quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Saudações buzianas

Foto: Vítor Perotto

Bem, pessoal. Tô em Búzios passando uns dias. Minha amiga Zingara Ortega perguntou se ia rolar um post sobre isso. Eis que aqui está, não posso decepcionar minha leitora...kkkk, talvez ela seja a única, merece todo o meu respeito. A região aqui é um espetáculo. Muitas praias lindas e o relevo é de tirar o fôlego! Minha nora, a Liana, tá feliz, parecendo uma criança. Afinal, aqui ela viveu momentos maravilhosos. Cada passo dela vem uma lembrança. As lembranças tem nome, mas não falo, nem sobre tortura, o nome da lembrança. Só digo que começa com ALE e termina com XANDRE...hahaha, que é o nome do pai dela. Eita complexo de electra forte! Mas acho isso lindo. Ela tem família e amigos aqui. E eu, só tirando casquinha dessas amizades tudo de bom. Tenho me divertido muito com o Edu, Narinha, Aryadne. A Dudinha, filha do Edu, é uma coisa fofa, não pode ouvir música que ela dança e me chama pra dançar. Dançamos no meio da sala enquanto as pessoas conversam, dançamos jogando sinuca, dançamos na praia, na rua, em todo lugar. Tocou Anitta então, aí a gente dança mesmo; essa menina é das minhas. Falar em dançar, fomos fazer um passeio de escuna. Escuna é aquela coisa meio barco, meio lancha, mas pra mim, se tá no mar, é Titanic. Quem me conhece sabe o PAVOR que eu tenho de água. Bate sempre aquele medo de ver um submarino passando perto. Eu não relaxo. Um por cento do tempo eu fico achando linda a paisagem, curtindo o pessoal interagindo com os gringos (dançando Gangnam Style a bordo e outras doideiras mais), mas noventa e nove por cento do tempo eu não consigo esquecer das toneladas de  água embaixo dos meus pés - cheia de tubarões, polvos, baleias e, claro - na minha mente doente - submarinos amarelos e de todas as cores. O jeito foi ficar agarrada o tempo todo numa madeira, praticamente fazendo pole dance. Um show particular. A escuna parava e todo mundo podia mergulhar. Criancinhas de dois anos de idade pululando dentro d'água com seus coletinhos e eu? Claro que fiquei dentro do barco. Então, resolvi ser a fotógrafa do pedaço. Fotografei tudinho. Achavam uma estrela do mar... clic... ouriço... clic... aranha do mar... clic... baiacu, idem... pessoal junto... clic... pessoal sozinho... tome clic... ali tem uma gruta, ali tem uma imagem achada pelos pescadores, aquela casa é da Ana Maria Braga... clic também. Mas confesso que a minha paixão total, absoluta e avassaladora foi pela Praia do Forte, em Cabo Frio. Que lugar maravilhoso! Aquela praia gostosa, momentos inesquecíveis. O Israel, meu neto, pegando ondas com sua pranchinha e a onda me pegando. Me pegando mesmo, só faltava tocar a música do Wando, porque ela me pegava, me sacudia e me jogava no chão, me rolava e me fazia mulher... a mulher mais ridícula que alguém podia ver. Mas é muito divertido. O atendimento do Seu Doca na Barraca da Dedé é top. Engraçado como a gente fica íntimo do povo das barracas da praia. Tem muita música ao vivo e um centro comercial e gastronômico que é show. E tome comer coisas proibidas e tomar caipirinha, também proibida. Acho que o terror que meu endocrinologista toca não chega até aqui. Esqueci de glicemia e da minha dignidade. Tome churros. Acredita que tem uma barraquinha que tem 97 sabores de churros? É muita coisa pra experimentar. Por isso, querida Zingara, se eu sobreviver estarei de volta à Brasília. Espero que eu seja como um baiacu, que inche e depois desinche, senão você nem vai me reconhecer. Mas se você passar por uma gordinha feliz na rua se arrisque a cumprimentar, pode ser que seja eu.

Anita Safer

sábado, 2 de janeiro de 2016

Plutão, cadê você?

Eu estava aqui pensando sobre o que escrever para este post e a minha filha disse: "Mãe, seu blog se chama Eis o que não sei, e você sabe o que eu não sei? Por onde anda Plutão?". Verdade. O povo vai e mexe com o que tá quieto. A gente estudou a vida inteira que Plutão era o nono planeta do Sistema Solar. De repente... pufff... tiraram o Plutão de tempo. E sabe por que? Porque ele é considerado pequeno demais pra ser um planeta e porque não está perfeitamente alinhado aos outros. Sabe o que é isso? Um BULLYNG ASTRONÔMICO! Calma aí, Plutão, mexeu com você, mexeu comigo. Hahaha... Nem podemos ser pequenos e meio fora do eixo que já somos rebaixados a simples corpos celestes. Até que não é de todo ruim, ter um corpito dos céus também tem lá suas vantagens. E agora, como ficará o nosso horóscopo? Quem é de Escorpião não terá mais um planeta regente, terá um planeta anão regente; porque agora chamam Plutão de planeta anão. Virou Plutinho agora? Pelo menos não o expulsaram do Sistema Solar. Bem, tudo isso é brincadeira. Na verdade as coisas vão mudando mesmo, novas informações vão chegando com o passar dos tempos. O que é certeza hoje amanhã pode não ser. Antes pensava-se que a Terra era plana. Quando criança eu achava que o mundo acabava depois de Sobradinho. Olhava até aonde a vista alcançava e achava que depois dali a gente caía. Morri de medo uma vez que me levaram pra acampar e começaram a ir praquele rumo. Sempre sonhava com um calhambeque velho que ficava pra lá e pra cá, de cabeça pra baixo, voando no céu e marcando a linha do horizonte. Viu só, Plutão? Não é só você que é fora de órbita. Tamo junto! 
Nós e nossas certezas. Quantas vezes achamos que tudo está alinhado, em perfeita ordem e algo acontece. A gente percebe que as coisas estão em eterna mutação. Tanto as coisas, em si, quanto nossas ideias a respeito delas. Tudo o que existe vai se transformar. Tudo o que acreditamos hoje pode não fazer sentido amanhã. Por isso é bom aprender aos poucos a não se apegar tão fervorosamente às coisas vãs. Entender que tudo na natureza está em transformação. Eu sinto que me transformo a cada dia. Acho que esse é um aprendizado que só o tempo nos traz. Vamos perdendo e ganhando constantemente e aprendemos que não faz o menor sentido tentar controlar ou reter as mudanças. Tentar estar no comando de tudo só nos provoca sofrimento. Plutão tá lá, vivendo a vida dele, pouco se importando com o que nós, terráqueos - uns grandes e centrados, outros pequenos e meio pancadas, ou vice-versa - pensamos a respeito dele. O universo é maior que tudo isso, dizem até que ele é infinito. Dizem, porque a qualquer momento tudo pode mudar.

Anita Safer