisas ruins acontecem?

Foto: Tina Arce
Hoje folheava uma revista de moda - daquelas que tem mais anúncios que qualquer outra coisa - e uma matéria chamou a minha atenção. Era sobre a americana Helen Winkle, conhecida como Baddie Winkle. Ela tem 87 anos e é sucesso no Instagram por suas fotos incríveis, com seus looks extravagantes e irreverentes. Uma coisinha fofa!
O que achei interessante foi saber que aquela mulher, com aquele sorriso exuberante, perdeu o marido em um acidente quando comemoravam 35 anos de casados e, pior ainda, um filho de 36 anos com câncer. Na entrevista ela disse uma coisa que, coincidentemente, me disseram um dia desses: "Coisas ruins acontecem". Não sei vocês, mas eu tenho muita dificuldade em aceitar que as dores fazem parte da vida, tanto quanto as alegrias. No caso dela, ela viveu o luto e vivenciou as dores profundas que estes acontecimentos trouxeram, mas descobriu que não era saudável manter o foco nas coisas que não podiam ser mudadas.
Coisas ruins acontecem. Não há como fugir desta verdade. Haja maturidade emocional!
Todos temos diferentes graus de resiliência. Algumas pessoas enfrentam situações críticas e transformam a dor em aprendizado e crescimento. Eu me desespero com muito pouco, basta pensar na possibilidade de que algo ruim possa acontecer. Tudo porque resisto a entender esta lei da vida, de que coisas ruins acontecem, independente do nosso desejo.
Pensar que o pior pode acontecer mina o momento de tranquilidade que podemos estar vivendo. É uma escolha infeliz, literalmente. Sucumbir eternamente à dor é o mesmo que nos senteciarmos à uma prisão perpétua íntima. Por outro lado, a concepção de estarmos sempre bem é irreal. Ninguém consegue.
Algumas pessoas, como no caso da Baddie, conseguem acolher a dor, vivenciá-la e transformá-la. É como se elas conseguissem - após as tempestades da vida - abrir as janelas da alma, colocar um sorriso no rosto, uma roupa extravagante (tudo bem, isso é opcional) e pensar: Sofri muito, mas já que a vida continua, vou viver. Vivendo a gente vai vendo que coisas ruins acontecem... Coisas boas também.

Anita Safer

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Mico? To "paganoooo"...

Foto: Arquivo Pessoal
Quem nunca pagou um mico, que atire a primeira banana. Conversando com alguns amigos, tentamos relembrar qual teria sido nosso maior mico. Tarefa das mais difíceis. São tantos que é difícil escolher o maior. Existem uns micos clássicos. Tombos, por exemplo. Um dia desses levei um caprichado. Caí na escada, como que empurrada pela Nazaré Tedesco e aí fiz um rolamento; até pensei em levantar num pulinho com os braços pra cima, simulando um salto duplo carpado. Não deu tempo, braços solidários me levantaram. O pior é que caí quando subia a escada, não quando descia. Sabe como se chama isso? Mico profissional, é pra poucos, mas não quero me gabar. Ver uma mulher cheinha e perguntar "É pra quando?", quem nunca?
Tem também os micos coletivos. Exemplo: Quando era adolescente fui a uma festa de final de ano num clube. Era um grito de carnaval. Baile azul e branco. Eu não tinha fantasia. Peguei uma camiseta branca, bem grande, e enfeitei com lantejoulas azuis. Meus amigos também se viraram como conseguiram e fomos. Quando entramos... Era um baile de gala! As mulheres estavam estonteantes em seus longos e os homens, saídos de uma propaganda de perfume, exibiam seus ternos. E eu? A maluca fugida do hospício. Meus amigos? Melhor não comentar pra não causar constrangimentos.
Os micos acontecem, podemos até tentar evitá-los, mas nem sempre dá. O jeito é rir de si mesmo, quando possível. Rir dos micos dos outros também pode ser irresistível. Só temos que ter cuidado pra não errar na mão e ferir os sentimentos do outro. A regra é clara, se um está se divertindo e o outro não é hora de parar com a brincadeira. Sei que vocês não vão me deixar sozinha, "micando" neste post, e vão fazer um comentário contando os seus. Alguém aceita o desafio? Prometo rir só um pouquinho... Haja kkk.
Essa história de pagar o mico surgiu por causa de uma brincadeira antiga. Um baralho que vem com vários pares de bichinhos. Só o mico não tem par e quem estiver com ele nas mãos no final do jogo, perde. Fico pensando, tadinho do mico, nem tem par - que nem eu. Ele deve ser rico, porque todo mundo "paga mico". Não sou boa em lógica, mas acompanhe meu raciocínio: O mico não tem par, por isso as pessoas "pagam mico"; eu também não tenho par, logo... Anote aí o número da minha conta.

Anita Safer

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Esmaltes - O fascínio na ponta dos dedos

Foto: Paty Arce
Não sou mulher de vaidades, do tipo maluca por sapatos. Tenho preguiça de salões de beleza. Claro que gostaria de ser vaidosa, uma diva, mas dá trabalho. Salão, só para situações de emergência. Agora seria o caso (consegue ouvir as sirenes?), meu cabelo tá imenso e sem corte. Ele não sabe se é claro ou escuro. Ah, esses cabelos e suas indecisões! Mas uma coisa me faz sentir a mulher mais poderosa do mundo. Unhas pintadas. Tô triste? A unha pintada me anima (tristezinhas pequenas, claro!). Nervosa? Até o cheirinho do esmalte me acalma (só pra esclarecer, não sou uma cheiradora de esmaltes). Como já disse, não sou muito de salão - sobra preguiça e falta dinheiro - então, eu mesma pinto as minhas unhas. Uma lambança só. Tenho uma caixa cheia de esmaltes e... Ai, meu Deus!... Vou confessar... Tenho a estranha mania de pintar as unhas seguindo a ordem alfabética dos nomes dos esmaltes. Que vergonha! Mas pronto, falei! Já, já contei pro meu analista, mas ele não sugeriu internação, então, vamos seguir.
Diante de tanto encantamento surge a curiosidade. De onde vem essa ideia tão fofa de colorir as pontas dos nossos dedinhos? Do dedo mindinho ao polegar - passando pelo dedo do meio, aquele malcriado? Eis o que não sei. Fui pesquisar. Pronto. Começou no antigo Egito, claro! Berço da civilização e do estilo. As egípcias pintavam as unhas com henna, isso por volta de 3.500 a.C. Na China, no século III a.C. começaram a usar esmaltes feitos com soluções de prata, nos tons vermelhos e metálicos. Mas foram as tinturas pra carro, desenvolvidas em 1925 que deram origem aos esmaltes que conhecemos hoje. Isso! Encontrei a resposta! Agora já sei porque me sinto tão incrível quando estou de unhas pintadas - é que me transformo numa Ferrari.


Anita Safer



Referência: patriciafrancoriopreto.blogspot.com.br

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Para quem faz acontecer... Os louros!

Foto: Arquivo Pessoal
"Quem quer faz. Quem não quer, manda". Minha mãe sempre dizia esta frase. Ela queria dizer que quando queremos realmente uma coisa, devemos fazer acontecer. Não devemos só ficar esperando que outros façam.
Em frente à minha janela há um parquinho. Ainda lembro quando estava sendo construído. Meus filhos brincavam naquele morro de areia, que depois foi nivelado pra receber balanços, gangorras, um brinquedo de rodar e escorregador. De lá pra cá os filhos cresceram e os brinquedos foram estragando pela ação do tempo e pela falta de manutenção. É triste. A quadra é cheia de crianças. Algumas delas ainda não estão contaminadas pelo bichinho da tecnologia e preferem diversão ao ar livre aos IPHONEs, IPADs e outros ais. Vi no elevador do meu prédio um aviso sobre uma campanha para a reforma do parque. Pediam a contribuição de um real. Fui levar minha contribuição ao Lourival (mais de um real, não sou tão sovina... Levei um e dez... Hahaha... Brincadeirinha!). O Lourival é o cara! Foi ele quem teve a iniciativa de restaurar o parque, que nem é do nosso prédio, é de toda a quadra. Ele trabalha no nosso bloco ( bloco F da SQN 312) há uns vinte anos e é muito querido por todos porque, como já disse, ele é o cara. Um ótimo exemplo de gente boa.
Cansei de ouvir pessoas reclamando das condições do parque, sempre culpando sei lá quem sobre o estado de abandono. Mas o Lourival não é o tipo de pessoa que espera, ele faz. Não pensa "Não é comigo, não tenho nada a ver com isso". Plantou uma árvore há um.ano e meio pra que ela fizesse sombra numa parte do parque. Para ajudá-lo, alguns moradores se reuniram e fizeram um bazar para ajudar. Uma excelente iniciativa, mas ainda falta muito.
Sabe a frase de Gandhi SEJA A MUDANÇA QUE VOCÊ QUER VER NO MUNDO?... Eu mudaria neste momento para SEJA O LOURIVAL QUE VOCÊ QUER VER NO MUNDO. Lourival, ou Louro, como o chamamos. Os louros hoje vão todos pra você. Se alguém que estiver lendo, especialmente se for morador da quadra, quiser colaborar com a campanha, procure o Lourival na portaria do Bloco F, da 312 Norte ou através do seguinte email: parquinho312norte@gmail.com

Anita Safer

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Cada nome, uma história

Foto: Tina Arce
Sou super curiosa com a origem dos nomes. Tenho que me controlar, porque quando conheço alguém e a pessoa diz "Prazer, meu nome é Fulano", meu impulso é perguntar "Fulano? Por que Fulano?". Com certeza perderia a chance de conhecer muitos fulanos e fulanas legais agindo assim. Eles se afastariam com medo da minha bizarrice. Então, faço o seguinte, espero criar um vínculo e, na primeira oportunidade, pergunto a origem do seu nome. Não me interessa saber algo, tipo... Origina-se do latim e significa "a rosa meio azulada do deserto"; quero saber o motivo pelo qual o nome da pessoa foi escolhido. Interessante, muita gente não sabe responder à esta pergunta.
Sou a caçula em uma família grande. Depois de escolherem tantos nomes com a letra C (rolava um critério na escolha), a criatividade dos meus pais acabou. Fizeram um sorteio. Minha irmã Cleonice e uma amiga, Ana, resolveram juntar os nomes das duas e resultou em Cleane. Amo meu nome, e sabe-se lá o que tinha nos outros papeizinhos... Acho que a forma como meu nome foi escolhido influenciou na minha personalidade, porque tenho mania de sorteios. Meus filhos sabem a história do nome deles. Não quero que sejam fulanos que não saibam responder à esta pergunta, tão fundamental.
Tenho um amigo cujo nome é o de um tio que tinha morrido afogado. Uma espécie de homenagem. Quando ainda era garoto e soube disso, meu amigo decidiu que aprenderia a nadar. Herdar o nome, sim; o destino, não. Hoje ele é um homem maduro e feliz, que adora água e leva a vida no melhor estilo nado livre.
Caso você seja um fulano, ou fulana, que tenha esta informação, tão preciosa, sobre seu nome, me conte. Tô aqui, morrendo de curiosidade! 
Caso não me conheça, "prazer, meu nome é Cleane, a moça do sorteio" ou Anita Safer - mas aí é outra história...

Anita Safer

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Tá rindo de que?

Foto: Tina Arce
Um dia desses alguém postou um vídeo em que um rapaz entra num trem e, vendo algo no laptop, começa a rir. Aos poucos as pessoas começam a rir também. Quando percebi eu tava dando gargalhadas, sozinha. Dia desses também ri até a barriga doer em umas cenas do filme Florence, com a maravilhosa Merryl Streep. É incrível o poder do riso e da alegria na vida da gente. A música do Falamansa diz... "Não que a vida esteja assim tão boa, mas um sorriso ajuda a melhorar". Ô, como ajuda! O sorriso equilibra a nossa mente. Enquanto o choro lava a alma, o sorriso ilumina, aquece. Adoro aquele sorriso que vem de dentro, que não conseguimos conter. Fruto de um desejo realizado ou de uma surpresa boa. Pode ser um emprego conquistado, o resultado de um teste de gravidez, um filho que passou no vestibular, o telefonema ou mensagem de alguém que você achava que não te procuraria (mas desejava que sim). Quando esse riso aparece você ri no carro, no banho, na rua; até num velório ele pode aparecer, indomável.
Tem coisa mais gostosa que a gargalhada de uma criança? Cheguei a gravar a risada da minha filha mais velha quando era bebê. A risada dos filhos é a melhor das músicas. Nos acalma sorrir ou ver o sorriso verdadeiro e claro das pessoas. É como se recebessemos a mensagem... Neste momento, está tudo bem.

Anita Safer

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Na condução da vida

Foto: Tina Arce
Quando tirei carteira de motorista tive um instrutor que era uma figura. Ele parecia com o José Rico e Milionário. Você entendeu, com um dos dois. O de barba e óculos escuros. Nunca sei qual deles é ele. Ele era meio doidão; o instrutor, no caso. Me mandava estacionar no bar pra comprar cigarro, entre outras maluquices. Mas era um filósofo. Eu não tirava os olhos do retrovisor e sempre que via um ônibus ou caminhão vindo, dizia... "Ai, meu Deus! Vem um ônibus GIGANTE, vai passar por cima da gente!". Cansado das minhas histerias ele mandou que estacionasse e disse, mais ou menos, o seguinte: "Presta atenção. Dirigir é como viver. Você tem que olhar pra frente, pra não perder o eixo num quebra-molas qualquer. Existem uns sinais que nos avisam quando devemos desacelerar, parar ou seguir. Uns caminhos são bem sinalizados, outros não. Acidentes acontecem, às vezes por nossa culpa (então devemos tentar evitá-los), outras à nossa revelia. Não temos o controle de tudo. A vida tem dessas coisas. Mas uma coisa é certa, só devemos olhar no espelhinho do passado quando for importante; quando formos mudar o trajeto e precisamos ver que o que está lá atrás não pode nos atrapalhar. Moral da história, TIRA O OLHO DO RETROVISOR, MOÇA!"
Depois disso consegui relaxar mais ao volante. Era mesmo muito estressante olhar pra frente e pra trás o tempo todo. Eram muitos veículos GIGANTES nas vias. Mas sobre este ensinamento na vida tenho que estar sempre me policiando - Olha a blitz...rsrs. O passado gosta de vir, às vezes, na mente da gente, como um enorme caminhão desgovernado. No retrovisor da lembrança ele parece maior e mais ameaçador do que realmente é. Se soubermos ser bons condutores, vamos parar de nos preocupar com o que está lá atrás, podemos até liberar o espaço para que o passado siga seu caminho. A única coisa que podemos fazer é procurar dirigir nossa vida com cuidado e confiança. Às vezes precisamos usar a marcha ré e voltar um pouquinho. Não correr mais que o permitido pra não atropelar os outros ou se arrebentar à toa. Também não ser tão lentos ao ponto de empacar as pessoas.
Na vida até encontramos alguns bons instrutores, mas a condução é responsabilidade nossa. No mais, é fazer uma revisão de vez em quando e torcer pras estradas estarem em bom estado. Ah, e não esqueça de andar com os faroizinhos bem acesos. Mais essa agora!

Anita Safer

sábado, 9 de julho de 2016

Bichinhos... Mais fofura em nossa vida

Foto: Arquivo pessoal
Quase todos os dias acordo com um focinho gelado no meu nariz. Viro pro outro lado e o focinho me persegue, até o ponto em que fico com a cabeça pendurada fora da cama ou esmago a cara na parede. Tentativa vã de dormir mais um pouquinho. É assim que a Jackeline, minha gatinha, gosta de nos desejar bom dia. Ela tá velhinha, tem 17 anos (o que equivale a 84 anos na idade humana, aproximadamente). Mas tá enxuta. Hoje em dia é mansa. No passado parecia saída de um filme de Hitchcock, tamanho terror que provocava. Atacava feito uma besta fera os desavisados - e os avisados também, não fazia distinção. Comigo sempre foi uma fofa. Eu sempre pude pegar, apertar, beijar. Desculpa aí, galera que foi atacada, beijinho no ombro pra vocês, mas eu fui a eleita...hahaha. 
Minha paixão por gatos é antiga. Gosto deles porque são lindos e preguiçosos. Eu também sou... preguiçosa. Cachorros são fofos demais, mas não são pra mim. Não sou muito boa com bichos e plantas que precisem de muita atenção. Em casa só tenho cactos, que são resistentes, e, acreditem, não posso garantir vida longa a eles. Gosto da independência dos gatos. Dóceis, ariscos, desastrados, bagunceiros... cada um de um jeitinho, mas com características em comum, como o dom de destruir sofás e fazer só o que querem e na hora que lhes der na telha. 
Um bichinho em casa nos aproxima da natureza em sua essência. É uma relação honesta. A maioria de nós tem lembranças ternas dos animais da infância. Eles dão mais vida à nossa vida. São ótimos companheiros quando precisamos desabafar, pois nos escutam sem nos julgar, no máximo dão uns miados (ou latidos, piados... seja lá qual for o barulho que seu bicho de estimação faça). Estes sons podem significar "Vai ficar tudo bem", "Fica triste não", "Cadê minha ração, criatura?" ou ele pode estar só cantando ou te julgando mesmo, tipo "ô humano fresco, resmunga à toa"; vai saber...
Já vi bichinhos ajudarem pessoas que passavam por momentos difíceis, como depressão, solidão ou doença. Eles nos fazem rir, nos estressam e nos emocionam. Tudo junto e misturado.
É muito bom ter um bichinho em casa. Se você não tem nenhum e deseja ter, não compre, adote. Muita gente boa e ONGs resgatam animais na rua, tratam e buscam pessoas para adotá-los.  Caso já tenha algum, que tal falar um pouquinho dele aqui nos comentários? Vou adorar!

Anita Safer