domingo, 20 de setembro de 2015

Pitaco 1 - Vá a um show

Qual foi a última vez que você foi a um show? Esses dias tá rolando o Rock'n Rio. Muita gente postando, Rock'n Rio eu vou! Que bom pra quem pode viver esse momento. Ver grandes astros do rock deve ser bão por demais. Só que eu não vou, você também talvez não. Então vamos encarar a realidade e curtir o que temos pra hoje. Shows que acontecem a todo momento em nossa cidade. Hoje eu fui num show do Falamansa, lá no Mané Garrincha. Tava muito lotado e eu tive alguns desafios. Um deles é que sou baixinha, então não dava pra ver direito porque TODOS na minha frente eram altos. Aliás, pra mim todo mundo é alto. Uma vez fui a um show e tinha um cara muito bêbado que começou a ficar invocado com a minha "baixeza" e resolveu me proteger, ele empurrava todo cidadão que se atrevesse a ficar na minha frente e gritava "Sai da frente dela, não vê que ela é baixinha? Coitada!". Eu queria matar o homem, apesar de toda a boa vontade que ele tinha. Confesso que hoje me deu uma saudade doida dele...rsrs. O fato é que vi que já não tenho muita estrutura (tudo bem - idade, disposição, estatura...) de ir nesses shows onde a gente fica em pé, com pessoas de tudo o que é lado. Você olha pra um lado tem multidão, pra trás, multidão, pra frente, multidão e TODOS altos. Mas mesmo em shows que são assim agoniados vale a pena ir quando você tem uma amiga chamada Márcia pra ir com você. A gente ri de tudo. Ri porque tá cheio, ri porque atrás do cara que tá dançando super bem tem outro dançando super mal, um contraste, embora o importante é que estavam todos super animados e diversão é o que importa. Ri da nossa falta de condicionamento pra encarar o show. Ri porque não conseguimos assistir ao show até o fim; mas vamos contar vantagem de que fomos ao show.
Márcia e eu saindo do show
No nosso caso não fomos ao Rock'n Rio, estamos mais pra Oh quem riu... Sinto que estou mais pro estilo de show em que posso ficar bem acomodada, sentadinha, de preferência sem nenhum pescoçudo na minha frente. Com cadeira numerada, então, eu piro. Em resumo, tô velha. Mas uma velha que aprecia a cultura, por isso sugiro que todo mundo vá mais a shows. Existe muita gente boa fazendo música na cidade. Se você tá desfavorecido financeiramente no momento, existem shows gratuitos e maravilhosos também. Tem os eventos do T-Bone, alguns shoppings promovem shows, o CCBB também tem alguns 0800 de vez em quando. Quando puder, vale a pena ostentar e ir num show que você só vai ter a oportunidade de ir uma vez na vida, como foi o caso do show que fui do Hugh Laurie (o ator que faz o Doctor House, no seriado médico americano). Eu nem sabia que ele era cantor e músico de jazz. Mas minha amiga Simone é apaixonada por ele (eu entendo perfeitamente o porquê - tomara que ela não acabe nossa amizade de muitos anos por causa dessa pequena confissão) e tive que fazer o "sacrifício" de acompanhá-la. E esse show deu trabalho, porque ele veio ao Brasil, mas não viria em Brasília. Tive que usar todo o meu poder mental, estilo O Segredo, pra fazer com que a cidade fosse incluída na turnê. Portanto, este é meu primeiro Pitaco. São muitas coisas que devemos fazer pra tornar nossa vida mais interessante, ir a shows é uma delas. Vá no tipo de show que te agrada, existem de todos os tamanhos, estilos e espaços. O importante é aproveitar a vida, pois enquanto estamos vivos O SHOW DEVE CONTINUAR... Ai, que comentariozinho horrível!

Anita Safer

terça-feira, 21 de julho de 2015

Isso me deixa feliz?

Foto: Érica
Adoro ler livros sobre arrumação de casa, porque tenho a ilusão de que o fato de ler vai fazer com que minha casa fique arrumada num toque de mágica. O mesmo acontece com livros, revistas e blogs de emagrecimento. Só de olhar, principalmente quando tem fotos de antes e depois, me sinto magérrima. Loucura à parte, terminei de ler um livro que me deixou toda empolgada: A Mágica da Arrumação (A arte japonesa de colocar ordem na sua casa e na sua vida), de Marie Kondo. A palavra mágica no título até brilhou quando vi o livro na livraria. Pensei - que maravilha, agora sim, minha casa vai ficar organizada. A verdade é que milagres não existem e o jeito é colocar a mão na massa. Gostei muito do livro, achei a proposta interessante. A ideia é a seguinte. Você deve arrumar a casa por itens e de forma radical. Por exemplo, você pega todas as roupas da casa, peça por peça, toca o tecido e se faz a pergunta: Isso me deixa feliz? Se a resposta for sim, você fica com a peça. Se for não,ou talvez, despeça-se da roupa e deixe que ela vá embora. Não adianta querer manter aquela roupa de quando você tinha lindos vinte anos e um corpinho maravilhoso, na intenção de emagrecer e voltar a usá-la. Ela te fez feliz naquela época, hoje deve até te deprimir, sinceramente, então, tchau pra ela. Assim você vai fazendo com todas as coisas na casa. Livros, acessórios, objetos diversos. Tudo, tudo, tudo. Meu filho Bruno tá desconfiado com essa história, ele disse que não vai ficar pegando roupinha e perguntando se ela o faz feliz. Isso é estranho demais pra ele. Faz sentido, é mesmo bizarro. Mas tô empolgada. Quero ver como será essa experiência. O livro tem várias outras dicas, de como arrumar uma gaveta, por exemplo. Tenho medo de me animar demais e levar ao pé da letra, olhar pra minha gatinha, Jackeline, e perguntar se ela me faz feliz, justamente no momento em que ela tá com aquela cara medonha de bandida enfiando as unhas no meu sofá. Vai que eu me deixo levar pelo momento e jogo ela num saco pra doar. Brincadeirinha, amo a doidinha. Mas treinar esse desapego é muito bom. Assim como os objetos, são milhares de coisas que sei que entulham a minha vida. Sentimentos, atitudes e pensamentos que não me servem mais e estão tomando espaço na minha vida. Mexer com as coisas é terapêutico. Não digo que vou virar uma dona de casa de verdade, são anos cultivando meu lado bagunceiro. Talvez seja só a síndrome de recém aposentada, como diz uma amiga. Mas vou dar uma chance pra Marie Kondo, afinal, a coitadinha tem apenas 2 milhões de livros vendidos, devo dar a ela a oportunidade de salvar uma alma.

Anita Safer

domingo, 10 de maio de 2015

João Pessoa, quero lhe usar.

Foto: Ludmila
Estou prestes a aposentar. Depois de ver tantas matérias dizendo que João Pessoa é o melhor lugar para viver depois de aposentar, resolvi conferir. Nem sei se tenho coragem de sair de Brasília. Neste momento nem mesmo sei se há vida após a aposentadoria.
Bem, voltando à João Pessoa... Se eu já fosse aposentada feliz e saltitante, e não fosse tão medrosa, lá seria um ótimo lugar para morar. É certo que fiquei poucos dias. Viagem é como relacionamento amoroso, no início tudo é tão lindo! 
Desse meu breve flerte com a cidade gostei de muitas coisas. Lá você pode fugir da monotonia, pois a capital tem tripla personalidade, pelo menos. Tem a parte histórica, que é linda, a gente viaja no tempo. Adoro um toque de coisas antigas (pausa pra minha tradicional piscadela para o George Clooney). É muita história naquelas paredes, prédios, igrejas. Me fascina. Minha mente busca o início de tudo. Imagino a chegada dos portugueses pelo rio Paraíba. Aliás, Paraíba significa rio de difícil navegação. Mas parece doce e fácil de navegar... olhando da terra firme, pois sou medrosa quando se trata de água. Lá aprendi que a expressão "fazer nas coxas" não tem nada a ver com o que a minha imaginação marota supunha. A origem da expressão veio de quando as telhas era feitas pelos escravos. Aquelas telhas pequenas e de barro. Eles usavam a coxa como molde. Como as coxas eram diferentes, as telhas não ficavam perfeitamente iguais e a justificativa é que tinham sido feitas "nas coxas". Foi o que me contaram lá, achei interessante, entre outras coisas.
O centro da cidade só vi rapidamente. Cheio de praças e com uma boa estrutura.
Agora, a orla, gente. QUE ORLA! As praias são lindas. O mar é calmo e morno. Calçadões sem fim, para caminhadas longas; fiz curtindo a maravilhosa seleção musical que minha norinha Liana preparou especialmente para este momento.
O lugar todo respira forró da melhor qualidade. Quase tive um troço porque o forró de lá é pra gente grande, ô forró arretado!
Muito artesanato, muitos artistas de qualidade.
De quebra fiz ótimas amizades, como é o caso da mineira Ludmila - que gentilmente cedeu a foto deste post - e sua mãe, que está aposentada e, acredite, extremamente viva, o que me encheu de esperanças no futuro.
Resumo da história, pretendo voltar outras vezes. Prepare-se João Pessoa, quero lhe usar.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Analisando...




Foto: Arquivo Pessoal
Uma vez li um livro interessante chamado Mentiras no Divã, de Irvin D. Yalom. É a história de uma mulher que fica revoltada porque o marido resolve abandoná-la depois de fazer terapia. Ela decide, então, vingar-se do terapeuta. Esta é a trama principal, mas trata também de outros assuntos, como a relação interpessoal no ambiente terapêutico, ética e outros mais. O que achei legal foi a reviravolta que aconteceu na vida dela enquanto tentava “enganar” o terapeuta. Diz a música do Legião Urbana que “mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira”. Isso é verdade. Fiz terapia algumas vezes, em momentos pontuais, onde precisava de ajuda para lidar com algo naquele momento. E digo a vocês, foi a melhor coisa que pude fazer. Certas dores são muito difíceis de encarar e eu precisava de alguém neutro, que me ajudasse a encontrar uma forma de vivenciar aquela avalanche de sentimentos. Sem dispensar o ombro amigo das pessoas que me amavam, claro, que também foram e sempre serão fundamentais em minha vida.

Agora parti para um mergulho mais profundo. As dores superficiais já haviam sido aliviadas. Então era hora de remexer naquelas gavetas velhas que nunca foram organizadas. Cheias de poeira e traças. Estou fazendo psicanálise. Deste baú tenho começado, aos poucos, a jogar coisas fora. São certezas, medos infundados (na verdade nem eram infundados, eles foram verdadeiros naquele momento, mas não preciso carregá-los indefinidamente, preciso dar espaço para novos...rs); impressões de uma menina assustada que fui e ainda sou.

O início de um processo terapêutico é difícil. Vou fazer uma analogia, como sempre... Quando reformaram a portaria do meu prédio - que ficou linda, por sinal – eu fiquei indignada porque colocaram uns espelhos enormes e eu tinha que me deparar com minha imagem inteira, toda gordinha, refletida. Eu só gostava de olhar pra espelhos minúsculos que mostrassem apenas meus belos olhos ou meu sorriso encantador. Ao fazer análise aconteceu a mesma coisa; comecei a me ver inteira, as partes agradáveis e as detestáveis. Mas aos poucos vou me observando, me vendo por vários ângulos e me conhecendo. Posso fazer alguns retoques aqui e ali, onde for possível e desejável. Outras coisas eu vou aprendendo a aceitar como parte do que sou. Hoje entendo porque escolhi o nome do meu blog EIS O QUE NÃO SEI, tenho muito ainda o que descobrir e agora sei que não preciso saber de tudo.

Um amigo disse que não faz terapia porque sabe tudo o que o terapeuta vai dizer. Quem dera fosse assim, que alguém nos desse todas as respostas, tirasse todas as nossas angústias e resolvesse todos os nossos problemas. Outra pessoa me disse: Eu não vou fazer terapia, pra que? Pagar um dinheirão pro terapeuta dizer que sou eu quem tem que encontrar as respostas? Tô pagando pra que? hahahaha. Mas esta falou de brincadeira. Confesso que tinha medo de me transformar naquelas pessoas que usam a terapia pra falar tudo o que querem, do tipo - Comigo não, agora sou uma pessoa analisada e por isso blábláblá... Despejar anos de frustrações e ressentimentos. Ao contrário disso, tenho tido mais consciência das minhas limitações, o que de alguma forma, me ajuda a compreender um pouco mais as limitações dos outros. Aprender a dizer não é um outro desafio; mas não é justo dizer sim para não magoar o outro quando este mesmo sim me magoa ou não é verdadeiro. Outras vezes me compadeço tanto com a dificuldade do outro que me sinto na obrigação de fazer algo para aliviar a sua dor. Mas existem dores que apenas o outro pode carregar, não posso fazer isso por ele, assim como ninguém pode carregar as minhas. Cada um tem a sua forma de vivenciar suas experiências. Isso é muito individual. Sei que é bom procurar alívio para as dores, sejam elas de ordem física, mental ou espiritual. Eu só tenho a agradecer a pessoas como Wallace, Luciana Leite e Tales (terapeutas e analistas)
Nessa viagem que é a vida é muito bom contar com o apoio de profissionais como eles, que ajudam as pessoas a se livrar do excesso de bagagem.

Anita Safer

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Ano Novo, de novo!



Foto:  Érica
Pronto. Depois de alguns meses estamos nós na beirada de mais um Ano Novo, de novo. Ainda bem, né? Quer dizer que ainda estamos por aqui. Às vezes não vemos sentido nesta história de Ano Novo, afinal, é só um dia a mais na história da nossa vida; mas compartilho o pensamento de Carlos Drummond de Andrade quando escreve:



"Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente”.



A gente precisa de fôlego, não dá pra correr sem dar uma trégua, beber uma água, recobrar as energias, recarregar as baterias. Precisamos de uma pausa pra fazer um balanço: O que foi bom? O que foi ruim? O que pode melhorar? O Ano Novo é um sedutor, ele joga aquele charme e acreditamos que ele será melhor que o velho (isso não se aplica a todas as coisas, fique registrado, olha só o George Clooney).

Este é o momento em que fazemos aquelas promessas no maior entusiasmo. Emagrecer “trocentos” quilos, viajar pra Europa (se não der vai Caldas Novas mesmo), economizar, trocar de carro, de casa, de parceiro, trocar o saco de lixo todo dia, e por aí vai... Parece bobeira, mas certos seres humanos se propõem a mudar as coisas, e conseguem. Então, porque não conseguiremos também?

Para dar uma apimentada no ano que inicia, fiz para minha família os Bombons da Sorte. Tipo um biscoito da sorte, só que no lugar de ensinamentos, provérbios ou sei lá o que, são sugestões de atividades pra fazer no ano seguinte. É uma forma de desafio. Pessoalmente tenho esta prática e acho importante a gente fazer algo diferente. Assim temos a oportunidade de aprender e conhecer coisas e pessoas novas. Caso você se interesse em fazer algo do tipo, veja uns exemplos de sugestões:

- Tirar fotos nos pontos turísticos da cidade

- Passar um fim de semana num hotel fazenda

- Jogar na Mega Sena toda semana

- Ler um livro por mês

- Ajudar um asilo ou creche

- Fazer uma nova receita a cada semana

- Aprender um idioma

- Aprender a tocar um instrumento

- Ir mais ao cinema

- Fazer um jantar especial para uma pessoa especial

- Praticar um esporte radical

- Frequentar teatros

- Dar e/ou receber massagens

- Colecionar algo

- Fazer terapia

- Frequentar uma academia

- Fazer um piquenique

- Tai chi chuan

- Fazer meditação

- Mudar o visual

- Repaginar a casa

- Cuidar de plantas

- Fazer um trabalho voluntário
- Dar uma festa
- Fazer aulas de dança



Tem mais coisas que não consigo lembrar, mas você pode incrementar o quanto quiser. Quanto aos bombons você pode comprar e colocar o papel dentro. Eu prefiro fazer os meus tradicionais bombonzinhos simples e caseiros, que são feitos assim:

- 01 lata de Nescau (400g)

- 01 lata de Leite em pó (400g)

- 02 latas de leite condensado



É só misturar, primeiro com uma colher, depois com a mão. Como gruda, é melhor besuntar a mão com manteiga. Não vai ao fogo. Depois de bem amassado é só fazer as bolinhas. Delícia!!!!



É isso, pessoal. Desejo muitas alegrias para todos neste ano que se inicia. Como não podemos ter só alegrias - já aprendemos isso com as dores da vida – que tenhamos força e coragem pra enfrentar as dificuldades. Recomeçar sempre, para melhorar o que foi bom ou para abandonar o que não nos serve mais.

Anita Safer


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Natal, Natal, Natal...

Foto: Érica
Natal chegando. Essa data tem significados diferentes pra cada um. O fato é que ninguém passa impune por ela. Muitas pessoas se tornam mais emotivas, solidárias, choram com filmes e propagandas. Outras ficam absolutamente enlouquecidas nos shoppings, comprando presentes de amigo oculto, amigo conhecido, nem tão amigos assim, parentes que também são amigos e presentes para crianças, também enlouquecidas - que sendo boazinhas ou nao ganharão presentes do "Papai Noel".
Existem também as pessoas que não acreditam no Natal, ou não gostam dele. Muitas ficam deprimidas nesta data, por se sentirem solitárias, por sentirem saudades dos que se foram.
Corais cantam - o meu já deu suas cantadinhas e deve cantar ainda mais.
Mas, como o blog é meu, falarei sobre o que representa o Natal pra mim. Já faz um tempo que deixei de ser a louca do shopping. Não cultuo mais o Natal consumista como antigamente.
Sinto muitas saudades dos Natais de quando minha mãe estava viva e todos nos reuníamos em sua casa. Ela reinava feliz, depois de passar o dia de bobs nos cabelos. A mesa era tão farta quanto o brilho nos seus olhos. Então ela dançava ao som de Renato Borghetti. A gente nunca é capaz de imaginar como certos momentos são mágicos e que algum dia serão apenas lembranças.
Hoje o Natal em minha casa é simples e básico. Um jantarzinho modesto. O Israel, meu netinho, é o eleito para ser presenteado. De resto, trocamos beijos e abraços. Em outro dia comemoramos com o resto da família. Fazemos um grande lanche. Neste dia acontece o famoso "mural de Natal". É um momento de descontração onde elegemos a maior besteira que foi dita durante o ano e premiamos o infeliz autor da atrocidade. Para citar uns exemplos:
"Adoro estas árvores que tem este cheirinho de APOCALIPSE" (leia-se eucalipto);
" O que eu mais me lembro do Natal é quando a gente monta o PRECIPICIOZINHO"  (presépio);
"Eu me lembrei do nome dele, mas não consegui lembrar da FILOSOFIA" (fisionomia);
"Ela só quer saber de luxo. Isso é pecado. Tipo LUXÚRIA". 
"Marcando uma consulta a atendente pergunta: Qual a especialidade? - GASTRONOMIA".
Tinha uma que tinha nojo da música da Kelly Key porque entendia: Vem, cachorrinho a SUADONA tá chamando... (Chegou a ganhar nosso Oscar por causa disso)
Por aí vai, uma infinidade de abobrinhas sem fim, que daria umas cinco páginas de barbaridades...rs. Preservarei as identidades dos autores das frases para poupá-los, e a mim também - já que vira e mexe sou participante do mural - do vexame público.
Então, chego à conclusão de que o Natal para mim é estar com a família.
Como sou cristã também é um tempo de reflexão, me recordo dos ensinamentos que são importantes e tenho a noção de como preciso melhorar como ser humano. Não sou miss pra desejar a paz mundial, mas desejo que todos possam viver em um mundo mais justo e digno. Que tenhamos coragem para enfrentar os reveses da vida. Também torço para que tenhamos um número maior de dias alegres que de dias tristes em nossas vidas. Feliz Natal, galera!

Anita Safer

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Mudança nossa de cada dia



            De tempos em tempos reviso alguns conceitos que tenho. Acho que isso é natural à medida que o tempo vai passando e a existência apresentando novos elementos. Agora, quando começo a pensar na aposentadoria, me bate um sentimento que é um velho conhecido: o medo da mudança.
            Ai, meu Deus... É a frase que sempre me vem à cabeça - e quase sempre escapole pelos lábios - quando algo novo acontece e eu penso que não saberei lidar com aquilo. Pensando bem, tem algo positivo nesta frase, afinal, acho que no impulso, entrego nas mãos de Deus aquele problema que acredito não ser capaz de resolver. Acontece que muitas vezes nem são problemas, são situações que me tiram da minha zona de conforto. São transformações ao meu redor que desafiam a minha vontade ridícula de ter algum tipo de controle sobre as coisas.
            Ter medo é normal e saudável. Todo mundo sabe, já leu, já ouviu, já vivenciou que o medo é uma medida de proteção contra perigos. Mas, presta atenção, contra perigos. Mudar de trabalho, mudar de cidade, de atividade, de relacionamento não representa necessariamente um perigo, mas uma transformação, uma mudança. Muitas vezes o perigo está em continuar na mesma situação.
            O engraçado é que se eu tivesse algum poder para impedir que mudanças acontecessem, teria grudado no útero da minha mãe e não sairia de jeito nenhum. Isso não teria dado certo. Ela teria morrido na ocasião e eu não estaria aqui, filosofando comigo mesma.
            O I Ching, o Livro das Mutações diz: “... algumas mudanças afortunadas, no início, nos parecem inquietantes”. Quantas vezes passamos por mudanças na vida e pensamos que não sobreviveríamos a elas. No entanto percebemos, depois de um tempo, que chegamos a uma outra realidade e nos adaptamos perfeitamente a ela; para depois termos medo novamente de que esta nova realidade se transforme. É um círculo vicioso para medrosos, como eu.
Foto: Vítor Perotto
            O mais incrível é saber que a natureza nos mostra todo o tempo que é preciso mudar. A paisagem vai mudando com o passar dos anos, seja por ação do homem ou por ação do tempo. A gente nasce, aprende a falar, a andar. A gente fica adolescente, os hormônios nos transformam em uma bomba prestes a explodir. Nossos pais, por sua vez, se tornaram adultos e tem uma bomba nas mãos. Noutro momento nós somos os pais... Ou não, as trajetórias são tão diferentes. Mas cada um - independente do estilo de vida, dos seus preceitos religiosos, morais, escolhas amorosas – está em transformação constante.

             Para tentar domar meu medo de mudanças, procuro fazer uma atividade diferente a cada ano. Afinal, uma palavra que tem “dança” no final, não pode ser tão ruim assim. Então, opto por não pensar agora na aposentadoria. No momento em que ela chegar lidarei com ela, sabendo que é apenas mais um momento de transformação na vida. Então vou seguindo, me adaptando a outras tantas mudanças que se apresentam a toda hora; mas para aquelas que parecem difíceis demais de lidar eu não abro mão da minha frase célebre... Ai, meu Deus!!!!

Anita Safer

quinta-feira, 20 de março de 2014

Duras penas

Foto - arquivo pessoal

Minha amiga de trabalho, Cida, está cuidando de dois passarinhos que foram rejeitados após a caída de um ninho. Ela leva os dois pra todo lado, dentro de uma caixinha. Os alimenta com uma papinha própria através de uma seringa.
Foto - arquivo pessoal
Eu confesso que estou amando a presença desses dois queridos na escola. Quando ela não está perto e eles começam a reclamar de fome eu corro lá, me sentindo a própria substituta da mãe substituta. Eu os chamo de Zé e Mané. Um deles é todo esperto, cheio de si. O outro é bem menor e fraquinho. Sua perninha é meio aleijada e a respiração é sempre ofegante. Mas é um bravo guerreiro, pois está sobrevivendo, apesar de todas as dificuldades. Semana passada minha amiga teve que viajar e levou os dois. Uns dias sem vê-los e me surpreendi com o desenvolvimento que tiveram nesses dias. Voltaram mais fortalecidos. De vez em quando troco o nome dos dois. Sei quem é quem, mas sei que Mané é um nome usado de forma pejorativa, o que é uma maldade com um apelido carinhoso dado a tantos Manuéis que existem por aí. Fico observando o mais forte deles preparando pena por pena para o grande voo. Ele se ajeita vaidoso, se estica, bica as penas e se atreve a pular da caixinha para o fio do computador. O pequeno, depenado de dar dó, luta para manter a respiração constante, o equilíbrio "possível" em cima do fio e dá pequenos e desajeitados pulinhos do fio para o chão.
Isso lembra muito as pessoas. Umas são corajosas, fortalecidas, se preparam para se lançar rumo ao desconhecido. Outras estão debilitadas em algum aspecto, não se sentem seguras ainda. Todo mundo, acredito, tem uma certa bipolaridade neste sentido, somos corajosos em alguns aspectos e medrosos ao extremo em outros. 
Meu filho trouxe de São Paulo uns biscoitos da sorte. O meu dizia: O cabelo não cresce mais rápido se o puxarmos. Então o segredo é ter paciência e lidar pouco a pouco com as dificuldades que forem surgindo. Não importa se vamos voar logo ou não, a vida não precisa ser uma competição. Os passarinhos são um exemplo disso, eles têm a mesma meta, mas os caminhos e os tempos são diferentes para atingi-la. Bonitinho mesmo é que eles estão dispostos e lutando. Enquanto isso cantam, exploram o lugar e logo os veremos voando pela janela, deixando as mamães substitutas felizes e cheias de saudade.

Anita Safer

sábado, 18 de janeiro de 2014

Brasília e seus janeiros

                                                                       Foto: Liana Rocha

Quando é janeiro a cidade se cala. Assim sinto Brasília todos esses janeiros que tenho vivido aqui. Parece uma criança que tagarela o dia todo e quando dorme você olha pra ela e pensa, é tão linda dormindo, parece um anjo. Quando Brasília adormece podemos ver com calma sua beleza. O trânsito flui devagar e gostoso – ok, já foi melhor, eu sei. Os ônibus nos recebem com lugares diversos, vazios, convidativos – nem de todas as linhas, sei disso também, não precisa me lembrar. Mas nesta época reina uma atmosfera que faz com que eu repare em coisas que não reparo habitualmente. Um morador de rua está deitado no chão do ponto de ônibus. Ele lê livros didáticos que buscou nas estantes culturais do T-Bone. Com um toco de lápis ele tenta responder às questões dos livros. Ele também está usufruindo do momento parado da cidade. Na rede social vejo fotos e mais fotos de viagens. Muitos amigos que estão de férias  estampam seus sorrisos cheios de praia e sol. Brinco com as amigas dizendo que elas estão horríveis de sujas (na verdade estão com um lindo bronzeado, é que a invejinha me aflora um lado meio perverso... haha). Eu, como sempre, estou trabalhando nesta época. Antigamente odiava isso. Ter que trabalhar quando meus filhos estavam de férias?!?  Era o fim. Os filhos estão adultos e esta fase passou. Hoje vivo outro momento. Amo tirar férias fora de temporada. As coisas são menos caras. Os lugares estão mais vazios. Viajar é uma das coisas de que mais gosto na vida, uma forma boa de me conhecer melhor. Temos sempre a impressão de que um lugar diferente vá fazer com que a gente se sinta diferente. Isso nem sempre acontece, porque, normalmente, escolhemos as roupas e acessórios que estamos levando, mas não temos como selecionar nossa bagagem emocional. Minha avó dizia uma frase engraçada para esses casos - “Besta aqui, besta em qualquer lugar”. Não é o lugar que muda algo, é o que há dentro de nós que pode fazer com que nossos sentimentos sejam felizes ou não; independente de onde estivermos; porém, olhar outras paisagens quase sempre me inspira. Prefiro fazer minhas viagens de ônibus, justamente para acompanhar a mudança da paisagem, dos sotaques, das árvores, dos cheiros, das fisionomias. O mais divertido é fazer todo um planejamento e as coisas saírem sempre diferentes do planejado. É grande a possibilidade de as coisas não acontecerem exatamente como nós gostaríamos. Isso tem um lado positivo, podemos vivenciar situações inusitadas e agradáveis, que não aconteceriam se nossos planos tivessem vingado. De cada viagem uma lembrança. O suco maravilhoso de Aracaju, a comida de Blumenau, a deliciosa hospitalidade mineira em São João Del Rey, meus amigos de infância de Jundiaí em Caldas Novas (recém conhecidos), os dedos colados com aquela cola (que tudo cola) em Maceió... São Paulo... ah, São Paulo, deixou um gostinho de “quero mais”. Foram muitos os
lugares. Até mesmo Brasília já foi meu destino. Eu sei que moro aqui, mas queria ser turista, por isso me hospedei no Hotel Nacional – um sonho de infância – e avisei aos parentes e amigos que só me ligassem em caso de extrema necessidade; visitei os pontos turísticos da cidade, passeei com calma e admirei a arquitetura e o céu, lindos como nos cartões postais. Da minha “viagem” a Brasília, recordo-me com carinho das tardes nas livrarias, entre cafés e assuntos amenos com pessoas desconhecidas. Minha alma anseia pela próxima viagem, mas enquanto ela não chega vou usufruindo desta Brasília calada que meus amigos bronzeados e tagarelas deixaram por uns dias.

Anita Safer


domingo, 3 de novembro de 2013

A Casa Monstro

Foto: Érica
Quem gosta de filmes de terror já deve ter assistido Poltergeist-O fenômeno (década de 80) ou algum da série Atividade Paranormal. Pois então, é isso que vira e mexe acontece na minha casa. Segundo relatos de conhecidos, este fenômeno acontece também em suas residências. De repente, sem aviso prévio, TUDO COMEÇA A QUEBRAR OU DAR DEFEITO!!!! Ai, que medo!!!!
Isso é uma coisa que tira a gente do sério, ainda mais que sempre acontece quando estamos super "desfavorecidos financeiramente", ou seja, durinhos da Silva. 
Eu tenho o estranho hábito de pensar sobre tudo, intercalando com momentos em que não penso em absolutamente nada. Mas, pensando sobre este momento "desabatório" da minha vida, resolvi tirar disso tudo algum aprendizado filosófico. Apesar de ficar  tentada a ver um fundo espiritual neste quebra-quebra, o fato é que as coisas na casa estão velhas, muito usadas, caducas mesmo. Não quero defender a ideia de que tudo o que fica velho precisa ser substituído, longe de mim, tem coisas que duram anos, até mesmo séculos; com certeza, elas não foram compradas na maior promoção da loja mais "ralé" da cidade, como é o meu caso.
Minha atitude natural diante destas fases é me desanimar. Mas estou me esforçando pra ter uma atitude diferente diante de situações assim. Confesso que não tem sido fácil, pois quanto mais eu rezo, mais assombração aparece. Começou com o vaso do banheiro, depois foi a pia, depois foi o registro, então começou a vazar embaixo do bloco. Lâmpada queimada pra lá, outra pra cá. As cadeiras da sala de jantar começaram a arriar - mas friso que as bichinhas até que foram guerreiras, pois são fraquinhas de tudo...
O fato é que estou disposta a lutar bravamente. O passar dos anos nos ensina algumas coisas e uma das coisas que aprendi é que de tempos em tempos isto acontece. Acredito que possa realmente aprender com este momento. Não só na nossa casa, mas também em nossas vidas, as coisas precisam ser renovadas periodicamente. Roupas deixam de nos servir e precisam ser substituídas. Algumas pessoas precisam se afastar, para dar espaço para que outras se aproximem. Uns hábitos se tornam prejudiciais e precisam ser abandonados. Sei que depois de uma grande tempestade, apesar de alguns destroços, as plantas ficam lindas e verdes. 
Por que então enfrentar estes contratempos como algo ruim, do mal? Pode ser a oportunidade de apertar um pouco mais o cinto e reformar o banheiro. Quem sabe abrir mão das cadeiras e criar um cantinho oriental, onde a gente coma sentado no chão, por que não? É na adversidade que a criatividade aflora. 

Anita Safer