sexta-feira, 14 de julho de 2017

A linha solta do amor

Foto: Liana Rocha
Este texto veio de encomenda. Uma amiga sugeriu que eu escrevesse sobre os relacionamentos que acabam e deixam aquela linha solta. São aquelas situações mal resolvidas. Como o título deste blog é "Eis o que não Sei", procuro pensar a respeito das coisas, não para, necessariamente, encontrar as respostas, mas para refletir a respeito.
Quando ela fala em linha solta logo me lembro de um bordado que ficou mal acabado. 
O ideal é que a gente faça nossos bordados com um bom arremate, pra que possamos nos orgulhar dele no final, mas nem sempre isso acontece e o bordado fica muito feio; aí o jeito é começar um outro, tentando fazer com mais capricho.
Não digo que os relacionamentos devam ser descartáveis e que deverão ter fim. Alguns bordados são feitos ponto a ponto, desmanchando pequenos pedaços e refazendo-os durante toda uma vida. Esse é bordado que desejamos. Mas deixar pontas soltas nunca é bom. Fica feio.
Acho que cada história que termina precisa de um ponto final. Mesmo que algum dia ela recomece em outro momento, aí é uma outra história. Lembrar do que foi bom no relacionamento é uma coisa legal, faz você ver que foi capaz de dar e/ou receber amor. Mas, e as coisas ruins que levaram ao fim da história? Elas também devem ser levadas em consideração. 
Sei que existem vários desfechos pra esta situação, mas cito apenas dois, os mais práticos, na minha opinião: ou você revive aquela história, se for da vontade dos dois, desta vez indo até o final, bom ou ruim para arrematar de vez; ou compreende que aquela história acabou e segue em frente. Neste caso saia, compre novas linhas, escolha um desenho que te inspire e comece um novo bordado ao som da música do Gilberto Gil que diz: 
"É a sua vida que eu quero bordar na minha 
Como se eu fosse o pano e você fosse a linha 
E a agulha do real nas mãos da fantasia 
Fosse bordando ponto a ponto nosso dia a dia". 

Anita Safer

sexta-feira, 7 de julho de 2017

A arte de quem aprendeu a ser jovem

Foto: Tina Arce
É incrível como algumas falas ou atitudes ficam registradas em nossas lembranças. Há muito tempo vi uma entrevista com Djavan em que perguntaram a ele qual o segredo para que se mantivesse tão jovem. Ele respondeu que acreditava que era porque sempre tinha um novo projeto a realizar. Disse que todos devemos ter pelo menos um, por mais simples que pareça; nem que seja a reforma da cozinha. Segundo ele esses planos nos rejuvenescem. Saber que temos algo pela frente, renova o brilho no olhar. Tá certo, não lembro exatamente as palavras usadas na ocasião, mas a ideia era essa. Concordo demais com o Djavan, mas que ele tem uma genética incrível a seu favor... Ah, isso tem...rs.
Quando vi a foto linda que ilustra este post, feita pela minha mana Tina Arce, lembrei dessa entrevista do Djavan. Por que? Primeiro porque sou assim, meio fora da caixinha e minha mente é uma viajante sem fronteiras, mas a verdade é que sei que essa bicicleta é mais um projeto que ela está realizando. Minha irmã é um exemplo de juventude alimentada a planos e sempre tem uma carta escondida na manga. Gosta de se aventurar pela vida. Desejo muito que ela inclua em seus projetos nos brindar sempre com suas fotos maravilhosas e sensíveis.
Vamos nos encher de planos e projetos, galera! Vamos procurar uma luz que nos aponte onde encontrar o que nos faz feliz. E aí é só pedalar por novas paisagens. Não defendo a busca pela eterna juventude, porque acredito que o amadurecimento tem seus encantos, mas, se considerarmos como juventude ter sempre algo novo a aprender ou conquistar, tô nessa! #Forever young.

Anita Safer

quinta-feira, 29 de junho de 2017

O Gurulino que habita em mim saúda o Gurulino que habita em você

Foto: Arquivo pessoal
É bom andar pela cidade e ser surpreendida por intervenções urbanas. A arte do grafite saltando do concreto e trazendo cores, contrastes, vida. Das paredes das passarelas subterrâneas surgem poemitos singelos. Até no chão as palavras brotam; pequenas reflexões em forma de poemas. Muita gente não curte, confunde grafite com pichação. Grafite é arte, pichação é crime. Eu gosto de ver meus caminhos cheios de belezuras. Mas a belezura das belezuras pra mim chama-se Gurulino. Quem transita pelas ruas de Brasília, com certeza, já viu essa criaturinha doce e zen criada pelo artista Pedro Sangeon.
Gurulino nos brinda com frases filosóficas, cheias de significado. O seu criador usa o termo "shantileza" para definir as emanações cheias de luz de sua linda criatura. Shanti, palavra do hinduísmo que significa paz.  Paz, desapego, amor e respeito às diferenças é o que Pedro transmite através de sua criação.
E Gurulino vai crescendo e ao mesmo tempo em que é zen é inquieto. Questiona, instiga, pensa e transmite. Filosofando ele vai alcançando novos espaços, como tirinhas de um jornal local. 
Quando vi em uma rede social que criaram um chaveiro do Gurulino... vixe!!!! Quis logo o meu. Então descobri que existe um Projeto Gurulino, onde a gente pode adquirir canecas, bolsas, camisetas, pôsteres... Eu queria tudinho, mas o desejo é grande e a grana curta, então vou devagar, mas aceito doações...kkk.
Parabéns pelo trabalho, Pedro. Espero que vocês continuem juntos difundindo lindezas filosóficas. Shanti.

Anita Safer

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Polvinhos amorosos

Foto: Liana Rocha
Existem muitos projetos legais acontecendo por aí. Um que chamou minha atenção foi o de confecção de polvinhos de crochê para crianças prematuras que estão internadas em leitos de UTI neonatal. Esta ideia surgiu na Dinamarca e se expandiu pelo mundo. Gente, que coisa mais fofa! Vi algumas matérias mostrando que os bebês se sentem mais tranquilos com os bichinhos na incubadora, pois os tentáculos lembram o cordão umbilical. De acordo com pesquisas e estudos realizados, a presença do polvo estabiliza a frequência cardíaca, ajuda no aumento de peso e até reduz o tempo de internação. Acredito que para os pais também tenha um efeito psicológico positivo, pois deve ser muito angustiante sentir sua criança tão vulnerável. Ver seu filhinho acompanhado por uma coisinha tão fofa não diminui a preocupação com o quadro apresentado, mas deve amenizar um pouco a impressão de um ambiente frio e impessoal.
Encantada com essa iniciativa fui até a Torre de TV, onde soube que um grupo se reúne a cada quinze dias pra aprender e confeccionar os polvos. É o projeto Polvo de Amor.
Lá ensinam como confeccionar a peça e doam o material, desde que você se comprometa a entregar para eles os bichinhos prontos. Depois levam para hospitais cadastrados, onde são esterilizados, para não levarem riscos aos bebês. Quem tem uma noção mínima de crochê consegue fazer, sem grandes dificuldades. A receita é simples.
Aí a gente pensa, por que não um gatinho, um passarinho ou outro bicho fofo qualquer? Vamos combinar, polvo não é um animal que caia no gosto de muita gente no quesito beleza, mas ele foi escolhido em função da anatomia, mais adequada ao objetivo. No fim das contas, são muito lindos.
De lá pra cá tenho tido momentos terapêuticos e carinhosos, colocando afeto nos pontos que se formam aos poucos na construção do amigo que muitas criaturinhas poderão abraçar.

Anita Safer

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Eis o que já foi

Foto do acervo do Usadão Brasília
Eu nunca gostei daquele papo... "No meu tempo isso... Ah, na minha época as coisas eram tals...", mas confesso que me bateu uma nostalgia danada um dia desses. Tudo começou com uma conversa com um amigo. Conversa vai e vem, o assunto chegou no nosso carinho em comum por coisas antigas. Lembrei da emoção de tirar uma foto com uma máquina de rolo e ter que esperar dias pra receber a fotografia revelada. A dificuldade em captar o momento fazia com que a gente escolhesse muito bem o que era especial e que queríamos guardar na lembrança.
E a máquina de escrever? Amava o som que ela fazia... TEC TEC TEC... e CREC, na hora de mudar de linha. Tudo bem que no trabalho era um sufoco. Eu era secretária escolar e tinha que fazer um monte de históricos, certificados e boletins que não podiam conter rasuras. Mas a emoção, paciência e cuidado tinham que estar presentes.
Talvez eu não tenha saudade apenas dos objetos, mas da emoção, paciência e cuidado que tinhamos que ter com tudo. As coisas eram feitas pra durar. Os mais vividos um tiquinho lembrarão que os refrigerantes não vinham em garrafas descartáveis, a gente tinha que levar a garrafa de vidro vazia pra comprar a outra cheia. A TV era uma só por família. A gente tinha que levantar o traseiro gordo pra mudar de canal, pode isso? A TV era um evento social. Quando chegou a TV a cores foi incrível. Minha família demorou um pouco pra ter uma, então, quando ia passar algo muito legal eu ia assistir na casa da minha amiga Ana Carla, pura ostentação...hihihi.
Os carros duravam décadas, hoje são trocados anualmente por muitos. Haja sucata!
Ai, que texto chato, eu sei, mas fazer o que? Agora tenho provas e convicção de que estou envelhecendo.
Nem tudo está perdido, os tempos atuais trazem maravilhas impossíveis de ignorar. Mas como tudo está mudando rápido demais sei que amanhã estarei com saudades de usar o celular (o que era um celular? Vão me perguntar. Eis o que muitos não saberão).

Anita Safer


domingo, 11 de junho de 2017

Dia dos Namorados - Eis o que não tenho

Dia dos Namorados. Em alguns casos, como no meu, só dia mesmo; namorado que é bom, nadica de nada! Vi um meme engraçado (desconheço a autoria) que diz "Meu Dia dos Namorados será complicado. Eu e meu namorado somos muito diferentes. Por exemplo... Eu existo e ele não"... Hahaha.
Minha filha é muito engraçada e dramática. Esse ano resolveu ficar incomodada com o fato de não estar namorando. O possível candidato deve ter medo de aparecer porque já é vítima de bullying, pois ela se refere a ele como "O Lerdo". O fato é que de uns dias pra cá ela começou a entoar um mantra que usa em frases aleatórias. Foi ao dentista e chegou com a novidade "Tenho duas cáries, MAS NÃO TENHO NAMORADO". Saiu da Caixa Econômica dizendo "Não tenho direito ao saque do FGTS e NÃO TENHO NAMORADO", "Tenho enxaqueca, MAS NÃO TENHO NAMORADO". Esse mantra se faz presente em qualquer assunto, seja cultura, religião, política... "Acredita que uma delatora da Lava Jato tinha um ENTÃO namorado, e eu não tenho NENHUM? Falaram no jornal", ela disse.
No geral vejo muita gente desejando um cangote pra cheirar, uma mão pra entrelaçar, um relacionamento sério pra postar em rede social. Esse tal Dia dos Namorados faz uma bagunça danada na vida dos solteiros, que às vezes nem ligam por estarem solteiros, mas sentem como se fossem contraventores. Alguns se reúnem e vão comemorar o Dia dos Namorados uns com os outros, cada solteiro com seu não namorado.
O caso é que felicidade é um trem tão gostoso que pode existir em condições diversas, com ou sem namorado. Por isso, feliz Dia dos Namorados, dos Rolos, dos Solteiros e da minha filha, que vai dizer: "Minha mãe escreveu pro blog dela sobre o Dia dos Namorados e eu aqui, SEM NAMORADO. É um lerdo mesmo".

Anita Safer

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Ignore!

Existem pessoas que são deliciosas, né mesmo? Pois bem, uma dessas pessoas deliciosas da minha vida é minha irmã Clélia.Ela é muito espirituosa e divertida. Dona de um humor inteligente e rápido. Mas pedir pra ela te ensinar um trajeto é o mesmo que pedir pra ela te enlouquecer. Uma vez saímos. Eu estava dirigindo e não sabia o caminho. Ela foi me indicando por onde ir. "Tá vendo aquele prédio ali?", ela disse. Eu pensei "estamos chegando" e ela disse "ignore". "Olha aquela placa ...", eu reduzia pra entrar no retorno e ela... "Ignore". Assim seguimos, naquela palhaçada sem fim e chegamos ao nosso destino; porque além de senso de humor ela tem um excelente senso de direção.
Tirando uma lição dessa brincadeira, sabe que a Clélia é mesmo um pessoa sábia? Temos que ignorar muitas coisas e pessoas que aparecem pelo caminho. Não por soberba ou superioridade, mas porque não nos levarão aonde precisamos ir. No meio da sua estrada você pode encontrar alguém com uma placa dizendo "Não seja você mesmo". Ignore! "Você tem que corresponder às expectativas dos outros... Fazer tal coisa, de tal maneira... Se vestir assim... Amar assim". IGNORE!
Cada pessoa tem seu caminho, nem todos os sinais te levam aonde você quer chegar. Às vezes podemos pegar atalhos ou caminhos errados, faz parte. Mas se encontrar indicações claramente desnecessárias, ignore.Siga em frente, se possível com senso e humor e, de preferência, com pessoas deliciosas ao seu lado. Agora,, se não gostou deste texto, IGNORE e siga o seu caminho.

Anita Safer

sábado, 29 de abril de 2017

Heróis do cotidiano

Foto do arquivo pessoal de Vítor e Liana
Um dia desses, num programa de TV, mostraram a história de um motorista de ônibus que viu um motociclista pegando fogo depois de um acidente. O motorista teve uma baita presença de espírito; parou o ônibus de forma segura, pegou o extintor, desceu correndo e socorreu o rapaz. No melhor estilo "The Flash". Ele poderia ter pensado "alguém vai socorrer, não posso ajudar porque o ônibus tá cheio de passageiros". Mas ele fez o que era mais importante. Estava atento e foi sensível ao sofrimento do outro. Agiu heroicamente.
Admiro demais atitudes assim. Eu sou muito estabanada, pendendo mais pra um desastre urbano...hahaha. As pessoas precisam ser salvas de mim, às vezes. Uma vez, num supermercado, dobrando a esquina de uma prateleira, esbarrei e derrubei uma laranja gigante. Era um rapaz vestido de laranja, que fazia promoção de um suco. O coitado saiu rolando e não conseguia se levantar. Eu fui ajudá-lo, mas preferi levantá-lo pelas costas - numa atitude covarde, confesso, com vergonha de olhar nos olhos alaranjados dele - com reiterados pedidos de desculpas. Ele deve ter ficado furioso comigo, com todos os "gominhos" do seu ser.
Voltando ao assunto de salvar os outros, lembrando ainda da minha falta de habilidade pra feitos assim... Quando eu era adolescente ia atravessando a rua e vi que um rapaz vinha muito distraído no sentido contrário. Do nada, vinha um carro em alta velocidade. Preciso salvá-lo, pensei. Corri e o empurrei pro outro lado da pista. Fiz um ato heróico!!! Só que não. Quase matei o rapaz que se estabacou no meio fio. Ele ficou meio atordoado, mas até que entendeu minha boa intenção. Talvez eu não tenha mesmo vocação pra heroína.
Desejo, de coração, ser uma pessoa mais atenta e que consiga agir de forma adequada quando me deparar com uma situação em que possa ajudar alguém, ou evitar que algo ruim aconteça a ela. Mas me lembrei que todos nós temos nossos pequenos atos de heroísmo. Muitas vezes fui, e sou, salva da tristeza, do tédio, de situações difíceis, por pessoas especiais que me estendem a mão na hora certa. São meus heróis e heroínas do cotidiano. Quero crer que eu também esteja sendo capaz de salvar vidas com um abraço, uma mensagem, uma escuta atenta e carinhosa. Neste mundo, com tantos perigos internos e externos a nos rondar, precisamos cuidar mais uns dos outros.

Anita Safer

domingo, 23 de abril de 2017

O piquenique das Bunitas

Foto: Mariana Cerveira
A gostosura da vida está nas coisas mais simples. Um grupo de amigas se reúne com vestidos floridos, alguns chapéus e um lanche compartilhado sobre uma toalha na grama. Assim foi o piquenique das Bunitas no CCBB. Sim, Bunitas, assim chamamos umas às outras. Nossa "buniteza" está expressa no carinho e na delicadeza da nossa amizade. Um salão de forró nos uniu e a amizade se esparramou pra todo canto, feito as raízes de uma árvore antiga.
Nesta tarde falamos de vida saudável enquanto comíamos um pão aqui, um salgado ou fruta ali - entre amigas podemos ser incoerentes, sim!
Sílvia se remexia de um lado pro outro, buscando uma posição confortável. Conversamos sobre coisas diversas. Generosamente, Mari leu um capítulo do livro A Ciranda das Mulheres Sábias, de Clarissa Pikola Estés. Nos identificamos com as quatro avós, personagens do livro; elas também dançavam e encantavam. Tinham o "vigor da velhice" que desejamos ter. O relato foi acompanhado pela risada gostosa da Márcia.
A noite chegou e uma borboleta branca resolveu pousar pra escutar nossos assuntos mais profundos. Só foi embora quando percebeu que nós também já iríamos levantar voo. Saímos metamorfoseadas pelo encontro. Gratidão!

Anita Safer

quinta-feira, 23 de março de 2017

Aniversários, presentes e afins

Foto: Arquivo Pessoal
Mês de março é um mês cheio de aniversários na minha vida. Pessoas da família, pessoas amigas. E agora chegou mais uma, a Rafaela, filha da minha sobrinha Patrícia e do Pedro, uma lindeza! Como não amar esse mês? Lindas pessoinhas de Peixes e Áries. Por acaso, muito por acaso, eu me incluo nesta lista e sou sim uma linda pessoinha, embora muitos não consigam ver fofura em arianas, consideradas as loucas do zodíaco.
Aniversários são bem legais, na minha opinião. Descobri umas curiosidades a respeito deles, tipo a tradição de acender velas (acreditavam que o aniversariante estaria vulnerável espiritualmente nesta ocasião e a luz da vela os protegeria). Achei especialmente curiosas as formas que os finlandeses costumam comemorar os aniversários (sem generalizar e com respeito aos finlandeses, são coisas que li e ouvi falar, vai saber se as informações procedem...)
- Na casa do aniversariante é costume hastear a bandeira do país;
- O aniversariante publica no jornal algo engraçado e interessante sobre si de forma anônima e as pessoas conhecidas tentam identificá-lo - não paro de pensar no que escreveria...hihihi.
Outra curiosidade finlandesa é que, além do aniversário, eles comemoram o dia do nome. Existe um calendário pra isso, tipo, dia tal é o dia das Cleanes e eu e mais umas gatas pingadas com o mesmo nome, comemoramos. Uhuuu... Cleanes... é nós!
Uma coisa que acho desafiante em relação a aniversários é a escolha do presente. Talvez porque pra presentear você precise estar presente na vida da pessoa e saber o que poderá faze-la feliz. Alguns presentes marcam a vida da gente pela sensibilidade de quem nos presenteou, na demonstração de que nos conhece e legitima quem somos. Um exemplo: Adoro bolinhas. Ervilhas, brigadeiros, plástico bolha. Tem uma árvore que solta umas bolinhas no chão e eu adoro pisar nelas e ouvir o barulhinho que fazem. Tá, sou ariana, tenho minhas loucuras. Um namorado que tive me presenteou na época com uma caixinha cheia dessas bolinhas. Foi um presente divertido e inesquecível.
Encontrar algo que seja a cara da pessoa é como achar um tesouro. Mas o melhor dos tesouros ainda é o amor, a demonstração do bem querer. Deixar o afeto presente é o melhor que podemos oferecer e é uma delícia pra quem recebe. No mais é só soprar as velinhas e fazer aquele pedido, que não se realiza se você contar pra alguém. Viu, finlandeses? Nós também temos nossas tradições.

Anita Safer