quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Mico? To "paganoooo"...

Foto: Arquivo Pessoal
Quem nunca pagou um mico, que atire a primeira banana. Conversando com alguns amigos, tentamos relembrar qual teria sido nosso maior mico. Tarefa das mais difíceis. São tantos que é difícil escolher o maior. Existem uns micos clássicos. Tombos, por exemplo. Um dia desses levei um caprichado. Caí na escada, como que empurrada pela Nazaré Tedesco e aí fiz um rolamento; até pensei em levantar num pulinho com os braços pra cima, simulando um salto duplo carpado. Não deu tempo, braços solidários me levantaram. O pior é que caí quando subia a escada, não quando descia. Sabe como se chama isso? Mico profissional, é pra poucos, mas não quero me gabar. Ver uma mulher cheinha e perguntar "É pra quando?", quem nunca?
Tem também os micos coletivos. Exemplo: Quando era adolescente fui a uma festa de final de ano num clube. Era um grito de carnaval. Baile azul e branco. Eu não tinha fantasia. Peguei uma camiseta branca, bem grande, e enfeitei com lantejoulas azuis. Meus amigos também se viraram como conseguiram e fomos. Quando entramos... Era um baile de gala! As mulheres estavam estonteantes em seus longos e os homens, saídos de uma propaganda de perfume, exibiam seus ternos. E eu? A maluca fugida do hospício. Meus amigos? Melhor não comentar pra não causar constrangimentos.
Os micos acontecem, podemos até tentar evitá-los, mas nem sempre dá. O jeito é rir de si mesmo, quando possível. Rir dos micos dos outros também pode ser irresistível. Só temos que ter cuidado pra não errar na mão e ferir os sentimentos do outro. A regra é clara, se um está se divertindo e o outro não é hora de parar com a brincadeira. Sei que vocês não vão me deixar sozinha, "micando" neste post, e vão fazer um comentário contando os seus. Alguém aceita o desafio? Prometo rir só um pouquinho... Haja kkk.
Essa história de pagar o mico surgiu por causa de uma brincadeira antiga. Um baralho que vem com vários pares de bichinhos. Só o mico não tem par e quem estiver com ele nas mãos no final do jogo, perde. Fico pensando, tadinho do mico, nem tem par - que nem eu. Ele deve ser rico, porque todo mundo "paga mico". Não sou boa em lógica, mas acompanhe meu raciocínio: O mico não tem par, por isso as pessoas "pagam mico"; eu também não tenho par, logo... Anote aí o número da minha conta.

Anita Safer

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Esmaltes - O fascínio na ponta dos dedos

Foto: Paty Arce
Não sou mulher de vaidades, do tipo maluca por sapatos. Tenho preguiça de salões de beleza. Claro que gostaria de ser vaidosa, uma diva, mas dá trabalho. Salão, só para situações de emergência. Agora seria o caso (consegue ouvir as sirenes?), meu cabelo tá imenso e sem corte. Ele não sabe se é claro ou escuro. Ah, esses cabelos e suas indecisões! Mas uma coisa me faz sentir a mulher mais poderosa do mundo. Unhas pintadas. Tô triste? A unha pintada me anima (tristezinhas pequenas, claro!). Nervosa? Até o cheirinho do esmalte me acalma (só pra esclarecer, não sou uma cheiradora de esmaltes). Como já disse, não sou muito de salão - sobra preguiça e falta dinheiro - então, eu mesma pinto as minhas unhas. Uma lambança só. Tenho uma caixa cheia de esmaltes e... Ai, meu Deus!... Vou confessar... Tenho a estranha mania de pintar as unhas seguindo a ordem alfabética dos nomes dos esmaltes. Que vergonha! Mas pronto, falei! Já, já contei pro meu analista, mas ele não sugeriu internação, então, vamos seguir.
Diante de tanto encantamento surge a curiosidade. De onde vem essa ideia tão fofa de colorir as pontas dos nossos dedinhos? Do dedo mindinho ao polegar - passando pelo dedo do meio, aquele malcriado? Eis o que não sei. Fui pesquisar. Pronto. Começou no antigo Egito, claro! Berço da civilização e do estilo. As egípcias pintavam as unhas com henna, isso por volta de 3.500 a.C. Na China, no século III a.C. começaram a usar esmaltes feitos com soluções de prata, nos tons vermelhos e metálicos. Mas foram as tinturas pra carro, desenvolvidas em 1925 que deram origem aos esmaltes que conhecemos hoje. Isso! Encontrei a resposta! Agora já sei porque me sinto tão incrível quando estou de unhas pintadas - é que me transformo numa Ferrari.


Anita Safer



Referência: patriciafrancoriopreto.blogspot.com.br

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Para quem faz acontecer... Os louros!

Foto: Arquivo Pessoal
"Quem quer faz. Quem não quer, manda". Minha mãe sempre dizia esta frase. Ela queria dizer que quando queremos realmente uma coisa, devemos fazer acontecer. Não devemos só ficar esperando que outros façam.
Em frente à minha janela há um parquinho. Ainda lembro quando estava sendo construído. Meus filhos brincavam naquele morro de areia, que depois foi nivelado pra receber balanços, gangorras, um brinquedo de rodar e escorregador. De lá pra cá os filhos cresceram e os brinquedos foram estragando pela ação do tempo e pela falta de manutenção. É triste. A quadra é cheia de crianças. Algumas delas ainda não estão contaminadas pelo bichinho da tecnologia e preferem diversão ao ar livre aos IPHONEs, IPADs e outros ais. Vi no elevador do meu prédio um aviso sobre uma campanha para a reforma do parque. Pediam a contribuição de um real. Fui levar minha contribuição ao Lourival (mais de um real, não sou tão sovina... Levei um e dez... Hahaha... Brincadeirinha!). O Lourival é o cara! Foi ele quem teve a iniciativa de restaurar o parque, que nem é do nosso prédio, é de toda a quadra. Ele trabalha no nosso bloco ( bloco F da SQN 312) há uns vinte anos e é muito querido por todos porque, como já disse, ele é o cara. Um ótimo exemplo de gente boa.
Cansei de ouvir pessoas reclamando das condições do parque, sempre culpando sei lá quem sobre o estado de abandono. Mas o Lourival não é o tipo de pessoa que espera, ele faz. Não pensa "Não é comigo, não tenho nada a ver com isso". Plantou uma árvore há um.ano e meio pra que ela fizesse sombra numa parte do parque. Para ajudá-lo, alguns moradores se reuniram e fizeram um bazar para ajudar. Uma excelente iniciativa, mas ainda falta muito.
Sabe a frase de Gandhi SEJA A MUDANÇA QUE VOCÊ QUER VER NO MUNDO?... Eu mudaria neste momento para SEJA O LOURIVAL QUE VOCÊ QUER VER NO MUNDO. Lourival, ou Louro, como o chamamos. Os louros hoje vão todos pra você. Se alguém que estiver lendo, especialmente se for morador da quadra, quiser colaborar com a campanha, procure o Lourival na portaria do Bloco F, da 312 Norte ou através do seguinte email: parquinho312norte@gmail.com

Anita Safer

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Cada nome, uma história

Foto: Tina Arce
Sou super curiosa com a origem dos nomes. Tenho que me controlar, porque quando conheço alguém e a pessoa diz "Prazer, meu nome é Fulano", meu impulso é perguntar "Fulano? Por que Fulano?". Com certeza perderia a chance de conhecer muitos fulanos e fulanas legais agindo assim. Eles se afastariam com medo da minha bizarrice. Então, faço o seguinte, espero criar um vínculo e, na primeira oportunidade, pergunto a origem do seu nome. Não me interessa saber algo, tipo... Origina-se do latim e significa "a rosa meio azulada do deserto"; quero saber o motivo pelo qual o nome da pessoa foi escolhido. Interessante, muita gente não sabe responder à esta pergunta.
Sou a caçula em uma família grande. Depois de escolherem tantos nomes com a letra C (rolava um critério na escolha), a criatividade dos meus pais acabou. Fizeram um sorteio. Minha irmã Cleonice e uma amiga, Ana, resolveram juntar os nomes das duas e resultou em Cleane. Amo meu nome, e sabe-se lá o que tinha nos outros papeizinhos... Acho que a forma como meu nome foi escolhido influenciou na minha personalidade, porque tenho mania de sorteios. Meus filhos sabem a história do nome deles. Não quero que sejam fulanos que não saibam responder à esta pergunta, tão fundamental.
Tenho um amigo cujo nome é o de um tio que tinha morrido afogado. Uma espécie de homenagem. Quando ainda era garoto e soube disso, meu amigo decidiu que aprenderia a nadar. Herdar o nome, sim; o destino, não. Hoje ele é um homem maduro e feliz, que adora água e leva a vida no melhor estilo nado livre.
Caso você seja um fulano, ou fulana, que tenha esta informação, tão preciosa, sobre seu nome, me conte. Tô aqui, morrendo de curiosidade! 
Caso não me conheça, "prazer, meu nome é Cleane, a moça do sorteio" ou Anita Safer - mas aí é outra história...

Anita Safer

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Tá rindo de que?

Foto: Tina Arce
Um dia desses alguém postou um vídeo em que um rapaz entra num trem e, vendo algo no laptop, começa a rir. Aos poucos as pessoas começam a rir também. Quando percebi eu tava dando gargalhadas, sozinha. Dia desses também ri até a barriga doer em umas cenas do filme Florence, com a maravilhosa Merryl Streep. É incrível o poder do riso e da alegria na vida da gente. A música do Falamansa diz... "Não que a vida esteja assim tão boa, mas um sorriso ajuda a melhorar". Ô, como ajuda! O sorriso equilibra a nossa mente. Enquanto o choro lava a alma, o sorriso ilumina, aquece. Adoro aquele sorriso que vem de dentro, que não conseguimos conter. Fruto de um desejo realizado ou de uma surpresa boa. Pode ser um emprego conquistado, o resultado de um teste de gravidez, um filho que passou no vestibular, o telefonema ou mensagem de alguém que você achava que não te procuraria (mas desejava que sim). Quando esse riso aparece você ri no carro, no banho, na rua; até num velório ele pode aparecer, indomável.
Tem coisa mais gostosa que a gargalhada de uma criança? Cheguei a gravar a risada da minha filha mais velha quando era bebê. A risada dos filhos é a melhor das músicas. Nos acalma sorrir ou ver o sorriso verdadeiro e claro das pessoas. É como se recebessemos a mensagem... Neste momento, está tudo bem.

Anita Safer

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Na condução da vida

Foto: Tina Arce
Quando tirei carteira de motorista tive um instrutor que era uma figura. Ele parecia com o José Rico e Milionário. Você entendeu, com um dos dois. O de barba e óculos escuros. Nunca sei qual deles é ele. Ele era meio doidão; o instrutor, no caso. Me mandava estacionar no bar pra comprar cigarro, entre outras maluquices. Mas era um filósofo. Eu não tirava os olhos do retrovisor e sempre que via um ônibus ou caminhão vindo, dizia... "Ai, meu Deus! Vem um ônibus GIGANTE, vai passar por cima da gente!". Cansado das minhas histerias ele mandou que estacionasse e disse, mais ou menos, o seguinte: "Presta atenção. Dirigir é como viver. Você tem que olhar pra frente, pra não perder o eixo num quebra-molas qualquer. Existem uns sinais que nos avisam quando devemos desacelerar, parar ou seguir. Uns caminhos são bem sinalizados, outros não. Acidentes acontecem, às vezes por nossa culpa (então devemos tentar evitá-los), outras à nossa revelia. Não temos o controle de tudo. A vida tem dessas coisas. Mas uma coisa é certa, só devemos olhar no espelhinho do passado quando for importante; quando formos mudar o trajeto e precisamos ver que o que está lá atrás não pode nos atrapalhar. Moral da história, TIRA O OLHO DO RETROVISOR, MOÇA!"
Depois disso consegui relaxar mais ao volante. Era mesmo muito estressante olhar pra frente e pra trás o tempo todo. Eram muitos veículos GIGANTES nas vias. Mas sobre este ensinamento na vida tenho que estar sempre me policiando - Olha a blitz...rsrs. O passado gosta de vir, às vezes, na mente da gente, como um enorme caminhão desgovernado. No retrovisor da lembrança ele parece maior e mais ameaçador do que realmente é. Se soubermos ser bons condutores, vamos parar de nos preocupar com o que está lá atrás, podemos até liberar o espaço para que o passado siga seu caminho. A única coisa que podemos fazer é procurar dirigir nossa vida com cuidado e confiança. Às vezes precisamos usar a marcha ré e voltar um pouquinho. Não correr mais que o permitido pra não atropelar os outros ou se arrebentar à toa. Também não ser tão lentos ao ponto de empacar as pessoas.
Na vida até encontramos alguns bons instrutores, mas a condução é responsabilidade nossa. No mais, é fazer uma revisão de vez em quando e torcer pras estradas estarem em bom estado. Ah, e não esqueça de andar com os faroizinhos bem acesos. Mais essa agora!

Anita Safer

sábado, 9 de julho de 2016

Bichinhos... Mais fofura em nossa vida

Foto: Arquivo pessoal
Quase todos os dias acordo com um focinho gelado no meu nariz. Viro pro outro lado e o focinho me persegue, até o ponto em que fico com a cabeça pendurada fora da cama ou esmago a cara na parede. Tentativa vã de dormir mais um pouquinho. É assim que a Jackeline, minha gatinha, gosta de nos desejar bom dia. Ela tá velhinha, tem 17 anos (o que equivale a 84 anos na idade humana, aproximadamente). Mas tá enxuta. Hoje em dia é mansa. No passado parecia saída de um filme de Hitchcock, tamanho terror que provocava. Atacava feito uma besta fera os desavisados - e os avisados também, não fazia distinção. Comigo sempre foi uma fofa. Eu sempre pude pegar, apertar, beijar. Desculpa aí, galera que foi atacada, beijinho no ombro pra vocês, mas eu fui a eleita...hahaha. 
Minha paixão por gatos é antiga. Gosto deles porque são lindos e preguiçosos. Eu também sou... preguiçosa. Cachorros são fofos demais, mas não são pra mim. Não sou muito boa com bichos e plantas que precisem de muita atenção. Em casa só tenho cactos, que são resistentes, e, acreditem, não posso garantir vida longa a eles. Gosto da independência dos gatos. Dóceis, ariscos, desastrados, bagunceiros... cada um de um jeitinho, mas com características em comum, como o dom de destruir sofás e fazer só o que querem e na hora que lhes der na telha. 
Um bichinho em casa nos aproxima da natureza em sua essência. É uma relação honesta. A maioria de nós tem lembranças ternas dos animais da infância. Eles dão mais vida à nossa vida. São ótimos companheiros quando precisamos desabafar, pois nos escutam sem nos julgar, no máximo dão uns miados (ou latidos, piados... seja lá qual for o barulho que seu bicho de estimação faça). Estes sons podem significar "Vai ficar tudo bem", "Fica triste não", "Cadê minha ração, criatura?" ou ele pode estar só cantando ou te julgando mesmo, tipo "ô humano fresco, resmunga à toa"; vai saber...
Já vi bichinhos ajudarem pessoas que passavam por momentos difíceis, como depressão, solidão ou doença. Eles nos fazem rir, nos estressam e nos emocionam. Tudo junto e misturado.
É muito bom ter um bichinho em casa. Se você não tem nenhum e deseja ter, não compre, adote. Muita gente boa e ONGs resgatam animais na rua, tratam e buscam pessoas para adotá-los.  Caso já tenha algum, que tal falar um pouquinho dele aqui nos comentários? Vou adorar!

Anita Safer

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Será que somos olímpicos?

Foto: Liana Perotto
As olimpíadas estão chegando ao Brasil. Fico acompanhando, na imprensa e nas redes socias, as opiniões favoráveis e contrárias ao evento. Independente das questões políticas e econômicas que envolvem o assunto, uma coisa é certa: Esporte é uma aula de vida. Quando vejo os atletas, suas superações e esforços diários, me emociono. Penso na quantidade de vidas que são transformadas através do esporte. Os atletas paraolímpicos, então, nem se fala.
Será que posso pegar carona, um tiquinho que seja, neste espírito olímpico? Posso aprender com os nadadores a importância da respiração; com os corredores que o tempo é precioso e não pode ser desperdiçado. Com os judocas vejo que a gente é derrubado, mas precisa aprender a cair e levantar. No boxe a gente tem que lutar com garra, quando necessário. A ginástica rítmica ensina a graciosidade que pode existir, mesmo no meio do esforço. De vez em quando temos um esporte em equipe, nem tudo pode ser superado individualmente. Na vida a gente pula, sobe, desce e cai...aiaiai
Vendo tantos exemplos de esforço eu penso que posso levantar meu traseiro gordo do sofá e fazer uma caminhada diária. Posso abrir mão do refrigerante - to nessa maratona há um mês, mas parece uns trinta anos, tamanho esforço...hahaha - para melhorar minha saúde.
Posso ter um objetivo material e buscar meio para concretizá-lo, com muita determinação. Posso muita coisa. Eles provam isso. Daí a importância de valorizar o esporte e os atletas. Muitos deles são exemplos e agentes de transformação. Gerações podem ser salvas pela prática de atividades esportivas.
Lembro que meu filho caçula, quando era bem pequeno, entrou de penetra numa corrida que o irmão estava participando e quando chegou em último lugar, gritou: "Eu ganhei, ninguém chegou atrás de mim!"...kkkk. Ouço até um trecho da música que Elis cantava, maravilhosamente... "Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar".
Medalha de ouro para os atletas olímpicos, paraolímpicos, para os que promovem e incentivam (com honestidade e transparência) o esporte. Medalha também para os atletas não profissionais e para todos os que buscam em si mesmos este espírito guerreiro de se superar a cada dia nas provas da vida.

Anita Safer

sábado, 25 de junho de 2016

Superstições... Vai que...

Foto: Tina Arce
Superstições são interessantes. Você se pega fazendo coisas sem fundamento, mas faz assim mesmo, vai que...
Se alguém fala algo que não quero que aconteça, ao invés de falar "Deus me livre", toc...toc...toc... Três toques na madeira. Na hora. É instantâneo. Fico pensando que a cada dia teremos menos móveis de madeira, em função da contenção do desmatamento (o que tem todo o meu apoio), então teremos que sair de casa correndo pra achar uma árvore e toc...toc...toc.
Chinelo virado, nem pensar. Caramba, na minha casa éramos oito filhos. Muito chinelo pra uma mãe só. Todo mundo sabe que chinelo virado é batata - A mãe morre e a culpa é sua! Mas o chinelo da mãe voando em direção aos traseiros de moleques levados era só doloroso, mesmo que caíssem virados pra baixo. Mãe é mãe, elas tem autoridade no que se refere a chinelos. Tinham, porque agora tem a Lei da Palmadinha, que acabou com a emoção. Deixar a porta do armário aberta é terrível! A morte sai lá de dentro pra te buscar. Essa superstição eu não tenho. Nem a morte ia aguentar a bagunça do meu armário. Deixo a porta fechada, por motivos óbvios.
Sexta-feira 13 dá azar, passar embaixo da escada dá azar. Quebrar espelho? Sete anos de azar e, acredite, falar a palavra azar dá azar (pausa pro toc toc toc). Nada dá sorte? Sim. Trevo de quatro folhas dizem que dá sorte e pé de coelho também; o que é um absurdo. Com certeza os coelhos não concordam com essa opinião e eu concordo com eles. Mas a que abomino é a de que gato preto dá azar. Já tive a SORTE de ter um, que só me trouxe coisas boas.
E você? Me fale sobre sua superstição. Só não fale a mesma coisa e na mesma hora que eu, senão vamos ter que tocar em algo verde... Por que verde, gente? De onde vieram essas crendices? Eis o que não sei.

Anita Safer

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Amadurecimento - A hora de cuidar de si

Foto: Liana Perotto
Certa vez ouvi, de uma pessoa que admiro muito, a seguinte frase: "Dizem que amadurecemos quando nos tornamos pais e mães de nós mesmos". Algo tipo isso. Eu não sou psicóloga nem filósofa, mas em meus pensamentos - tal qual o rei Julian, do desenho Madagascar - "Eu me remexo muito, muitooo...". Quando a coisa fica rodopiando na minha cabeça ela acaba saindo pela ponta de uma caneta ou nas teclas de algum aparelho eletrônico.
É interessante pensar sobre isso. Nunca havia pensado por este ângulo. Chega um momento em que, por desejo ou necessidade, precisamos dizer... Valeu mãe, valeu pai, vocês fizeram o que tiveram condições de fazer, dentro de suas possibilidades e limitações; agora é comigo. Estou falando de maneira rasa, simplista. Sei que existem casos em que a relação Pais/Filhos deixa marcas profundas, que necessitam de ajuda terapêutica. Lembrem, eu sou só um rei Julian me remexendo, se eu estiver falando besteira, desconsiderem!
É muito interessante me imaginar assumindo este papel de pai e mãe de mim mesma. Acredito que dentro de nós ainda habita aquela criança querendo ser ouvida. Que não sabe lidar com suas expectativas e frustrações. Sente medo, mas em outros momentos se joga sem medir as consequências. Acho que agindo como pais amorosos e zelosos desta criança que trazemos dentro de nós, teremos mais condições de nos cuidar. Queremos o melhor para esse filho que vemos no espelho, quando nos olhamos. Ou filha. Não queremos ver um filho andando com pessoas que façam mal a ele, que o desqualifiquem ou o façam sofrer. Queremos que ele aprenda com os erros, que seja saudável. Que seja respeitado em suas escolhas. Temos consciência de que esse filho não é perfeito, mas o amamos incondicionalmente. Ficamos felizes com suas conquistas, valorizamos seus talentos. Nós procuramos acalmá-lo e o compreendemos quando ele está sofrendo. Puxamos a orelha quando necessário. Gostamos que ele cumpra suas responsabilidades. Acima de tudo, queremos que ele seja feliz.
Ser nosso pai e nossa mãe pode nos fazer assumir as rédeas de nossa vida; não delegando aos nossos pais - estando eles presentes ou ausentes - a responsabilidade eterna de nos conduzir ou suprir nossas necessidades e carências. Não é justo com eles, nem conosco. 
Como diz uma amiga minha "Cada pessoa tem uma vida, então que cada um cuide da sua". Isso não é pouca coisa, eu acrescentaria. Mas nada melhor que seguir a vida sabendo que somos amados, cuidados e protegidos pelos melhores pais, que podemos ser.

Anita Safer