quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Um amor de livro


Minha amiga Edna Maria de Siqueira publicou seu primeiro livro: O AMOR QUE CURA, pela Editora Palavra e Prece. 
Marcamos de nos encontrar perto de sua casa, para um café onde ela me apresentaria sua obra. E eu fui. Logo de cara adorei a escolha do local do encontro, onde tocava um forrozinho delicioso ao vivo. Isso não é um amor?
Amor. O amor deveria estar em cada lugar. Em cada casa, nas ruas, nas escolas, em todo canto. Esse olhar amoroso para tudo é o que a autora prega. Não só o amor romântico, mas o amor em geral, que perdoa, que cuida, que cura. Também o amor próprio, pois precisamos estabelecer limites que garantam nossa saúde física, emocional, mental. O amor cristão permeia toda a obra, faz parte da vivência espiritual da escritora.
Edna ainda se sente surpresa com o livro, que nasceu de forma natural. O texto traz situações observadas que a fizeram refletir. Ela queria dizer algo importante às pessoas e o que pode ser mais importante que o amor? Ser amado nos fortalece e amar nos liberta.
Beto Guedes diz em uma canção que "o medo de amar é o medo de ser livre...".
Para Edna "o amor que não for distribuído é como uma água que apodrece.."
Então vamos amar! Amei saber que minha amiga concretizou um projeto; e que venham outros, para que eu possa encontrá-la para muitos cafés. Quem sabe novamente ao som de um forró como música de fundo.

Anita Safer

sábado, 31 de agosto de 2019

Forró Ispilicute: Matando a saudade

Arquivo pessoal: Ispilicute das antigas com as "bunitas" de sempre
Meu irmão, Clodo Ferreira,  tem uma música chamada Mentira da Saudade. O que é mentira da saudade? É quando você revisita algo ou algum lugar do passado e vê que as coisas não são exatamente como você lembrava. Um trecho da letra diz: 

"Tirando as pessoas encantadas 
E alguma alma bem-amada
O resto é mentira da saudade..."

Em 2013 escrevi neste blog sobre o Forró Ispilicute, que acontecia todas as sextas no Cota Mil Iate Clube de Brasília. Fui frequentadora assídua desde o início. Recentemente o forró mudou de endereço duas vezes. Ontem, porém, aconteceu uma Edição da Saudade, lá no Cota Mil  (onde tudo começou). Claro que fui. Fui acompanhada das minhas amigas "bunitas" com muita vontade de dançar e alegria no coração.  O que vi lá? Que não era "mentira da saudade". A magia que existe naquele forró, naquele ambiente, é uma coisa gostosa de sentir. Estava lotado e as pessoas se abraçavam como se tivessem voltado pra casa.  E como disse em 2013 - e reitero - o DJ Lêu é o melhor e é "o DJ que agita a galera do forró pé de serra".
Naquele ambiente nasceram grandes amizades, amores. No palco, oportunidade de grandes bandas locais e nacionais se apresentarem. No salão, aulinha para ensinar novos passos e fazer com que todos se sintam  acolhidos. 
Agradeço imensamente à Cris, que nos presenteou com a criação deste forró e ao Cota Mil, que nos recebeu pra este evento e nos fez sentir em casa. Todos adoramos rodopiar naquele lugar especial, que se tornou um ponto de encontro para os forrozeiros da cidade. 
E na próxima sexta tem de novo. E que outros e outros e outros venham, afinal,  não é mentira... Só saudade! 

Anita Safer


terça-feira, 20 de agosto de 2019

A sombra que nos assombra

Foto: Matias Monteiro
Filme de terror novo no cinema? Me segura.... Preciso ir passar medo! Chamo meu companheiro especial para filmes de terror, o Arth, e sua mãe - que adoramos torturar - e vamos lá. O filme promete. Histórias assustadoras para contar no escuro é o nome do filme. Por que promete? Porque é produzido por Guillermo Del Toro (que não é o ator Benício del Toro, sempre confundo os dois). Guillermo é um diretor/produtor/roteirista mexicano que faz uns filmes com uma pegada diferente. Premiado recentemente com o Oscar pelo filme A Forma da Água. Pois bem, fomos conferir, munidos de pipocas gigantes e refrigerantes (que são sempre mais caros que os ingressos). Não vou falar do filme em si. Tem aqueles elementos clássicos: halloween (sim), jovens de cabeça oca (sim), casa mal assombrada (sim), cenas de susto com aquele som de susto que faz você dar um pulo na cadeira (sim), o Arth não achou grande coisa (sim); porque o Arth é expert em filmes de terror e não se agrada tão facilmente, aliás, um dos meus sonhos de vida é encontrar aquele filme que ele dê nota 10. Enquanto isso não acontece, seguimos com nossa saga em busca do terror perfeito.O que gostei no filme, além da ambientação e fotografia, foi que achei que tinha um fundo filosófico no meio. Nova categoria: Terror filosófico...rs. 
Somos assombrados por nossas fragilidades, por histórias que contaram, ou nós mesmos criamos, a nosso respeito. Somos assombrados por abandonos, carências, por atitudes que tivemos e nos punimos, por coisas pelas quais nunca nos perdoamos. 
Na psicologia Carl Jung trouxe o conceito de sombra. Seria aquela bagagem reprimida da nossa personalidade que jogamos, de forma inconsciente, na maioria das vezes, pra debaixo do tapete. Todos nós, seres lindinhos e perfeitos que somos, temos esse lado sombrio. Mas, além dessa sombra, temos aquelas lendas pessoais assustadoras. Pesadelos marcantes ou histórias contadas na infância que nos marcaram, tipo a mulher da faca "passando manteiga no pão", o velho do saco que carregava crianças teimosas... Eu mesma tinha um pesadelo recorrente com uma velhinha que me esfaqueava quando eu chegava em casa. Eu até tentava enganar a chata da velha  com entradas alternativas, tipo entrar pela janela, mas a velha era sempre mais esperta que eu e me pegava de todo jeito. Acho que vou falar pro Del Toro escrever algo sobre aquela velha maldita, quem sabe ele ganha mais um prêmio com o filme A Forma da Véia...hihihi. 
Bem, esse texto não é uma indicação cinematográfica, até mesmo porque muita gente não gosta do gênero. Mas podemos trocar figurinha sobre os medos que nos assombraram ou nos assombram ainda. Dizem que o enfrentamento pode nos ajudar a nos libertar deles. Por isso, se cuida, senhora idosa do meu pesadelo, não sou mais aquela garotinha.

Anita Safer

terça-feira, 7 de maio de 2019

De repente o tempo muda

Foto: Érica P.
Vou contar uma coisa que aconteceu no ano em que nasci - não, não foi em 2000 como minha jovem aparência indica...hehehe - mas prefiro não citar o ano. Sem comentários sobre isso. Abafa o caso. Mas, para os curiosos de plantão vou dar uma dica, aí é só pesquisar.
No ano em que nasci, um meteorologista americano chamado Edward Lorenz estava lá - sendo meteorologista - e viu que uma tempestade tropical estava prevista para cair em Louisiana. Mas ele notou - sem querer, querendo - que estava acontecendo uma mudança climática no Alaska. O que eu pensaria? Você talvez, também. "Hã? O que uma coisa tem a ver com a outra?". Mas Edward era "o cara" e refez lá seus cálculos e viu que a tempestade não ia rolar como o previsto, nem no local previsto; em compensação, um mega ciclone atingiria outra região americana. Tudo por causa da mudança de clima lá do Alaska. E não é que aconteceu? Danadinho, esse Ed. Daí surgiu a teoria do Efeito Borboleta. Na cultura popular dizem que o bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e, quiçá (sempre quis usar essa palavra...rs) provocar um tufão do outro lado do mundo.
Tudo bem que essa frase é meio dramática, mas sabe o que a descoberta quer dizer? Com certeza não é que meu nascimento mudou o curso da humanidade e nem que eu saí por aí batendo minhas asinhas e causando os maiores estragos. Significa que um pequeno detalhe pode mudar o todo ou, ao menos, uma parte do todo. 
Quando eu era "xóven" ficava indignada quando errava toda uma equação matemática só por causa de um maldito sinalzinho. E eu errava muitooooo. Hoje eu entendo o porquê de meu professor de Matemática ser doido pra me reprovar. Ele estava certo. Ora, ora, quem diria. Um erro de cálculo pode derrubar um avião, fazer um prédio desabar, um foguete sair da órbita ou, até mesmo, fazer um comerciante levar um tiro de algum doido por um troco errado.
O Universo é sensível, gente. Nada é totalmente previsível. O máximo que podemos fazer para redução de danos é o que Lorenz fez, prestar atenção nos detalhes. Se (teoricamente) uma borboleta faz um estrago danado, imagina o que fazemos com nossas decisões. Uma pequena atitude de um pode afetar a vida de muitos, para o bem ou para o mal.
Agora me deu pena da dupla Victor e Léo. Eles acreditam que as borboletas sempre voltam... Às vezes elas estão por aí, distraídas, batendo asas e mudando o curso das coisas.

Anita Safer

sábado, 23 de março de 2019

O sonho não acabou

Ilustração: "Escapismo" de Isadora Duarte
Algumas pessoas andam me perguntando sobre meus textos no blog. Por incrível que pareça tenho alguns leitores...rsrs. Para eles, meu amor eterno (veja dedinhos indicadores e polegares se juntando em forma de coração). O fato, queridos, é que amo falar de coisas corriqueiras, leves, engraçadas. Curto apreciar as coisas bonitas da vida, pensar e escrever para tentar entender sobre aquilo que não sei - daí o título do blog.
Eis o dilema: Como escrever sobre coisas simples e leves em meio a tanto sofrimento como temos visto? Como falar de amor e delicadezas num ambiente contaminado pelo ódio e intolerância? Seria como se eu fosse uma alienada, uma Alice no País das Maravilhas. 
Talvez em função dessas inquietações tive um sonho lindo um dia desses. Sonhei que me encontrava com John Lennon e tínhamos uma linda, longa e inspiradora conversa. No sonho ele desnudava minha alma e dizia saber da minha tristeza em relação ao que estava acontecendo com o mundo e com as pessoas. Mas ele dizia que muitas outras pessoas também se sentiam como eu e estavam acuadas. O fato de estarem acuadas não estava permitindo os encontros. 
Ele sugeria que eu buscasse a alma leve em meio ao caos, o amor em meio ao ódio, o sorriso sincero no meio da dor. Para que cada um que se sentisse desalentado ao meu redor soubesse que não está só.
Esse é um breve resumo do sonho, tipo um trailer...hehe. Mas acordei muito emocionada, chorando. Com o sentimento de que é preciso, sim, resistir. Aceitar as diferenças. Acreditar nas pessoas, verdadeiramente do bem, que não destilam ódio. Seguir a intuição e o coração. Acreditar em sonhos. Na música Dream do meu amigo íntimo e querido John Lennon (olha os indicadores e polegares se juntando de novo, minha gente), ele diz:

"Sonhe, sonhe sempre.
Magia no ar, tinha magia no ar?
Eu acredito, sim, eu acredito"

Anita Safer

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Pré-Natal

Foto: Thiago Lopes
Vou eu dirigindo "rumo ao meu rumo". Precisava muito entrar à direita na rua principal. Apesar do meu carro piscar insistentemente sua seta sedutora, demonstrando a intenção de mudar de faixa, os carros ao lado ignoravam. Seus condutores deveriam estar com as mentes ocupadas por providências a tomar, não tinham tempo para seduções e gentilezas. Opa! Uma possibilidade agora, depois daquele carro branco. Agora dá. É agora ou nunca. It's now or never. Virei, não antes de levar uma buzinada da moça do carro cinza. Ela estava no tal do ponto cego. Que dizem que existe e existe mesmo. A gente não vê o ponto, então não entendo como um ponto que ninguém vê ao certo pode-se afirmar que seja cego, mas as coisas desaparecem mesmo misteriosamente naquele lugarzinho do retrovisor. São abduzidas e reaparecem depois, quase sempre acompanhadas de freadas bruscas ou buzinadas. Nesse caso foi só a buzinada mesmo. Mas foi uma buzinada leve, até mesmo aveludada. Apenas uma pequena advertência, gentil, um simples bibip, como quem diz: "Cuidado, você tá ameaçando invadir meu espaço, posso até bater em você se eu quiser, mas não o farei porque sou gentil e tenho uma buzina educada". Ainda bem! Poderia ser outra buzina qualquer, como aquela que ouvi em outro momento; mas não pra mim, no caso. Era uma buzina irritada e irritante, que berrava de forma estridente na traseira de um carro indeciso que vacilava em entrar, ou não, no estacionamento pago.
Quis gritar para o homem... Homem, não entre neste estacionamento pago! Jamais! Eu já cometi esse grave erro. Só de entrar você fica falido. Quando o Natal está chegando você precisa priorizar; ou paga o estacionamento ou faz a ceia, os dois não dá. Se pagar o estacionamento, comprar presentes fica inviável. Exagero meu pensar assim. Aliás, ser exagerada nos meus pensamentos é uma especialidade que desenvolvi. Pensei então na roupa que deveria usar numa confraternização à noite, nesta meia estação - meio calor extremo, meio extremo calor. 
Peço desculpas a quem achou que vou dar à luz por causa do título do texto. Não estou grávida, nem fazendo este tipo de pré-natal. É que esse período do ano é quase um parto. Mas é só uma preparação para o Ano Novo, onde a gente renasce com nossas promessas e planos que, quase sempre, serão esquecidos. Mas desta vez não (é o que sempre digo, tenhamos fé). 

Anita Safer

sábado, 1 de dezembro de 2018

Mudança de hábito

Foto: Liana Rocha (com Isabela)
Muita gente aqui deve ter assistido ao filme Mudança de Hábito. É com a maravilhosa e incrível Whoopi Goldberg. Eu lembrei dele porque, gente, é muito difícil mudar um hábito. Sei do que estou falando. Eu tento, tento, e quando vejo tô eu lá de novo, nos velhos, ultrapassados e conhecidos hábitos. E olha que a minha lista de hábitos pra mudar é extensa. Vou citar só alguns, pra não cansar vocês...hehe.
Hábitos alimentares... afff... por que chocolate tem que ser escandalosamente mais gostoso que um brócolis? Por que há seis mil anos os egípcios misturaram farinha com água e inventaram a pizza? E os portugueses, danadinhos, ainda trouxeram as empadinhas pra cá. Galera, o mundo inteiro se une pra dificultar a sua vida, desde que o mundo é mundo. Como se não bastasse, aqui mesmo no Brasil, em 1940, em uma campanha com o intuito de promover a eleição do brigadeiro Eduardo Gomes à presidência da república os moradores de Pacaembu criaram um doce pra vender e arrecadar fundos e esse doce passou a ser chamado como? de brigadeiro. Fala sério! E eu aqui... na luta. 
Mas não é só esse hábito que tenho pra mudar, quem dera fosse. Tenho outros, tipo, me preocupar demais com tudo o tempo todo. Meu filho viaja pro exterior e manda uma foto todo feliz em um bar estiloso. O que eu vejo? Que ele está de camiseta enquanto o cara na mesa de trás está todo empacotado, de gorro, casaco e sabe lá mais o que. Aí eu jogo aquela indireta: "Humm, parece que o frio resolveu dar uma trégua...". Então eu lembro a tempo que estou sendo um pouco ridícula e foco no sorriso lindo dele (isso já é fruto de um trabalho incansável que tenho feito pra brecar as preocupações...rs). 
Voltando um pouco ao filme, a personagem da Whoopi precisa se esconder em um convento. Ela é chave de cadeia, aquela pessoa que vive se metendo em enrascadas e, pra sua proteção, é escondida lá pela polícia. Então ela vai reger o coral e blá blá blá, vocês já devem saber. Mas olha que interessante. Pra sair da vida que ela tinha foi preciso que ela fosse exposta a um outro estilo de vida. Acho que ela adotou um "novo hábito" (aqui cabe mais de um sentido). Dizem que o segredo é esse mesmo. Para mudar um hábito não adianta entrar no fight com ele, ele pode ser mais forte que você; é preciso aderir a um novo hábito, mais saudável do que aquele que te aprisiona e prejudica. 
Não que eu precise comer brócolis nas festinhas infantis no lugar do brigadeiro, mas posso priorizar os alimentos saudáveis. Quanto aos pensamentos eu posso substituí-los por outros mais agradáveis no momento em que eles surgirem. E fazer assim com cada hábito a ser mudado, aos poucos, mesmo escorregando, às vezes. A própria atriz falou sobre dificuldades quando entrevistada: "Tomar uma atitude é difícil, mas sabe o quê? Aguentar uma situação ruim pode ser um inferno".

Anita Safer

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

"Spairecendo"

Escrevo de uma pousada em Pirenópolis/GO. Minha vó Chiquinha tinha uma frase engraçada, mas sábia, que dizia:  "Besta aqui, besta em qualquer lugar ". Uma forma simples de dizer que não adianta mudar o cenário, pra onde você vai você leva quem você é. Mas às vezes é muito bom  (e necessário) ser besta em outro lugar...rs. Foi assim que vim pousar aqui por uns dias . Depois de um tempo sem sair, bateu a vontade. 
Me sinto como se estivesse num spa ..."sparramada" na cama, sem compromissos, sem hora pra nada. O café da manhã se materializa sem que eu mexa um dedo, parece um sonho.  Leio com calma um livro, ouvindo apenas os pássaros escandalosos da região. A cidade está linda e calma. 
Pra manter minha tradição pessoal em viagens, fiz duas coisas que sempre procuro fazer. Fui à missa e ao cinema. Engraçado porque não costumo ir à missas, mas não resisto às igrejas de outras cidades. E lá estava eu, rezando ao som da Sandy. Sério, a moça que cantava tinha a voz igualzinha à da Sandy. Fiquei naquela expectativa de fazer coro em "...se a lenda dessa paixão...". Mas o repertório era outro, bonito também, com aleluias e hosanas. 
No cinema uma apresentação gratuita do filme O Palhaço. Adorei. Não tinha assistido ainda. 
E tudo tem sido tão bom. Tão em paz e revigorante, que estou feliz em ter vindo ser besta em Pirenópolis. A mente precisa de uma pausa das mesmas paisagens, assuntos e preocupações. 
Até animei. Já quero pensar em outros lugares pra "bestar".

Anita Safer

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Nossos sentidos

O rádio do carro tagarela sem parar. Diz que parece que não vai chover tão cedo. E tome notícias de política, promoções e brindes. A mente se desdobra entre o trânsito, os assuntos que a emissora despeja e os pensamentos que pulam de lá pra cá e de cá pra lá. Então toca uma música e aquela música te desperta um sentimento. "Acho que estou apaixonada. Ops... nem tô!" Mas a música faz com que me sinta assim; então, deixa rolar. As cigarras cantam desesperadas, quase estourando, tentando anunciar a chuva que a emissora de rádio acredita não estar próxima de chegar. Na rede social uma música do Beto Guedes me faz lembrar de quem ainda sou. Muito em mim mudou, mas o Beto permaneceu (danadinho!).
Em momentos de ansiedade apertar as bolinhas de um plástico bolha
trazem uma sensação incrível.
Não adianta mentir, sei que muita gente não pode ver um plástico desses. Pode até rolar um fight pelo seu domínio...hehe. São as sensações que o tato trazem. Uma toalha macia, o pelo de um animal (desaconselho leões e afins...rs)...
Os olhos são as janelas da alma, dizem. É bom quando nossas janelas estão abertas para as coisinhas lindas da vida. A visão de uma criança feliz, uma paisagem bonita, as pessoas que amamos.
No meio da estrada havia uma fábrica de café e aquele cheiro incrível nos remete ao aconchego de um lar, que pode ser o nosso, algum lar cristalizado nas lembranças de infância, uma cafeteria. Algum momento em que nos sentimos alimentados com aquele aroma como pano de fundo. E olha que nem sou muito de tomar café, mas vamos combinar, aquele cheiro vale, por si só.
E os sabores? Aquela sopa de ervilha num dia de chuva. O sorvete devorado do pote, naquele momento de fúria e desencanto. O bolo da Maria (quem conhece sabe), que se faz presente em momentos de alegria, especialmente pela sua doce presença.
Os sentidos também podem trazer lembranças ou sentimentos ruins. Não há nada de legal em ver uma barata olhando pra você com aquela superioridade de quem vai te nocautear com um voo certeiro. Quando algo não cheira bem (pode ser em sentido literal ou figurado). Aquela comida que te juraram que era uma delícia... Só que não!!! E o que dizer do barulho de britadeira às oito da manhã de um sábado qualquer te tirando o sono e o humor? Passar a mão, por engano, em um tecido que te dá gastura... Arghhh!!!
Quando as coisas estão difíceis - e elas teimam em ficar - são esses sentidos associados ao bem estar que podem nos salvar. Podem transferir nossos pensamentos ruins, pelo menos por uns instantes, para breves momentos de paz e prazer. Nossos sentidos são tão importantes que quando somos privados de algum os demais tentam compensar. 
Acho que na verdade os sentidos fazem muito sentido.

Anita Safer

domingo, 16 de setembro de 2018

Um brinde às gentilezas

Foto: Clélia Parreira
Acordei. Não muito cedo; o dia de domingo traz consigo algumas concessões. Permite que você faça seus horários. Também não acordei muito tarde. Foi no momento certo. Momento exato de atender ao telefone. Do outro lado da linha a voz doce e linda da minha doce e linda irmã me convidou para um café da manhã em sua casa. Que convite gentil, pensei. Que coisa mais mimosa! Achei ainda mais mimoso e gentil quando soube que o café da manhã era pra uma sua amiga querida, que estava fazendo aniversário. Claro que fui. Dificilmente recuso um convite gentil. Também não resisto a comidas e companhias gostosas...rs
A mesa posta demonstrava todo o carinho que a ocasião sugeria. Papos fluindo. Geleia pra lá, pão de queijo pra cá. Cheiro gostoso de café. Então o interfone toca. Era o filho de uma outra amiga da minha irmã. Como ela não poderia estar presente, enviou pelo filho uma garrafa de espumante, para que fizéssemos um brinde. Fiquei encantada com a delicadeza do ato, com a atenção, com a... GENTILEZA.
Pessoas gentis prestam atenção nas outras. Buscam estar sempre presentes na vida das pessoas que lhe são queridas. Não falo da gentileza polida, das pessoas formalmente educadas. Falo das pessoas sinceramente gentis. Elas encantam sem alarde. Afagam a alma do outro com delicadeza. Transformam momentos simples em um verdadeiro brinde à vida, à felicidade, à amizade. Soube que ela é uma pessoa atenta e que traz consigo essa qualidade rara de valorizar o outro. 
Faço então um brinde: Que as pessoas gentis se multipliquem no mundo. Que a gentileza se espalhe como um vírus do bem, contaminando, se multiplicando. Que a gente receba e ofereça cafés maravilhosos. Que brindemos com as taças valorosas dos bons sentimentos, que nossa presença seja sempre sentida na vida de quem amamos. Assim tudo fica melhor. TIM TIM!
Foto: Arthur Sousa



Anita Safer