domingo, 26 de maio de 2013

Flor do Coqueiro


Era uma garota, ainda. Chegando em casa, numa tarde, meus irmãos estavam no quarto compondo uma música. Uma deliciosa rotina na casa da minha mãe - conversas e canções. Só que este dia foi especial, porque a música que eles estavam compondo, ainda sem letra, me emocionou de uma maneira que não consegui controlar. Tive que sair de perto pra não chorar na frente deles. Passado algum tempo eles chegaram em casa com o disco que haviam gravado, na época um LP. Minha grande surpresa foi ver que aquela música, que tanto me emocionou, se chamava Flor do Coqueiro (Pita). Pita, gente! Pita sou eu. Meu apelido de infância que veio de Pituíba (pequena), coisa que sempre fui, sou e serei. Imagina minha alegria!
A música, composta e lindamente cantada pelo Clésio, vinha acompanhada de um belíssimo arranjo regado à sanfona. A letra, feita pelo Clodo, é a seguinte:

                                                                Foto extraída do Google
Flor do Coqueiro (Pita)


Não olha pra trás
pra não ver a distância
Aonde você vai
a estrada não cansa
Faz como a flor do coqueiro
que se ilumina sozinha
e quanto mais fica escuro,
mais brilha
Olha a água na fonte
que brotou cristalina
Olha que essa palmeira
cresceu pra ser menina
Faz como a flor do coqueiro
que se ilumina sozinha
e quanto mais fica escuro,
mais brilha
Eu andei, por andar,
pelas montanhas e rios
Só encontrei sua marca
Imagem e semelhança tua
E falei, por falar
Fui pregador no deserto,
mas sempre disse a verdade,
verdade a gente não insinua

Esta letra se tornou um mantra pra mim. Muitas vezes lembrei dela e recobrei o ânimo e a coragem para seguir  em frente. Vejo nesta música uma espécie de conselho de pai, um pai amoroso. Meu pai morreu quando eu tinha cinco anos, mas foi muito bem representado pelos meus irmãos Clodo, Climério e Clésio. Sempre tive muito orgulho deles, não só por serem irmãos maravilhosos,mas pelo grande talento de cada um. Com certeza serão lembrados pela imensa colaboração dada à música brasileira de qualidade.
Quando as coisas ficarem difíceis e tudo parecer escuro e sem saída, vale como conselho estas palavras que recebi em forma de canção:

"Não olha pra trás, pra não ver a distância, aonde você vai a estrada não cansa..."

Anita Safer

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Simão de Miranda: Um grande mestre

Foto: Arquivo pessoal

Conheci Simão de Miranda em uma Oficina Literária que fiz há muitos anos atrás. Sua maneira leve, didática e divertida de abordar a criação literária me conquistou de cara. A partir daí comecei a acompanhar seu trabalho. O primeiro livro que li foi Manual de Jogos para Salas de Aula. Atividades maravilhosas que vieram a ser muito úteis quando comecei a fazer um trabalho com teatro infantil. Em seguida tive a honra de constar entre as pessoas a quem ele dedicou um dos livros. Quase morri de emoção!
Atualmente são 37 livros publicados. Infantis, didáticos, poéticos. Na bagagem também possui diversos prêmios, tendo sido premiado, inclusive, no exterior. Para Simão escrever é como respirar, uma necessidade vital. Esta paixão é o que o move. A fé  em uma educação que possibilite o crescimento do aluno também está sempre presente; educação onde o estudante seja munido de ferramentas para desenvolver suas potencialidades, valorizando sua autoestima, seus traços pessoais.
Atuando na EAPE, Simão de Miranda oferece cursos e palestras para professores. É o mestre dos mestres. Quando não está no exercício de suas funções na Secretaria de Educação, não carrega pedras, carrega palavras e as distribui generosamente pelas páginas de seus livros, pelas redes sociais ou por onde quer que passe. São textos ternos e motivadores, como este:

"Eu preciso de uma escola
que não seja enfadonha.
Minha escola nem precisa ter paredes,
só precisa ser risonha"

Uma escola feliz. Onde alunos e professores sejam valorizados. Que possua recursos humanos e materiais para oferecer à população uma escolarização digna e de qualidade. Uma escola viva, onde o futuro possa ser construído. É um sonho, não é? É o sonho de Simão de Miranda, o meu e certamente o de vocês.
Respondendo a esta ânsia interna, Simão segue escrevendo; um novo livro já está a caminho. O novo filho, como ele mesmo diz, chama-se Oficina de Ludicidade na Escola, contendo 60 jogos que contribuem para o desenvolvimento cognitivo, criativo e psicomotor, além de servir como motivação e socialização da criança.
O lançamento acontecerá no dia 07 de junho, às 19h30, na Livraria Cultura do Shopping Casa Park. É uma ótima oportunidade para você conhecê-lo. Eu pretendo estar lá, tietando como sempre, porque ele merece.

Anita Safer

terça-feira, 21 de maio de 2013

Tem "cabeamento" uma coisa dessas?

Não gosto quando fico recebendo ligações de operadoras de telefonia, bancos e outros lugares, oferecendo serviços. Penso que quando a gente quer uma coisa, corre atrás. Mas acho que este tipo de abordagem deve funcionar pra eles, porque não param de ligar. Acontece que um dia desses, por ironia do destino, recebi um telefonema da operadora que presta serviço de internet na minha casa e deixei a moça falar. Normalmente corto a conversa bem no começo, mas desta vez a deixei abrir o coração. Eu devia estar entediada, com vontade de conversar, sei lá. Eles queriam me oferecer o seguinte pacote: Aumentariam a velocidade da internet e instalariam a TV paga por apenas 24 reais a mais na fatura. Achei interessante. Nem tanto pela velocidade da internet, mas pela TV. Adoro filmes e seriados. Apesar de saber que a maioria dos canais que eles colocam você não assiste nunca. Tem canal que fica 24 horas falando de cavalos, haja assunto! Mesmo assim achei que valeria a pena, vai que resolvo comprar um haras. Topei.
O técnico da operadora chegou lá em casa e perguntou onde era o ponto. Que ponto? Ponto de ônibus? Mal chegou e já ia embora? Brincadeira. Mostrei pra ele que a TV onde instalaria o ponto seria no meu quarto. Ele disse que teria que ser feito um cabeamento da sala até o quarto. Este serviço era feito por outro técnico, eu teria que ligar pra operadora e solicitar o cabeamento. Ok. Liguei para a operadora e solicitei o tal do cabeamento. A moça disse: "Senhora, vamos agendar a visita do técnico para tal dia". Beleza. No dia da tal visita chega o técnico. "Onde está o ponto?". Expliquei que antes precisava ser feito o cabeamento. Ele falou: "É, tem mesmo. Eles bem que me falaram. Mas como eu posso fazer o cabeamento se eu venho de moto? Como eu ia trazer o material?". O que será que ele queria dizer com isso... Eu teria que comprar um carro pra ele? Sei lá. Ligo novamente pra operadora e explico que eles não podem mandar um técnico motoqueiro pra fazer o cabeamento porque ele não tem como trazer o material... "Senhora, vamos agendar a visita do técnico para tal dia". Certo. Zerinho Um... Pronto, decidimos quem ficaria em casa para receber o tal técnico. Ele aparece no sábado e neste dia não é possível fazer o serviço, porque teria que furar a parede e os condomínios não autorizam serviços barulhentos nos fins de semana. Chegando em casa fico sabendo que o serviço não foi feito e que terei que ligar novamente para a operadora para agendar outro dia para o tal do cabeamento. Ligo e friso que preciso do técnico para fazer o CABEAMENTO e que ele não pode ser motoqueiro e nem pode ir no sábado. "Senhora, vamos agendar a visita do técnico para o dia tal". No dia tal estou descendo do ônibus quando meu celular toca. É a mulher da operadora dizendo que o técnico não pode instalar o aparelho porque não tinha sido feito o cabeamento. CLARO QUE O CABEAMENTO NÃO FOI FEITO! Quando expliquei pra ela que havia solicitado o técnico justamente para este serviço, ela me disse que não poderia resolver pra mim, que eu teria que ligar pra operadora e agendar a visita. Não acreditei. Chegando em casa, liguei pra operadora, falei pra atendente que um dia eles me ligaram oferecendo um serviço e eu escutei pacientemente, agora seria a minha vez de falar. Falei, menino, mas falei muito. Depois de tanto reclamar ela perguntou: "Senhora, pra que dia a senhora quer que eu agende a visita?". Eu, brava que nem siri na lata, disse que não queria mais negociação nenhuma com eles. Não queria megas, não queria TV, nem canal de cavalos.
Negócio desfeito, fiquei com o coração partido. Já estava curtindo a ideia da tal da TV por assinatura. Por que eles oferecem um serviço que não querem prestar? Por que fugi das minhas regras e fui ouvir a ladainha desse povo que oferece serviços? Eis o que não sei...

Anita Safer

sábado, 11 de maio de 2013

Procurando a Memo...

Foto: Érica
Desenhos animados são maravilhosos. Não todos, mas muitos deles. Neles vemos personagens que retratam traços de nossa personalidade, só que apresentados de forma "engraçadinha". Quem nunca se sentiu como o Coyote, que planeja de mil formas conquistar seu objetivo - no caso pegar o Papa Léguas - e sempre fracassa? E o que dizer do nosso lado "mala" que o Pernalonga representa tão bem? A dissimulação do Piu Piu, a praticidade do Ligeirinho? Cito os antigos porque são os meus preferidos.
Na atualidade posso citar um personagem que parece ter sido criado à minha imagem e semelhança: A Dori - peixinha desmemoriada de Procurando Nemo.
Tenho muitas deficiências, mas uma das mais proeminentes é a memória ruim, seguida imediatamente pela coordenação motora sofrível. Acho admirável aquela pessoa que lembra de épocas remotas, acontecimentos, conteúdos que estudaram. Eu mal lembro o que fiz na semana passada.
Morro de agonia de ver aqueles filmes onde o policial pergunta: "Onde você estava no dia 3 de janeiro às 14h30?". Fico em pânico. Penso que confessaria qualquer coisa, porque seria incapaz de lembrar.
Sei que uma parte deste problema se deve à genética. Dizem também que a distração e a falta de memória são traços de pessoas inteligentes e criativas. Não sou tão criativa e nem inteligente assim, embora algumas pessoas acreditem que eu seja. Uma colega de um curso que fiz me disse durante um trabalho em grupo: "Faz você, Cleane, você é mais inteligente pra essas coisas". Perguntei: "Por que você acha isso?". "Porque você usa óculos e tem cara de intelectual". Gente, eu sou muito míope, meus "trocentos" graus de miopia não me tornam mais inteligente, infelizmente.
O pior de ser desmemoriada é ter sempre por perto pessoas que lembram de tudo. Do que você fez, disse, deixou de fazer ou dizer. E você não pode se defender e nem atacar porque não lembra de quase nada que você, ou ela, fez ou deixou de fazer há 30 anos atrás.
A vantagem que vejo na memória ruim (tudo há de ter um lado bom) é que posso ver o mesmo filme, ler o mesmo livro, várias vezes. Vou rir, chorar e pedir que não me contem o final pra não estragar a surpresa. Pode isso?
Talvez seja uma forma de não sobrecarregar meu HD. Guardo nele poucas e boas memórias. Assim vou tentando viver o presente, sem me apegar tanto ao passado.
Procuro exercitar a memória como posso. Mesmo sem lembrar tantas coisas a Dori me mostrou que podemos ser esquecidinhas e felizes ao mesmo tempo.
Por que resolvi mesmo escrever sobre isso?
Ih! Esqueci...

Anita Safer