quinta-feira, 29 de junho de 2017

O Gurulino que habita em mim saúda o Gurulino que habita em você

Foto: Arquivo pessoal
É bom andar pela cidade e ser surpreendida por intervenções urbanas. A arte do grafite saltando do concreto e trazendo cores, contrastes, vida. Das paredes das passarelas subterrâneas surgem poemitos singelos. Até no chão as palavras brotam; pequenas reflexões em forma de poemas. Muita gente não curte, confunde grafite com pichação. Grafite é arte, pichação é crime. Eu gosto de ver meus caminhos cheios de belezuras. Mas a belezura das belezuras pra mim chama-se Gurulino. Quem transita pelas ruas de Brasília, com certeza, já viu essa criaturinha doce e zen criada pelo artista Pedro Sangeon.
Gurulino nos brinda com frases filosóficas, cheias de significado. O seu criador usa o termo "shantileza" para definir as emanações cheias de luz de sua linda criatura. Shanti, palavra do hinduísmo que significa paz.  Paz, desapego, amor e respeito às diferenças é o que Pedro transmite através de sua criação.
E Gurulino vai crescendo e ao mesmo tempo em que é zen é inquieto. Questiona, instiga, pensa e transmite. Filosofando ele vai alcançando novos espaços, como tirinhas de um jornal local. 
Quando vi em uma rede social que criaram um chaveiro do Gurulino... vixe!!!! Quis logo o meu. Então descobri que existe um Projeto Gurulino, onde a gente pode adquirir canecas, bolsas, camisetas, pôsteres... Eu queria tudinho, mas o desejo é grande e a grana curta, então vou devagar, mas aceito doações...kkk.
Parabéns pelo trabalho, Pedro. Espero que vocês continuem juntos difundindo lindezas filosóficas. Shanti.

Anita Safer

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Polvinhos amorosos

Foto: Liana Rocha
Existem muitos projetos legais acontecendo por aí. Um que chamou minha atenção foi o de confecção de polvinhos de crochê para crianças prematuras que estão internadas em leitos de UTI neonatal. Esta ideia surgiu na Dinamarca e se expandiu pelo mundo. Gente, que coisa mais fofa! Vi algumas matérias mostrando que os bebês se sentem mais tranquilos com os bichinhos na incubadora, pois os tentáculos lembram o cordão umbilical. De acordo com pesquisas e estudos realizados, a presença do polvo estabiliza a frequência cardíaca, ajuda no aumento de peso e até reduz o tempo de internação. Acredito que para os pais também tenha um efeito psicológico positivo, pois deve ser muito angustiante sentir sua criança tão vulnerável. Ver seu filhinho acompanhado por uma coisinha tão fofa não diminui a preocupação com o quadro apresentado, mas deve amenizar um pouco a impressão de um ambiente frio e impessoal.
Encantada com essa iniciativa fui até a Torre de TV, onde soube que um grupo se reúne a cada quinze dias pra aprender e confeccionar os polvos. É o projeto Polvo de Amor.
Lá ensinam como confeccionar a peça e doam o material, desde que você se comprometa a entregar para eles os bichinhos prontos. Depois levam para hospitais cadastrados, onde são esterilizados, para não levarem riscos aos bebês. Quem tem uma noção mínima de crochê consegue fazer, sem grandes dificuldades. A receita é simples.
Aí a gente pensa, por que não um gatinho, um passarinho ou outro bicho fofo qualquer? Vamos combinar, polvo não é um animal que caia no gosto de muita gente no quesito beleza, mas ele foi escolhido em função da anatomia, mais adequada ao objetivo. No fim das contas, são muito lindos.
De lá pra cá tenho tido momentos terapêuticos e carinhosos, colocando afeto nos pontos que se formam aos poucos na construção do amigo que muitas criaturinhas poderão abraçar.

Anita Safer

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Eis o que já foi

Foto do acervo do Usadão Brasília
Eu nunca gostei daquele papo... "No meu tempo isso... Ah, na minha época as coisas eram tals...", mas confesso que me bateu uma nostalgia danada um dia desses. Tudo começou com uma conversa com um amigo. Conversa vai e vem, o assunto chegou no nosso carinho em comum por coisas antigas. Lembrei da emoção de tirar uma foto com uma máquina de rolo e ter que esperar dias pra receber a fotografia revelada. A dificuldade em captar o momento fazia com que a gente escolhesse muito bem o que era especial e que queríamos guardar na lembrança.
E a máquina de escrever? Amava o som que ela fazia... TEC TEC TEC... e CREC, na hora de mudar de linha. Tudo bem que no trabalho era um sufoco. Eu era secretária escolar e tinha que fazer um monte de históricos, certificados e boletins que não podiam conter rasuras. Mas a emoção, paciência e cuidado tinham que estar presentes.
Talvez eu não tenha saudade apenas dos objetos, mas da emoção, paciência e cuidado que tinhamos que ter com tudo. As coisas eram feitas pra durar. Os mais vividos um tiquinho lembrarão que os refrigerantes não vinham em garrafas descartáveis, a gente tinha que levar a garrafa de vidro vazia pra comprar a outra cheia. A TV era uma só por família. A gente tinha que levantar o traseiro gordo pra mudar de canal, pode isso? A TV era um evento social. Quando chegou a TV a cores foi incrível. Minha família demorou um pouco pra ter uma, então, quando ia passar algo muito legal eu ia assistir na casa da minha amiga Ana Carla, pura ostentação...hihihi.
Os carros duravam décadas, hoje são trocados anualmente por muitos. Haja sucata!
Ai, que texto chato, eu sei, mas fazer o que? Agora tenho provas e convicção de que estou envelhecendo.
Nem tudo está perdido, os tempos atuais trazem maravilhas impossíveis de ignorar. Mas como tudo está mudando rápido demais sei que amanhã estarei com saudades de usar o celular (o que era um celular? Vão me perguntar. Eis o que muitos não saberão).

Anita Safer


domingo, 11 de junho de 2017

Dia dos Namorados - Eis o que não tenho

Dia dos Namorados. Em alguns casos, como no meu, só dia mesmo; namorado que é bom, nadica de nada! Vi um meme engraçado (desconheço a autoria) que diz "Meu Dia dos Namorados será complicado. Eu e meu namorado somos muito diferentes. Por exemplo... Eu existo e ele não"... Hahaha.
Minha filha é muito engraçada e dramática. Esse ano resolveu ficar incomodada com o fato de não estar namorando. O possível candidato deve ter medo de aparecer porque já é vítima de bullying, pois ela se refere a ele como "O Lerdo". O fato é que de uns dias pra cá ela começou a entoar um mantra que usa em frases aleatórias. Foi ao dentista e chegou com a novidade "Tenho duas cáries, MAS NÃO TENHO NAMORADO". Saiu da Caixa Econômica dizendo "Não tenho direito ao saque do FGTS e NÃO TENHO NAMORADO", "Tenho enxaqueca, MAS NÃO TENHO NAMORADO". Esse mantra se faz presente em qualquer assunto, seja cultura, religião, política... "Acredita que uma delatora da Lava Jato tinha um ENTÃO namorado, e eu não tenho NENHUM? Falaram no jornal", ela disse.
No geral vejo muita gente desejando um cangote pra cheirar, uma mão pra entrelaçar, um relacionamento sério pra postar em rede social. Esse tal Dia dos Namorados faz uma bagunça danada na vida dos solteiros, que às vezes nem ligam por estarem solteiros, mas sentem como se fossem contraventores. Alguns se reúnem e vão comemorar o Dia dos Namorados uns com os outros, cada solteiro com seu não namorado.
O caso é que felicidade é um trem tão gostoso que pode existir em condições diversas, com ou sem namorado. Por isso, feliz Dia dos Namorados, dos Rolos, dos Solteiros e da minha filha, que vai dizer: "Minha mãe escreveu pro blog dela sobre o Dia dos Namorados e eu aqui, SEM NAMORADO. É um lerdo mesmo".

Anita Safer