domingo, 16 de setembro de 2018

Um brinde às gentilezas

Foto: Clélia Parreira
Acordei. Não muito cedo; o dia de domingo traz consigo algumas concessões. Permite que você faça seus horários. Também não acordei muito tarde. Foi no momento certo. Momento exato de atender ao telefone. Do outro lado da linha a voz doce e linda da minha doce e linda irmã me convidou para um café da manhã em sua casa. Que convite gentil, pensei. Que coisa mais mimosa! Achei ainda mais mimoso e gentil quando soube que o café da manhã era pra uma sua amiga querida, que estava fazendo aniversário. Claro que fui. Dificilmente recuso um convite gentil. Também não resisto a comidas e companhias gostosas...rs
A mesa posta demonstrava todo o carinho que a ocasião sugeria. Papos fluindo. Geleia pra lá, pão de queijo pra cá. Cheiro gostoso de café. Então o interfone toca. Era o filho de uma outra amiga da minha irmã. Como ela não poderia estar presente, enviou pelo filho uma garrafa de espumante, para que fizéssemos um brinde. Fiquei encantada com a delicadeza do ato, com a atenção, com a... GENTILEZA.
Pessoas gentis prestam atenção nas outras. Buscam estar sempre presentes na vida das pessoas que lhe são queridas. Não falo da gentileza polida, das pessoas formalmente educadas. Falo das pessoas sinceramente gentis. Elas encantam sem alarde. Afagam a alma do outro com delicadeza. Transformam momentos simples em um verdadeiro brinde à vida, à felicidade, à amizade. Soube que ela é uma pessoa atenta e que traz consigo essa qualidade rara de valorizar o outro. 
Faço então um brinde: Que as pessoas gentis se multipliquem no mundo. Que a gentileza se espalhe como um vírus do bem, contaminando, se multiplicando. Que a gente receba e ofereça cafés maravilhosos. Que brindemos com as taças valorosas dos bons sentimentos, que nossa presença seja sempre sentida na vida de quem amamos. Assim tudo fica melhor. TIM TIM!
Foto: Arthur Sousa



Anita Safer

sábado, 18 de agosto de 2018

Vai que é tua...

Foto: Alexandre Romero
Quando eu ainda era uma "xóvenzinha" jogava handebol no time da escola. Por cinco anos fui goleira titular. Goleira sim... Estou ouvindo risadinhas? Ouço hahaha? Ouço kkk? Mas é sério. Não sei como isso aconteceu. Sou muito baixinha e muito míope. Tinha que jogar sem óculos, ou seja, só via a bola quando ela tava na minha cara, quando percebia um ventinho dela passando por mim e indo pro gol ou a sentia arrebentando meus peitos. Mas treinava muito as bolas altas pra não ser muito humilhada. Dava uns voos aleatórios pra tentar pegar algo na sorte. Escola é assim, insistem em te colocar em situações vexaminosas. Mas era divertido. Por que lembrei disso mesmo?...
Tá, lembrei. Estava passando por uma quadra de esportes e parei. Parei porque os ipês amarelos floresceram. Parei porque um banco me convidou, galantemente, para que eu me sentasse. Não resisti. Na quadra de esportes em frente ao banco rolava uma partida de futebol. Eram alguns homens e alguns meninos. Eles se misturavam, ora eram homens/meninos, ora meninos/homens. Mas não vi meninas, o que lamentei. Talvez fosse minha missão ser a mulher/menina que faria parte daquela cena. E no corre pra lá e pra cá do jogo algo chamou minha atenção. O goleiro. Ah, esses goleiros são mesmo umas peças raras. Ele era pequeno, devia ter uns oito ou nove anos. Ostentava uma linda e nova luva de goleiro. Ressalto que todos os demais só estavam com aquele uniforme tradicional de peladas informais (os com camisa e os sem camisa). Mas o pequeno goleiro estava lá, todo garboso, com suas luvas. O interessante é que ele não se conformava em ficar no gol. Ele ia da defesa pro ataque, corria junto com o contra-ataque e eu pensava... "Meu Deus, ele está atacando a si mesmo... Parece mais uma doença autoimune". Esses goleiros! Ninguém, além de mim, se preocupava com isso. O mais incrível é que estando ele no gol, ou fora dele, parava tudo e ficava olhando pra suas luvas. Extasiado. Perdi a conta de quanto estava o jogo, quantos gols ele levou, evitou ou tentou fazer. Só via sua alegria em estar jogando com suas lindas luvas novas.
Me peguei pensando em como sou assim, às vezes. Quero estar em mil lugares ao mesmo tempo, fazer diversas coisas. Meio "sem noção" em alguns momentos, sem saber que tenho que ficar no meu lugar...rsrs. Quem nunca, não é mesmo? Mas, assim como aquele menino, às vezes paro pra ver as coisas maravilhosas que tenho em minhas mãos. Meus bens mais preciosos estão juntinhos a mim. Todos e tudo que amo. Aí eu vejo que a vida é mesmo um jogo. Ouço até Elis Regina cantando - com aquela voz de diva - em minha cabeça "Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar..."

Anita Safer


quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Clicando e aprendendo

Já comentei algumas vezes aqui que costumo sortear alguma atividade nova pra fazer a cada ano. Este ano sorteei aprender coisas pela internet. Dizem que a rede tem um "mondicoisa" que não presta. E é verdade, tem mesmo, quem vai negar? Mas tem muita coisa legal. Tantas que não consegui me fixar  em uma só. 
Um dia comecei a fazer Tai Chi Chuan com o mestre "X". Mas também achei legal fazer ginástica com a mocinha jovem e sorridente. Ela sorria de lá e eu me esbaforindo do lado de cá (mas tentando sorrir pra ficar simpática que nem ela, já que não conseguia reproduzir a silhueta sarada). O crochê eu já tinha me aventurado um tempo atrás. O primeiro sapatinho de crochê que fiz foi puramente emocional, quis fazê-lo pra presentear um amigo querido, que ia ser pai. Desculpa, Lêu! Ficou horrível, mas foi de coração. Eu sempre acho muito legal quando recebo presentes feitos pela pessoa. Acho fofo. Carinhoso. Então, de vez em quando, tento presentear alguém com algo que fiz. Lembro que a minha primeira investida neste campo foi quando eu era criança e tínhamos que fazer um presente de argila pro dia das mães. Enquanto as coleguinhas confeccionavam lindas pulseiras e cinzeiros eu mandei ver numa escultura. Era pra ser um lindo rosto, mas virou uma espécie de carranca, que afastava todo o mau olhado (e os bons também...haha). Mas quanto ao crochê eu até que aperfeiçoei um pouquinho. Fiz uma roupinha pra minha neta Isabela, que tem o dom de deixar qualquer roupa linda de morrer. Modelo profissional é outra coisa...rs
Então resolvi aprender sobre Einstein e a Teoria da Relatividade. Descobri que tudo é relativo. Existem duas pessoas, um saca de exatas e tem um raciocínio lógico e a outra sou eu; logo, aprender sobre física é uma coisa relativa - ou seja,  não entendi absolutamente nada, ou "relativamente" coisa alguma. Fui fazer um curso de empreendedorismo, mas ele exigia uma certa disciplina que minha mente se recusa a seguir. 
E o ano continua. E tome sites de receitas, como tirar a sujeira do microondas. Tutoriais de maquiagem, de costura, artesanato, jardinagem, marcenaria... Aff... Fico louca!
Seguirei até o final do ano tentando aprender uma coisinha aqui, outra ali. E ano que vem os papeizinhos do sorteio dirão qual será a minha nova aventura.

Anita Safer

Era pra ser um bom dia

A senhora caminhava a passos rápidos. Era sua caminhada matinal. As bochechas estavam rosadas pelo visível esforço. Assim como era visível o esforço da calça legging em conter os quilos a mais que ela buscava eliminar. Distribuía bons dias a todos. Recebia de volta variados tons de bom dia. Uns sorridentes, outros reticentes... Alguns não combinavam com o rosto - enquanto a voz dizia bom dia os olhos não ocultavam o dissabor - mas respondiam, afinal, era isso o que se esperava.
Ao passar pelo rapaz, jovem ainda, ela escolheu o melhor sorriso e despejou um sonoro... BOM DIA!
Ele seguiu seu caminho. Nem um bom dia, nem um olhar, nem um sorriso. Ignorou seu sorriso, suas palavras, sua legging contida... Ignorou.
No mesmo instante a decepção tomou conta do sorriso da mulher. Dos lábios onde habitavam os bons dias saíram palavras ditas como que para si mesma:
- Juventude mal educada!!!
Ela não percebeu que ele havia respondido sem palavras. Não percebeu a mochila, aparentemente, pesada que ele carregava nas costas. Sabe-se lá quanto peso ele carregava nas costas! O olhar dele fixo no chão. A silhueta curvada,  quase dando um nó, como se buscasse a posição fetal. Não pode ver os pensamentos flutuando em volta daquela cabeça jovem. Ele não usava legging. Não era a calça que o continha, mas todo ele estava contido. Absorto em seus pensamentos. Talvez pensando em muitas coisas, talvez não pensando em nada. Ele era jovem, sim. Talvez não fosse mal educado, ou talvez fosse... Vai saber.  A mochila podia estar pesada ou vazia. Ele pode nem ter escutado o bom dia, ou ter mesmo ignorado. Mas ele não precisava ser o motivo de fazer com que ela descesse do céu ao chão. Aquele julgamento meteórico que condenou toda uma juventude ao rótulo de mal educados foi um indício de que, além de estar usando uma  legging, talvez ela carregasse nas costas também uma mochila invisível, pesada, buscando sentido e alegria em uma caminhada e em uma boa dose de bons dias. Nem todos os dias são bons, nem para a moça da legging, nem para os que andam reticentes, menos ainda para os que ocultam o dissabor, nem para o jovem da mochila. Eu e você também não temos todos um bom dia, mas temos aqueles momentos em que despimos as leggings e nos livramos do peso nas costas. Aí sim, podemos dizer com sinceridade... Bom dia!

Anita Safer

domingo, 1 de julho de 2018

Um viva pra Laura e um pra São João!

Foto: Célia Gatinho
Minha amiga "gêmea" Sílvia me convidou para a festa de São João de sua família. Amiga gêmea? Você pode perguntar. Te respondo. Nós temos uma história de vida muito parecida, traços de personalidade similares e diversas vezes o que acontece com uma acontece com a outra. Um dia mesmo eu tive que tirar duas pintas do rosto e uma semana depois encontrei com ela; ela tinha tirado as - exatas - duas pintas do rosto também. Eu brinco com ela que se uma morrer a outra já pode encomendar o caixão...hehehe. Mas que Deus adie bastante esse dia!
Voltando à festa. Achei muito linda a ideia, pois foi uma forma que ela encontrou de resgatar uma tradição familiar (ela também curte tradição familiar, igualzim eu...rs). A mãe dela fazia essas festas para congregar família e amigos e homenagear o santo que, em seu entender, favorecia a paz e a harmonia nos lares. Sílvia resolveu aproveitar a ocasião e comemorar os nove meses de sua neta, Laurinha.
Estava tudo maravilhoso na festa, a decoração linda, forrozim tocando, comida boa e farta. Tudo estava realmente bem. Quer dizer, quase tudo. Laurinha, a pequena aniversariante, estava abatida. E junto com aquele jeitinho desanimado o termômetro subiu e subiu. Lá vão os pais com a criança pro pronto socorro. Uma otite, era o diagnóstico. Porém, a criança que saiu do salão abatida já voltou com a carinha animada. E logo estava ensaiando palmas nos parabéns, querendo pegar a vela acesa do bolo... do jeitinho que criança deve ser.
Mas toda festa tem seu ponto alto. Quando a mãe de Laurinha veio se despedir de mim, a pequena se jogou em meus braços. Foi ideia dela, pois eu queria enchê-la de beijos e abraços mas sei que criança tem querer e que a coisa não funciona assim. As pessoas em volta ficaram olhando. Laura é super simpática e sociável, mas não costuma ir no colo de quase ninguém. Ela é extremamente criteriosa e eu fui agraciada com aquela iniciativa morta de fofa. Com ela no colo eu cantava músicas de forró e ela cantava junto... Dá...Bê...Dábá... Seja lá como fosse aquela língua que ela falava, o fato é que tava uma "corralinda". Fiquei pensando na simplicidade das crianças, que conseguem viver cada momento como único. Antes ela estava abatida e doentinha, mas depois de medicada e sem dor a alegria voltou instantaneamente. Acho que Laura já passava ali para todos seu primeiro ensinamento. Nada de ficar eternizando momentos ruins! Passou o sufoco, bola pra frente!
Fiquei pensando que Laura deve ter confiado em mim porque sou mesmo amiga gêmea da avó dela, então pode ser que ela tenha se sentido um pouco minha neta também. 
Então uma música falando sobre paz e amizade foi cantada por todos e rosas brancas foram distribuídas.
Voltei para casa carregando todos aqueles símbolos de paz e acordei ainda sentindo o carinho de Laura, que foi o milagre que São João me reservou.

Anita Safer

quarta-feira, 13 de junho de 2018

E o título?

Foto: Liana Rocha
Lá vem a Copa do Mundo. Uns gostam, outros não e fica aquela coisa de sempre. Tem gente que curte porque vai ter umas folguinhas no trabalho ou na escola. Alguns dizem que é o tal do "Pão e Circo", quando o povo fica alienado com as diversões e esquece os problemas sérios do país. Mas tem também aquela galera que fica nacionalista e pinta tudo de verde e amarelo. Aí rola aquela reunião para assistir junto aos jogos do Brasil e é uma farra só. A mídia não tem mais outro assunto e agora a gente vai falar de Rússia à exaustão. O que comem, como vivem, como se divertem, a coisa também tá russa por lá?
Eu acho que todos estão certos cada um à sua maneira. Quem não curte, não curte. Tem todo direito. Quem curte, curte. Tudo bem também. E eu? 
Eu continuo sendo eu e adoro - além de esportes - um sorteio. Aí o que fiz... São 32 países disputando. Selecionei 32 amigos e sorteei um país pra cada amigo. Presentearei o vencedor com uma caixa dos meus deliciosos bombons Pitaco.
Soltei a brincadeira para os eleitos no zap e tá a maior bagunça nos diversos grupos. Algumas indignações, tipo, "Você mexeu essa caixa direito? Nem sabia que Marrocos disputava a Copa!". E começaram a chegar sugestões: "Que tal cada um de nós pesquisar sobre o país recebido e postar curiosidades por aqui no formato Você Sabia?". Logo algumas coincidências começaram a acontecer, como o caso da minha amiga que tirou a Tunísia e a filha dela está fazendo um intercâmbio em Malta, que fica do ladinho. Eu mesma me lasquei, tirei a Suíça, primeiro adversário do Brasil. Então o jeito é torcer pra rolar chocolate, se não for Pitaco que seja suíço...hehehe.
Já o Geraldo, de 4 aninhos tirou o Brasil. Logo... #somostodosgeraldo.
É isso aí pessoal. Cada um defende a sua bandeira, seja ela qual for e nada de pendurar as chuteiras antes do apito final...rsrs.

Anita Safer

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Sou Magali, e você?

No meu aniversário ganhei de uma amiga uma caixa de chocolates finos junto com uma bonequinha da Magali. O embrulho tava impecável. Essa mesma amiga me disse há um tempo atrás que o presente pode não ser grande coisa, mas a embalagem tem que ser caprichada, pra dar aquele charme. Mas no caso tudo estava um luxo. A embalagem e o conteúdo dela. Até porque os dois presentes que a embalagem continha conversavam entre si. Bombons e Magali. E os dois conversavam comigo, formando um diálogo coerente. Amei o presente, porque só uma pessoa que te conhece muito pode reconhecer com exatidão qual personagem de desenho infantil te representa. Embora eu sonhasse em ser a Mortícia Adams (minha diva absoluta... linda, alta, magra, amada e segura de si) eu confesso que sou sim a Magali. A Magali tem seu gatinho Mingau, sua paixão. Também amo gatos. É uma amiga querida, que raramente é protagonista mas tá sempre com a galera - também curto muito a minha. E ama comer, igualzinho a quem? Já recebi, inclusive, o apelido de "musaranha" - uma referência ao musaranho, o menor mamífero do planeta. Medem cerca de 10 cm, mas são capazes de comer o peso equivalente ao dobro do seu. Não sou tão exagerada assim, mas gosto mesmo de comer. Melancia é um dos meus fortes, o que me aproxima mais ainda da Magá (percebeu a intimidade?).
Acho que essa paixão por melancia tem uma origem afetiva forte. Minha mãe, todo mês, quando ia buscar seu dinheiro da pensão, comprava uma melancia. Ela chegava em casa com as bochechas rosadas pelas horas de fila e sol quente, botava o vestidinho florido de ficar em casa e sentava com a gente pra comer a melancia. Era tão lindo ver aquela cena. Acho que mais que o sabor da melancia era ver a alegria em seu rosto e o frescor em seus olhos. Parece que ela nos falava, sem palavras, que o prazer na vida podia estar em coisas muito simples.
Por essas e outras sou muito fã da Magali, assim como das demais criações do Maurício de Sousa. Representam bem uma parte das crianças, com suas brincadeiras, brigas, características individuais. Eita, acabei de lembrar que também sou Sousa, será que sou parente da Magali? Eis o que não sei...

Anita Safer

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Um café com afeto, por favor.

Eu e alguns dos meus irmãos começamos a nos reunir uma vez por semana pra tomar um café. Pronto, não consigo resistir, preciso criar uma lista para a situação.
Quem me conhece sabe que amo uma lista. Então fiz uma relação de diversos cafés na cidade. Para minha felicidade tenho os irmãos mais incríveis do mundo, que conseguem compreender minhas manias bizarras. Eles aceitaram o desafio e começamos a Saga dos Cafés com Afeto. 
Eu não sou de tomar café, pra ser sincera. Mas ir para um Café não quer dizer, necessariamente, tomar café. Ir para um Café é um ato de amor. Você nunca, jamais, convida um desafeto para ir em um; pelo menos não deveria. O café sairia amargo demais. Você convida as pessoas com quem gosta de estar, para falar da vida, dos acontecimentos, dos sentimentos. Pessoas com quem você fica horas conversando, ou em silêncio, porque  sabe que se estão juntos em um café é  para dividir um momento de pura ternura e encantamento. 
Pelas minhas contas já temos cafés garantidos pra mais de um ano; depois quem sabe partiremos para almoços,jantares,  bares... Posso fazer uma lista incrível de possibilidades...hehe.
São muitos lugares para conhecer dentro da nossa cidade e muitos os afetos que temos pra trocar. E aquele cheirinho gostoso de café, o tilintar das colheres nas xícaras e as companhias queridas me fazem lembrar do que aquece meu coração.

Anita Safer


sexta-feira, 20 de abril de 2018

Uma linda senhora chamada Brasília

Foto: Simone 
Recebi um telegrama do meu pai com os seguintes dizeres: Parabéns pelos seus dois aninhos. O papel amarelado e cheio de vincos foi lido e relido toda a minha vida. Especialmente porque ele faleceu três anos depois, mas o telegrama resistiu como prova de sua existência e de seu carinho por mim. Na ocasião do telegrama ele estava no Piauí e nós já estávamos em Brasília.
Do Piauí eu trouxe o amor por pitombas e bacuris, o gosto por balançar em redes e o calor entranhado na pele. Trouxe nas veias a herança ancestral das minhas famílias de pai e mãe. Tenho muito amor pela minha terra.
Cresci em Brasília e com Brasília. A cidade era toda feita de distâncias, terra vermelha e redemoinhos. Na infância vi prédios sendo construídos, avenidas tomando formas naquela imensidão sem fim. Por sermos todos pioneiros éramos muito próximos e formávamos uma grande família; espalhada pelas poucas e jovens superquadras. Assim brincávamos, brigávamos, vivíamos o primeiro amor e mais alguns, às vezes.
Na adolescência as festas aconteciam nos apartamentos, sem que os vizinhos reclamassem, pois os filhos de todos estavam lá. Embaixo dos prédios sentávamos em roda, tocávamos violão e falávamos de tudo. Com toda a calma do mundo. 
A cidade cresceu e hoje é uma linda senhora. Brasília é diferente, sempre tem algo a ser descoberto. É como uma mulher enigmática, que revela-se aos poucos; e eu aprendi a olhar sempre pro céu. O céu de Brasília, que é cantado e descrito em poemas, é lindo de doer. É a minha paisagem, como para alguns é a praia no litoral, a vegetação de mandacaru no sertão.
Amo esse lugar. Posso viajar o mundo, mas aqui é minha casa. Aqui eu danço, escrevo, amo, desenho e vivo tudo o que sou.
Escrevi tudo isso pra Simone, minha amiga que também viveu uma trajetória assim e disse querer ler algo escrito por mim sobre a cidade. Ela também faz parte da minha paisagem há muitos anos. Uma amiga que é uma Beleza, com perdão do trocadilho. Sem contar que tenho poucos leitores e não quero perder os poucos que tenho...rs
Beijos Brasília, beijos Simone. Grata por me acolherem e fazerem parte do que sou.

Anita Safer

domingo, 15 de abril de 2018

Fui de Caranova

AMO forró. Sei lá. Tá na minha veia nordestina, é mais forte que eu. Lembro que anos atrás entrei numa aula de dança de salão. Não dançava nadica de nada, mas desde o primeiro dia foi como se eu tivesse ganhado um par de asas. Ainda bem, porque o par de pernas mesmo não me levava pra lugar nenhum quando se tratava de dança...hehehe. E entre todos os ritmos que fui aprendendo o forró bateu com força no coração e fincou a bandeira do 'fico'. Então foi um tal de sair procurando por toda a cidade onde tinha forró e a primeira banda que tocou meu coração foi o Trio Caranova. Sabe aquele forrozinho simples e gostoso, tocado de um jeito manso? Esse encontro com eles foi há uns nove anos atrás. Dancei muito ao som da sanfona, zabumba e triângulo e do vocal alternado entre Maciel e Vieira. 
Foto: Isabel Andrades
Foi uma alegria quando me convidaram para ir ao Fulô do Sertão (404 Norte) e dei de cara com eles. Eles estão tocando aos sábados lá, minha gente. De vez em quando pode acontecer de ter uma mudança na programação, então é bom conferir com o Fulô antes. Tô avisando pra que meus amigos forrozeiros saibam que tem agora mais esta ótima opção pra arrastar chinelo e "relar o bucho".

"O candeeiro se apagou
O sanfoneiro cochilou
A sanfona não parou 
E o forró... continuooooouuuuu..."

Anita Safer